Agricultura orgânica: mercado brasileiro de produtos naturais vale R$ 3 bilhões

Com a demanda por produtos naturais cada vez mais alta, a tendência é que a agricultura orgânica se torne um segmento cada vez mais atrativo economicamente.

De acordo com o Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (ORGANIS), em 2016, o setor de produtos orgânicos movimentou R$ 3 bilhões na economia brasileira. Ele também cresceu 20% em comparação ao ano anterior, mesmo com a crise econômica e com o fato de que estes produtos ainda têm um preço acima da média.

Além disso, uma pesquisa divulgada em junho de 2017, também da ORGANIS, constatou que 15% dos entrevistados havia consumido pelo menos um produto orgânico nos 12 meses anteriores. A procura é maior na região Sul, onde viviam 34% destes respondentes.

Do mesmo modo, vale ressaltar que 64% das pessoas associa o consumo de orgânicos à saúde e à melhora na qualidade de vida, duas preocupações crescentes na atualidade.

Entretanto, 62% dos entrevistados revelou que a principal dificuldade para o consumo dos orgânicos era o preço alto. A falta de locais próximos para comprá-los foi mencionada por 32% dos respondentes.

Estas estatísticas mostram que os brasileiros têm um interesse crescente em produtos orgânicos, só que encontram uma série de dificuldades para consumir estes produtos. Ou seja: este setor é é uma excelente oportunidade de mercado para o empreendedor do agronegócio brasileiro.

O que é a agricultura orgânica?

De acordo com o Sebrae, a agricultura orgânica pode ser definida como aquela que “enfatiza o uso e a prática de manejo sem o uso de fertilizantes sintéticos de alta solubilidade e agrotóxicos, além de reguladores de crescimento e aditivos sintéticos para a alimentação animal”.

Em outras palavras, trata-se de uma agricultura mais natural, sem o uso de químicos prejudiciais à saúde e à natureza. Os produtores tampouco usam sementes geneticamente modificadas (sementes transgênicas).

Quais são os principais produtos orgânicos produzidos no Brasil?

Quando analisamos o ranking dos produtos orgânicos produzidos no Brasil, a soja sai na frente. A versão natural  desta cultura representa 32% de todos os itens do tipo plantados no país. Em seguida, estão as hortaliças (27%) e o café (25%).

Há outros produtos que, apesar de não liderarem o ranking, também são interessantes. Alguns deles são a cana (já é exportada para 25 países), o cacau (a versão orgânica chega a valer até 30% mais que a comum) e o tomate (já existem defensivos agrícolas totalmente naturais, especialmente para esta cultura).

Quais são os benefícios dos produtos orgânicos para o ser humano e o meio ambiente?

Para o ser humano, os benefícios dos produtos orgânicos são óbvios: uma alimentação mais natural é relacionada a uma saúde melhor e a uma vida com menos doenças.

Também há vários benefícios para o meio ambiente, principalmente para o solo – um dos princípios da agricultura orgânica é o seu reconhecimento como um organismo vivo, que não tolera a alta quantidade de químicos usada na agricultura tradicional sem consequências.

Deste modo, para  o produtor rural, o cultivo orgânico é uma maneira de assegurar que a sua terra será produtiva por mais tempo, permitindo que você colha produtos de melhor qualidade. Além disso, como veremos a seguir, os produtos orgânicos são um setor promissor, cada vez mais rentável, com tudo para ser extremamente lucrativo.

A agricultura orgânica é economicamente competitiva?

Há muitos empreendedores do agronegócio que sentem-se receosos em trabalhar com produtos naturais, temendo que a empreitada não seja rentável. Contudo, isto ficou para trás: a demanda é crescente, assim como o surgimento de soluções específicas para a agricultura orgânica.

Um bom exemplo da evolução é o controle de pragas: plantar orgânicos não é mais sinônimo de estar à mercê delas. Já há empresas comercializando métodos de controle alternativos específicos para cada tipo de cultura, como os defensivos e os fertilizantes agrícolas naturais.

Paralelamente a este aumento na oferta de insumos, as estatísticas revelam que, apesar de o consumo de produtos orgânicos ainda não ser majoritário, grande parte dos brasileiros se interessa por isso. O problema é que há obstáculos que freiam o consumo (principalmente o preço e a baixa quantidade de estabelecimentos que os vendem).

Em âmbito global, o cenário também é promissor. O Brasil tem se tornado um país cada vez mais competitivo no mercado internacional de orgânicos, com mais de 15 mil propriedades rurais certificadas e em processo de certificação para produzi-los.

Quais são os principais usos dos produtos orgânicos no Brasil?

Quando o produtor pensa em agricultura orgânica, imediatamente se remete à produção para a indústria alimentícia e as feiras de orgânicos.

Entretanto, há outro setor para o qual é possível vender a produção: o de cosméticos. Cada vez mais, as marcas apelam para produtos baseados em insumos orgânicos, com um apelo mais natural e saudável.

Apenas o mercado de produtos de beleza naturais da América Latina vale US$ 50 bilhões, de acordo com o instituto inglês Organic Monitor.

Como pode ser visto com facilidade, o mercado de produtos orgânicos é uma grande oportunidade para o empreendedor agrícola moderno que está atento ás necessidades dessa nova parcela da população que investe cada vez mais em saúde.