Ora-pro-nóbis, a planta que salva

 

Dentre as folhas com uso potencial na alimentação humana, uma das que mais têm conquistado as pessoas é a Pereskia Aculeata, conhecida popularmente como ora-pro-nóbis, trepadeira limão e groselha-de-barbados. É uma trepadeira semi lenhosa e arbustiva que, no Brasil, ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul e na região Noroeste do estado do Paraná, encontradas na forma de trepadeira em matas secundárias.

Suas propriedades já são muito conhecidas, principalmente pelas pessoas que vivem nas zonas rurais, e a cultivam em seu quintal como remédio e alimento. Foi a partir desse conhecimento popular que a ora-pro-nóbis passou a chegar às grandes cidades.

É possível seu cultivo em ambiente em casa, uma vez que pega bem em qualquer tipo de solo, não exige cuidados específicos, se propaga com facilidade. Tem espinhos e pode ser usada em cercas-vivas, se desenvolvendo bem tanto à sombra como ao sol.

A ora-pro-nóbis é propagada por meio de estacas plantadas em solo fértil enriquecido de matéria orgânica e, depois de enraizadas, são transplantadas para o local definitivo. Em épocas de chuva pode ser plantada diretamente em local definitivo. Seu desenvolvimento, quando feito por estaquia, é lento nos primeiros meses, mas após formação das raízes tem o crescimento bastante acelerado.

 

BENEFÍCIOS

 

A ora-pro-nóbis é uma das maravilhas da medicina alimentar, que contém uma ampla gama de compostos cada vez mais reconhecidos como essenciais para a saúde humana. Tem altos níveis e quantidades significativas de fibras, vitaminas A, B, C, ferro, magnésio, manganês, potássio, cálcio e cobre. Além disso, os compostos antioxidantes poderosos (carotenoides) completam este arsenal de Fito nutrientes e compostos orgânicos benéficos.

Os pesquisadores veem evidências de que o consumo da hortaliça reduz a pressão arterial e os níveis de colesterol, assim como tornam o sangue menos propenso a formar coágulos.

Alguns dos benefícios para a saúde da ora-pro-nóbis incluem sua capacidade para ajudar a perder peso, aumentar a saúde do coração, ajudar no desenvolvimento das crianças, o tratamento de certas doenças gastrointestinais, prevenir certos tipos de câncer, proteger a pele, aumentar a visão, fortalecer o sistema imunológico, construir ossos fortes e aumentar a circulação.

Suas folhas são empregadas como emoliente e consumidas como fonte alimentar, sem índice de toxicidade. As folhas de Pereskia Aculeata possuem importantes qualidades nutritivas, como alto teor de carboidrato, lisina, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, cobre e, principalmente, alto teor de proteínas, o qual apresenta acima do necessário para consumo humano recomendado pela Food and Agriculture Organization (FAO).

Apesar de pouco estudada cientificamente, sabe-se que é rica em proteínas essenciais, o que a faz de grande utilidade no combate à desnutrição em seres humanos. Desta forma, destaca a possibilidade do seu uso como fonte de proteína foliar na alimentação humana.

O valor proteico de um alimento é determinado pela sua composição em aminoácidos essenciais, sendo que o aproveitamento biológico dos aminoácidos (biodisponibilidade) depende também da digestibilidade da proteína. Sendo assim, o perfil aminoacídico fornece boa indicação da qualidade de proteínas alimentares, e tem como funções participar da construção e manutenção dos tecidos, formação de enzimas, hormônios e anticorpos, fornecimento de energia e regulação de processos metabólicos. Além do nitrogênio, os aminoácidos fornecem compostos sulfurados ao organismo

As folhas de Pereskia Aculeata têm sido utilizadas pela Pastoral da Criança na produção da multi mistura, empregada no tratamento preventivo e curativo da desnutrição infantil em comunidades carentes. Podem ser consumidas como refogados e sopas, na forma de farinha preparando tortas, macarrão, biscoitos, pães e bolos de alto teor proteico.

