Agricultura na região Sudeste: zona tem papel importante no agronegócio nacional

A agricultura da região sudeste é muito importante para a economia local, mesmo com o peso da indústria. Cana de açúcar é a principal cultura.

A região sudeste é a que mais contribui com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Juntos, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo são responsáveis por mais da metade de toda a riqueza produzida pelo Brasil.

A economia paulista é a que mais se destaca. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas o estado de São Paulo contribui com mais de 30% do PIB Brasileiro, sendo que sua capital, por si só, produz 10% de toda a riqueza nacional. A diferença com o segundo colocado, o Rio de Janeiro, é grande: os fluminenses movimentam 11,6% da economia do país.

Por mais que boa parte desta riqueza seja devido às indústrias (São Paulo é o maior parque industrial da América Latina), a agricultura da região sudeste também é estratégica para a zona, gerando empregos e movimentando a economia a nível local e nacional.

cana-de-acucar

A importância da agricultura e da pecuária para a região sudeste

A agropecuária sempre foi um fator externo muito importante para o desenvolvimento da região sudeste. Historiadores apontam a cafeicultura como a grande responsável pela intensa industrialização local, principalmente em São Paulo.

O setor também foi responsável pelo poder político que estes estados tiveram historicamente. Durante a República Velha, presidentes mineiros e paulistas se alternavam no poder, o que ficou conhecido como Política do café-com-leite, o primeiro especialidade de São Paulo e, o segundo, de Minas Gerais.

Apesar de os tempos terem mudado, a agricultura e a pecuária continuam sendo estratégicas para a região sudeste. Ainda de acordo com o IBGE, ela possui quase 900 mil propriedades rurais agropecuárias, familiares e não familiares. Destas, pouco mais de 227 mil estão em São Paulo.

Os principais produtos da agricultura na região sudeste

O sudeste foi o berço da cafeicultura no Brasil – tanto que, até meados do século XX, o estado de São Paulo era um dos principais produtores de café do mundo.

Entretanto, o crash da bolsa em 1929 e a diminuição do consumo do produto nos Estados Unidos fez prejudicou a o plantio. Hoje, há cultivos mais estratégicos, como:

Cana de açúcar

O estado de São Paulo é o principal na produção de cana de açúcar do Brasil. Os agricultores paulistas têm uma área plantada de 5,6 milhões de hectares – 55% do total nacional -, que produzem mais de 440 milhões de toneladas e geram R$ 27,6 bilhões de reais, de acordo com o IBGE.

O cultivo da cana está intimamente ligado à produção de etanol: só em São Paulo, há mais de 120 usinas. Assim, que investe nesta cultura tem destino praticamente certo para a produção.

Laranja

No caso da laranja, novamente, o estado de São Paulo é o principal responsável pela liderança regional. Junto com o Triângulo Mineiro, a região foi responsável pela produção de 245,3 milhões de caixas de 40,8 kg na safra 2016/2017 e a estimativa para a safra deste ano é de 364,47 milhões de caixas. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) só o estado de São paulo é responsável por 28% do suprimento mundial da fruta.

Novamente, a produção abastece a indústria – neste caso, a alimentícia. De todo o suco de laranja produzido, 95% é para consumo externo. Uma pequena parte da produção da laranja em si também é exportada, principalmente para a Flórida.

laranja

Leite

Produto histórico do sudeste, o leite continua sendo importante, mesmo tendo deixado de ser a cultura principal da região: entre os 200 municípios brasileiros com o maior volume de produção, 38 (64%) estão no sudeste.

Eucalipto

Uma cultura que não costuma ser lembrada, mas também é relevante, é o eucalipto. Trata-se de um produto em ascensão, principalmente no Espírito Santo: o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) estima que haja mais de 250 mil hectares do plantio no estado. Isto acontece tanto devido aos incentivos estatais e privados quanto ao retorno financeiro: o eucalipto pode render 20% mais do que a seringueira.

Quem pretende investir no cultivo em território capixaba recebe auxílio técnico do próprio Incaper. O motivo é a alta demanda: a produção atual supre apenas metade da necessidade da indústria.

A importância do agronegócio do sudeste para a economia local e nacional

Por mais impressionantes que as cifras sejam, não são só as vendas dos produtos agrícolas que movimentam a economia do sudeste e do restante do Brasil: este setor acaba movimentando muitos outros ao longo de sua cadeia produtiva.