TECNOLOGIA PREDOMINA NA TERCEIRA ONDA DE INOVAÇÕES PARA MELHORAR PRODUÇÃO AGRÍCOLA

 

Num tempo marcado pela dinamicidade dos avanços científicos e tecnológicos em todos os segmentos, pesquisadores afirmam que a agricultura está entrando no que é chamada de terceira onda das inovações, justamente a que utilizará ainda mais tecnologia para melhorar a produtividade agrícola.

Segundo a pesquisadora da Embrapa, Silvia Massruhá, em entrevista à reportagem do Portal Datagro, a primeira onda foi a revolução verde, dos fertilizantes, sementes e defensivos; a segunda, que está em curso, é pautada pelos sistemas integrados de produção, como, por exemplo, a integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

A pesquisadora diz que a terceira onda será marcada pela utilização de insumos biológicos, soluções digitais, Internet das Coisas (Iot), automação, edição de genes, nanotecnologia, entre outras inovações. “Serão tecnologias e sistemas cada vez mais complexos, com foco em fazer mais com menos de modo sustentável.”

“Teremos fazendas conectadas, com a agricultura baseada em soluções digitais de monitoramento e controle de pragas, insumos, clima, solo, entre outras variáveis. Com a adoção dos mais diversos sensores, a massa de dados que será gerada será fundamental para ajudar o produtor a melhorar seu rendimento”, destaca Silvia.

Entre os desafios, segundo a pesquisadora, estão à conectividade deficiente no campo, a necessidade de capacitação da mão de obra, a busca por integração entre as tecnologias, etc.

DIA DO CACAU, O FRUTO DE OURO

Por Marcelo Franco

 

Hoje, 26 de março, é o Dia do Cacau, sinônimo de chocolate e chamado fruto de ouro por conta da sua alta lucratividade e versatilidade.

O fruto proveniente da América Central é cultivado em cerca de 17 milhões de hectares em todo o mundo.

Foi ganhando importância econômica no mundo com a expansão do consumo de chocolate e com isso, várias tentativas foram feitas visando a implementação da lavoura cacaueira em outras regiões com condições de clima e solo semelhantes às de origem. Assim suas sementes foram se disseminando gradualmente pelo mundo.

NO BRASIL

O Brasil assumiu o posto do quinto maior produtor de cacau do planeta, ao lado da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.

O fruto adaptou-se bem ao clima e solo do Sul da Bahia, região que produzia 95% do cacau brasileiro, ficando o Espírito Santo com 3,5% e a Amazônia com 1,5%, até o ano de 2016. [Editado]

Cerca de 90% de todo o cacau brasileiro é exportado, gerando importantes divisas para o país.

Segundo informações atualizadas, o Pará consolidou sua posição de maior produtor de cacau em grão do país. Sozinho, o estado responde por quase 50% da produção nacional, à frente da Bahia, segunda colocada. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de junho/2017, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

VERSATILIDADE

O cacaueiro sempre foi cultivado para aproveitar apenas as sementes de seus frutos, que são a matéria-prima da indústria chocolateira. Mas, do fruto do cacaueiro, é possível extrair outros subprodutos.

O suco da polpa do cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito agradável ao paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais. É fibroso e rico em açúcares (glicose, frutose e sacarose) e também em pectina.

Com esta mesma polpa é possível produzir também geléias, destilados finos, fermentados – a exemplo do vinho e do vinagre – e xaropes para confeito, além de néctares, sorvetes, doces e uso para iogurtes.

A casca do fruto do cacaueiro, também pode ter aproveitamento econômico. Ela serve para alimentar bovino, tanto in natura como na forma de farinha de casca seca ou de silagem, como também para suínos, aves e até peixes. A casca do fruto do cacaueiro pode ainda ser utilizada na produção de biogás e biofertilizante, no processo de compostagem ou vermicompostagem, na obtenção de proteína microbiana ou unicelular, na produção de álcool e na extração de pectina. Uma tonelada de cacau seco produz oito toneladas de casca fresca.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA – SISTEMA AGROPECUÁRIO INOVADOR TEM ÁGUA COMO ELEMENTO CENTRAL

Por Marcelo Franco

 

 

Hoje, 22 de março, é o dia mundial da água, um dos elementos mais fundamentais para a existência da vida em nosso mundo. Ela sacia, hidrata, limpa, refresca, conduz, irriga e até destrói e mata. Reverenciamos sua força e importância, apesar de toda falta de cuidado em preservá-la de maneira sustentável para as próximas gerações.