A região se destaca por ter uma agricultura extremamente desenvolvida. Os empreendedores do agronegócio costumam investir no uso de máquinas agrícolas de última geração, defensivos agrícolas de ponta e fertilizantes potentes, de modo a tornar a lavoura mais produtiva. Consequentemente, muitas outras indústrias se beneficiam do crescimento do setor, como a mecânica e a química.

Seja na região Sudeste seja em todo país, o agronegócio brasileiro vem traçando um rumo de crescimento e se tornando, dessa forma, uma das molas propulsoras da economia nacional.

O que esperar do agronegócio em 2018? Perspectivas e tendências do setor

Em 2018, o agronegócio poderá ser influenciado pela produção de soja para o biocombustível

Todo começo de ano chega trazendo expectativas para os mais diversos segmentos. Com o agronegócio, não é diferente: quais serão os fatores que devem afetar a vida dos produtores rurais em 2018? A agenda brasileira será ainda mais cheia em um ano que contará com eleições presidenciais, Copa do Mundo e o setor político ainda mais movimentado.

Com as tentativas de aprovação da Reforma da Previdência, o mercado rural deverá notar uma cautela ainda maior por parte dos investidores, principalmente com a renovação política e as surpresas que os candidatos poderão apresentar durante as eleições. No setor econômico, o crescimento do agronegócio tem movimentado o mercado e atraído investidores, com perspectivas positivas para 2018.

Assim como a brasileira, a economia mundial segue com boas expectativas. A troca de presidentes do Federal Reserve (FED), banco central americano, terá Jerome Powell em destaque no lugar de Janet Yellen, cujo mandato termina em fevereiro de 2018. A chegada de Powell promete beneficiar o agronegócio, já que ele é visto como um centrista que deverá manter os estímulos para agitar a economia dos Estados Unidos, com mais abertura à agenda de desregulação de Donald Trump.

agronegocio

Soja, grãos e infraestrutura: perspectivas agro para 2018

As oscilações no valor total bruto das produções de grãos deverão se manter entre R$ 530 e 550 bilhões. Depois de uma recuperação em 8%, após uma queda de 25% em 2017, as cotações das commodities agrícolas deverão permanecer estáveis mesmo com a altas produções nos Estados Unidos. O Brasil e a Argentina devem seguir em alta em 2018.

Já a soja será afetada pela aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do aumento das misturas de biodiesel ao diesel de petróleo em 10%. A medida, que entrará em vigor a partir de março de 2018, traz a expectativa de um aumento de produção de biodiesel que irá saltar dos atuais 4,2 bilhões de litros para 5,3 bilhões. Por conta disso, a soja destinada para a produção de biocombustível deverá aumentar no Brasil.

Consequentemente, o esmagamento da soja também irá crescer. O aumento deverá contribuir para um balanço de oferta e demanda acelerada do grão, que será sentido nos preços da soja. Se o destino da soja segue previsto, o mesmo não pode ser dito da infraestrutura do agronegócio: em ano eleitoral, fica difícil saber o que irá se concretizar e o que não passará da promessa. A economia brasileira comandada por Henrique Meirelles afasta o investimento público e pode favorecer as atividades rentistas no lugar das produtivas.

As inovações tecnológicas para o mercado agrícola em 2018 deverão ajudar na redução das aplicações de agroquímicos, diminuindo a dependência de energia derivada de combustíveis fósseis. No cenário mundial, a utilização de resíduos orgânicos, ambientalmente adequados e de baixo custo deverão seguir em alta neste ano.

Outro ponto que merece a atenção redobrada dos produtores rurais em 2018 serão as condições climáticas, já que a incerteza com a formação ou não de mais um La Niña e seus possíveis efeitos deverá movimentar o mercado. Essa incerteza irá agitar o setor agrícola até a consolidação das primeiras safras do ano, e o mesmo deverá ocorrer com a Argentina.

Venda de máquinas agrícolas em 2018: expectativas altas

Após fechar 2017 com uma comercialização no mercado interno que atingiu 44,3 mil unidades, as vendas de máquinas agrícolas seguem com boas perspectivas no ano que acabou de começar. As exportações também fecharam 2017 em alta: foram US$ 3,017 bilhões, com um avanço de 69,7% em comparação com 2016.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de máquinas agrícolas e rodoviárias chegou a 54,9 mil unidades no ano passado, com um aumento de 1,8% ante o desempenho anterior. As exportações de máquinas agrícolas também cresceram, totalizando 14 mil unidades, com alta de 46,9%.

Só em dezembro, 1,3 mil máquinas foram exportadas, com uma expansão de 39,1% em relação ao mesmo mês do penúltimo ano. A expectativa para os próximos meses, de acordo com a Anfavea, é que o setor cresça 10% na produção de máquinas, com alta de 43,7% nas vendas internas e crescimento de 34,5% nas exportações. Vem coisa boa em 2018!

Crescimento do agronegócio brasileiro movimenta a economia e atrai empreendedores

Agronegócio vence a crise e triunfa no Brasil, empurrando o PIB para cima. Exigências de transparência, produtos mais saudáveis e novas soluções criam nichos de mercado.

O Brasil é um país continental: sua vasta disponibilidade de terras, luz do sol, água e terras férteis são riquezas inegáveis. Portanto, não é só por isso que o país tem uma indústria agropecuária tão bem desenvolvida.

Trata-se de um setor que desafia a crise. Mesmo com o cenário econômico conturbado, a renda gerada pelo agronegócio cresceu 6,3% entre janeiro e agosto de 2017. O setor já representa 23% do Produto Interno Bruto (PIB) e 48% das exportações do país.

Isso acontece devido à visão empreendedora de quem trabalha na área e, claro, pela grande aceitação dos produtos brasileiros nos mercados internacional e doméstico.

crescimento do agronegocio

Quais são os principais produtos do agronegócio brasileiro?

Por mais que as características da natureza brasileira permitam a produção de uma ampla gama de produtos, os produtores rurais do país são especialistas em alguns deles: apenas 15 itens são responsáveis por 40% das exportações do setor. Isso na verdade reflete um problema do país que é não diversificar as culturas, alto que precisa ser corrigido e que pode fazer o Agronegócio crescer mais ainda.

O carro-chefe é, indiscutivelmente, a soja em grãos. Em julho do ano passado, o insumo acumulava mais de US$ 2,43 bilhões em exportações, mesmo com a crise. Entretanto, há outros produtos que também geram uma quantidade importante de riqueza para o mercado nacional, como:

  • Açúcar em bruto: US$ 863 milhões
  • Fumo em folhas: US$ 162 milhões
  • Etanol: US$ 105 milhões

E a tendência é que os produtos brasileiros se fortaleçam cada vez mais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) a agropecuária do Brasil cresceu mais de 15% no segundo trimestre de 2017, quando comparada ao mesmo período do ano passado.

A título de comparação: o crescimento da indústria, outro setor importante, foi de apenas 0,8% ao longo de todo o primeiro semestre de 2017, o que representa o melhor resultado em quatro anos.

Qual é a importância do agronegócio na economia brasileira?

É indiscutível que o Brasil vive um cenário econômico delicado no momento. Apesar dos tímidos sinais de melhora, a população ainda tem receio na hora de abrir a carteira, justamente devido à instabilidade.

Para quem pretende empreender no agronegócio, a boa notícia é que o setor se mantém aquecido, mesmo com todas as dificuldades. Este ano, as exportações brasileiras do setor cresceram 6,8%, chegando ao patamar de US$ 56,4 bilhões.

Isso faz do Brasil o quarto maior agroexportador do mundo. Os resultados são tão bons que economistas apontam o agronegócio como o eixo que sustenta a leve alta no PIB experimentada pelo Brasil ao longo de 2017.

Vale ressaltar que isso foi possível mesmo com as grandes perdas de grãos na safra 2016/2017, devido a variações climáticas. Ou seja: ainda há muito potencial para melhorar.

O que se pode esperar do futuro do agronegócio brasileiro?

O futuro do agronegócio brasileiro é tão – se não mais – promissor quanto o presente. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) o Brasil é um dos países nos quais a produtividade no campo mais sobe em todo o mundo.

Além disso, as mudanças no comportamento do público abrem novos nichos de mercado. Como as pessoas se preocupam cada vez mais com a origem daquilo que põem à mesa, os produtores que investem em sustentabilidade e transparência tendem a sair à frente da competição.