Celebrando o valor deste precioso elemento, trazemos hoje algumas informações sobre um sistema agropecuário inovador e eficiente, que tem como ponto central a água. Conheça o sistema Mandalla, criado no nordeste brasileiro, que tem ajudado muitas famílias e pequenos produtores em sua sobrevivência e qualidade de vida.

 

SISTEMA MANDALLA

Mandalla é uma palavra de origem sânscrita que significa círculo e, universalmente, representa a harmonia e a integração.

O sistema agropecuário Mandalla foi criado pelo administrador Willy Pessoa há cerca de trinta anos, na Paraíba. Sua filosofia tem como base a recapacitação para a auto-sustentabilidade do homem do campo, dentro de suas próprias condições culturais tradicionais – o que inclui o meio ambiente e a cultura.

 

 

A ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DO SISTEMA MANDALLA

A estrutura física do Sistema Mandalla ocupa uma área média de 50 x 50 metros. Constuitui-se de nove círculos concêntricos. Diferentes culturas agrícolas e animais são cultivados ao redor de um reservatório de água, que é a base essencial do sistema.

Os primeiros três círculos são compostos de um tanque de água onde existe uma criação de peixes e animais de pequeno porte – galinhas, marrecos, coelhos e similares. Há culturas de frutas e hortaliças, além de café, batata-doce, mandioca e similares. Nas bordas do terceiro círculo são cultivadas plantas medicinais e ornamentais.

Do primeiro ao terceiro círculo, tudo é destinado à melhoria da qualidade de vida dos que vivem a partir de seu próprio Sistema Mandalla. Os três círculos provêm praticamente todo alimento necessário para o núcleo familiar. Na verdade, uma única Mandalla alimenta até cerca de vinte pessoas. No entanto, esses três primeiros círculos, além de proverem todos os alimentos necessários para as famílias, promovem um incremento econômico inicial mínimo, que é conseguido com a venda do excedente da produção obtida.

Do quarto ao oitavo círculo, a função dos cultivos é a melhoria da condição econômica das famílias. Os agricultores escolhem e cultivam uma rica variedade de plantas alimentícias de acordo com os espécimes locais e a demanda de mercado. Aqui, o cultivo se destina essencialmente à venda dos produtos agrícolas para indústrias, mercados e similares.

O nono é o círculo de equilíbrio ambiental. Ele envolve os demais círculos e cumpre as funções de proteger o Sistema Mandalla através de cercas-vivas e quebra-ventos, prover uma parte da alimentação dos animais e fazer a inserção da Mandalla, de forma ecologicamente equilibrada, no meio ambiente circundante.

O Sistema Mandalla não necessita de nenhum tipo de defensivo agrícola devido à forma peculiar em que as diferentes culturas agrícolas são distribuídas dentro de sua estrutura em forma de círculos concêntricos, que as protege naturalmente das pragas. Por isso, os alimentos obtidos são naturalmente orgânicos.

A irrigação das plantas ocorre a partir da água do tanque central, que é bombeada e distribuída por um sistema simples de irrigação piramidal feito por seis tubos de mangueira plástica, que irrigam os nove círculos. O sistema de irrigação é feito por micro-aspersão, através de pequenas hastes plásticas flexíveis furadas, do tipo cotonetes, que aspergem a água de forma difusa, ampla e não concentrada, beneficiando assim várias plantas ao mesmo tempo e evitando a erosão do solo.

A construção do tanque de água, a feitura dos círculos concêntricos e a instalação do sistema de irrigação levam poucos dias para serem concluídos. Assim, a base de instalação do Sistema Mandalla é rápida.  O custo médio de sua instalação completa é cerca de R$ 1.300,00 a R$ 1.500,00, mas isso pode variar um pouco de região para região.