Outra tendência que começa a conquistar o mercado brasileiro são os orgânicos: apenas 1% da população deixa de consumi-los por falta de interesse. Os maiores empecilhos são os preços elevados (62%), a falta de pontos de venda nas proximidades (32%) e a pouca informação (11%). Mesmo assim, 11% da população já os consome semanalmente.

Quero investir no agronegócio. Quais são as áreas mais promissoras?

Por mais que a agricultura sustentável, orgânica e transparente esteja em alta, essa não é a única oportunidade que o agronegócio apresenta. Na realidade, nem só de produtos agrícolas ele vive: a demanda por produtos e serviços que lhe sirvam de suporte também é alta. Confira os principais:

  • Software e maquinário: apesar de o agronegócio estar em um bom momento, sempre há uma busca por mais produtividade. Deste modo, boas soluções de automação (máquinas e software) têm tudo para fazer sucesso dentro do setor.
  • Defensivos verdes: o aquecimento do mercado de orgânicos demanda outras soluções para o controle de pragas que não sejam os agrotóxicos. É aí que entram defensivos naturais, que combatem pragas tão eficazmente quanto só que com menos danos à saúde.
  • Treinamento de mão de obra: a falta de mão de obra qualificada é um dos principais empecilhos ao crescimento do agronegócio brasileiro. Deste modo, empresas que se dediquem a sua qualificação têm seu espaço.
  • Importação e exportação: não basta produzir, é preciso fazer a mercadoria circular. Portanto, empresas que ajudam na importação e exportação de insumos tendem a se sair bem, principalmente em um momento de mercado aquecido.

Agronegócio no Brasil: região sul se consolida como zona estratégica

O agronegócio no Brasil tem se desenvolvido cada vez mais. Na região Sul os destaques são a pecuária e a tecnologia para aumento da produtividade.

Ultrapassando desafios e superando expectativas, o agronegócio no Brasil têm se tornado cada vez mais desenvolvido. Apesar da instabilidade na economia, nosso país é considerado uma potência mundial.

A diversidade de paisagens e climas é um dos fatores que favorece o segmento e as particularidades de cada região permitem que o Brasil produza vários tipos de culturas.

Região Sul

No caso da região sul, o clima ameno e as chuvas bem distribuídas ao longo do ano favorecem uma série de cultivos. Apesar de ser a menor região do país em área, ela é de suma importância para o agronegócio no Brasil.

Neste post, você confere qual é o cenário atual da agropecuária no sul do Brasil, incluindo a riqueza produzida, os principais produtos e tendências. Veja:

Qual é o peso da região sul no agronegócio do Brasil?

O sul do Brasil tem uma das economias mais dinâmicas do país. Na agropecuária, não é diferente: dois de seus estados estão entre os 5 principais exportadores desse segmento a nível nacional: Rio Grande do Sul e Paraná ocupam a terceira e quarta posições, respectivamente.

Os gaúchos estão entre os mais competitivos: só o estado do Rio Grande do Sul acumula mais de 10% das exportações do agronegócio brasileiro.

Qual é a importância do agronegócio para a economia do sul?

O agronegócio ocupa um lugar importante na economia sulista. Em 2013, as exportações da agropecuária local representaram mais de metade de suas exportações totais.

A importância desse segmento é particularmente expressiva no Paraná. Neste estado, a agricultura e a pecuária representaram 65% das exportações do estado, gerando uma renda que superou os US$ 11 bilhões.

No caso do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a importância das exportações do agronegócio é um pouco menor, mas nem por isso deixa de ser significativa. O agronegócio representou 46,76 e 50,93% de suas pautas exportadoras, gerando uma renda de US$ 11,6 bilhões e US$ 4,4 bilhões, respectivamente.

Principais culturas do sul do Brasil

O clima, a cultura e as características gerais do sul do Brasil faz com que haja duas culturas especialmente importantes para o agronegócio da região: a soja e o tabaco. Além disso, a pecuária também tem um papel importante na economia e cultura locais.

Rio Grande do Sul é líder no plantio de fumo

O Brasil produz mais de 10% das folhas de tabaco do mundo. De acordo com a Associação de Fumicultores do Brasil (Afubra), 98% dessa produção vem do sul do país. Sua cadeia produtiva envolve cerca de 615 mil pessoas e gera uma receita bruta anual que gira em torno dos R$ 5 bilhões.

É inegável que o Rio Grande do Sul é estado que se destaca na cultura do fumo: dos 20 maiores produtores, 12 são desse estado. Apesar de a cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul ser conhecida como a capital nacional do fumo, na safra 2014/2015 a campeã de produção foi a também gaúcha Venâncio Aires, que colheu mais de 20 mil toneladas de tabaco.

produçao soja no rs e parana

Produção de soja no Rio Grande do Sul e Paraná

Líder em produção nacional, o Mato Grosso é o estado da soja por excelência. Entretanto, logo depois dele estão Rio Grande do Sul, com uma produção que beira as 19 milhões de toneladas, e o Paraná, cuja produção supera um pouco essa cifra.

Os números apontam que o sul é a segunda região que mais produz soja no país, com um rendimento que beirou as 80 milhões de toneladas na última safra. Perde apenas para o Centro-Oeste.

Pecuária gaúcha lidera exportações

A cultura do churrasco gaúcho é uma das primeiras coisas que vêm à mente das pessoas quando elas pensam no sul. De fato, o Ministério da Agricultura e Pecuária afirma que esta última representa 65% das exportações desse estado.

Entretanto, a pecuária é de suma importância para a região como um todo. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que há uma tendência de deslocamento dessa indústria, do Sudeste e do Centro-Oeste, em direção ao Sul. Ou seja: ao que tudo indica, essa indústria deve crescer – principalmente o gado leiteiro, que atualmente não é tão forte na região.

Principais tendências do agronegócio no sul do Brasil

Os principais avanços tecnológicos observados no agronegócio sulista são relativos à pecuária: os produtores da região têm investido em técnicas para o aumento de produtividade, como o aprimoramento genético, o uso de rações específicas para o ganho de peso além do tradicional farelo de soja, a ordenha mecânica, etc.

A efetividade dessas estratégias, junto com o crescimento projetado pelo IBGE, faz com que essas tecnologias tendam a se expandir.

Além disso, com os consumidores cada vez mais conscientes e exigentes, abre-se o espaço para a soja orgânica. Pouco a pouco, são desenvolvidas novas tecnologias que prometem melhorar a sua produtividade. É outra tendência para ficar de olho!

Tecnologia de Agricultura de Precisão ao alcance do empresário do campo

Modernos equipamentos de tecnologia na agricultura de precisão podem determinar o que será lucro ou prejuízo  e despertam fascínio no agronegócio

A agricultura é, de fato, um negócio de riscos. Porém, nas últimas décadas, a atividade tem ganhado cada vez mais artifícios para minimizar e até anular possíveis prejuízos. Com o avanço de novas tecnologias de informática, de sistemas de posicionamento global (GPS), entre tantas outras, foi possível detectar e registrar divergências dentro de um mesmo espaço produtivo. Isto ocorreu nos anos 1990, quando pesquisadores dos Estados Unidos e da Europa denominaram o trabalho de “variabilidade espacial”.

Depois disso, sugiram diversas inovações tecnológicas, que se tornaram comerciais e cada vez mais acessíveis ao agricultor. Hoje, os modernos equipamentos eletrônicos disponíveis no mercado exercem fascínio aos olhos do homem do campo, até porque podem determinar o que será lucro ou prejuízo.

tecnologia agricultura de precisao

Agricultura de Precisão

O conceito da Agricultura de Precisão (AP) veio recheado de possibilidades que não condizem com a realidade, pois muitos ainda acreditam que, para ter acesso a ela, é necessário adquirir máquinas e equipamentos caros e sofisticados. Com o passar do tempo, especialistas do setor vêm provando que isto não é verdade.

Tecnologia de variabilidade espacial

As inovações trazidas pela Agricultura de Precisão auxiliam, e muito, o produtor e o técnico rural, mas, para adotá-la, é fundamental, antes de qualquer outra coisa, constatar a variabilidade espacial da terra. Avaliar o prejuízo do produtor, ao tratar a área de maneira uniforme, é o primeiro passo para estimar o valor que ele poderá investir em equipamentos para obter o retorno econômico desejado.

Para tanto, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem trabalhado com o conceito de que a Agricultura de Precisão é uma ferramenta gerencial, ou seja, auxilia na coleta de informações e interpretação dos resultados com foco na tomada de decisão sobre o manejo das culturas. Esta forma de gerenciar a lavoura leva em consideração a variabilidade espacial, com o objetivo de aumentar os lucros do agricultor e, ao mesmo tempo, reduzir os efeitos do manejo em campo, que possam prejudicar o meio ambiente.

A variabilidade espacial pode acontecer devido a vários fatores, como manchas de solo, áreas com diferentes disponibilidades de água ou nutrientes, camadas compactadas, reboleiras de plantas daninhas ou pragas, e ainda a baixa qualidade das operações agrícolas. Isso tudo reflete na produção e o mapa de produtividade serve para registrar tais variações. É por meio dos mapas que o produtor rural pode estudar e planejar a estratégia de investimento para cada região da sua propriedade, uma das principais ferramentas da agricultura de precisão.

Outro instrumento poderoso, que pode fornecer mais informações ao produtor, são os mapas de características do relevo e do solo, apontando a textura, teor de nutrientes e matéria orgânica, pH da terra.

O sensoriamento remoto também é importante na tecnologia da agricultura de precisão. É o caso do Crop Circle, que permite visualizar a cor da planta, possibilitando saber se está ou não estressada. A partir destas leituras, são elaborados mapas para identificar áreas com estresse, com deficiências nutricionais e incidências de danos de pragas e doenças, em diversos estágios vegetativos das culturas.

As ferramentas de direcionamento podem ser usadas em todas as operações, como preparo de solo, plantio e colheita, auxiliando na redução da compactação da terra, o que favorece uma perfeita sobreposição das passadas (feitas principalmente por máquinas). Assim, otimiza-se o aproveitamento da área e dos insumos. Esses mapas também servirão de registro das atividades, ano após ano, o que possibilitará ao produtor maior entendimento das potencialidades e limitações de sua lavoura. Os dados colhidos também podem servir para a rastreabilidade do seu produto.

Avanço da agricultura de precisão também traz dificuldades

Os avanços da agricultura de precisão são claros, mas poderiam ser mais amplos se a utilização da tecnologia de informação (TI), por parte dos agricultores brasileiros, não fosse ainda tão modesta. Hoje em dia, existem propriedades rurais com dificuldades em adotar quaisquer tipos de controles de informações por causa dos custos e receitas.

De modo geral, os grandes empreendimentos agropecuários, especialmente os produtores de grãos e de cana-de-açúcar, saíram na frente. Mas o trabalho realizado pela Embrapa tem mostrado que a Agricultura de Precisão é viável e possível de ser utilizada também em pequenas propriedades rurais.

Mesmo assim, é importante lembrar que, para utilizá-la, não basta comprar máquinas e equipamentos informatizados, até porque os investimentos devem ser realizados conforme a expectativa do retorno econômico. Ou seja, se não houver variabilidade suficiente no campo, não é necessário investir em máquinas para aplicação de insumos a taxas variadas.

Dependendo da propriedade, como no caso da fruticultura e horticultura, uma simples prancheta pode ser a ferramenta mais adequada para iniciar a organização de dados e registrar as informações no campo, desenhando mapas orientados por meio de linhas e plantas.

Técnicas da Agricultura de Precisão

Entre as tecnologias de agricultura de precisão mais usadas hoje, no Brasil e no mundo, estão os monitores de colheita de grãos, que geram mapas de produtividade e oferecem ferramentas de direcionamento (barras de luz e piloto automático) e a aplicação de insumos a taxas variadas (variable rate technology) por meio da semeadora/adubadora e adubadora/calcareadeira. Todas as ferramentas citadas são úteis para detectar, medir e controlar a variabilidade espacial.

Nos dias atuais, a tecnologia de mapeamento da produtividade está muito difundida para as culturas de grãos, em especial as de milho e soja. Isto porque as colhedoras já vêm equipadas com monitores de colheita, que possibilitam produzir seus mapas.

Com a adoção da agricultura de precisão, o produtor rural brasileiro vai reforçar o potencial produtivo brasileiro e continuar colaborando para que o País se fortaleça como uma das lideranças mundiais, especialmente no que diz respeito à segurança alimentar.