Glauco Benvenutti e Lourenço Salbego explicam como produzir até 100 arrobas por hectare com Tifton

Glauco Benvenutti e Lourenço Salbego explicam como produzir até 100 arrobas por hectare com Tifton

A pecuária brasileira ainda convive com um grande desafio: produzir mais utilizando a mesma área. Enquanto a média nacional gira em torno de aproximadamente cinco arrobas por hectare ao ano, muitos produtores acreditam que esse número representa um limite difícil de superar. Entretanto, segundo Glauco Benvenutti, CEO da Xiru Mudas, e Lourenço  Salbego, engenheiro agrônomo especialista em Tifton 85 e Jiggs da empresa, essa realidade pode ser completamente transformada quando o produtor passa a enxergar o pasto como uma cultura altamente produtiva.

Durante o episódio do MF Rural Talk, ambos explicaram que alcançar até 100 arrobas por hectare ao ano não depende apenas da escolha do capim. O resultado é consequência da combinação entre genética das mudas, preparo adequado do solo, implantação correta, manejo eficiente e acompanhamento técnico durante todo o processo.

Ao longo da conversa, os especialistas mostraram por que a intensificação da pecuária deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade econômica.

Foto aérea de uma fazenda mostrando
A intensificação da pecuária permite aumentar a produtividade por hectare, aproveitando melhor toda a área da propriedade.

O maior patrimônio da fazenda precisa produzir mais

Para Glauco Benvenutti, muitos pecuaristas ainda analisam apenas o custo de implantação de um novo sistema de pastagem, quando deveriam observar o retorno que a terra é capaz de gerar.

Segundo ele, o produtor investe milhões de reais em terra, cercas, infraestrutura e máquinas, mas, muitas vezes, utiliza esse patrimônio com uma produtividade muito abaixo do seu potencial.

Quando uma propriedade produz apenas cinco arrobas por hectare, existe uma enorme quantidade de capital imobilizado entregando pouco resultado. Por outro lado, ao aumentar significativamente a produtividade por área, o produtor passa a aproveitar muito melhor todo o investimento já realizado.

Essa mudança de mentalidade faz com que a terra deixe de ser apenas uma área de criação e passe a funcionar como um verdadeiro ativo de alta rentabilidade.

O Tifton não faz milagres, mas permite uma intensificação que poucos capins oferecem

Durante o episódio, Glauco deixa claro que o Tifton, sozinho, não resolve todos os problemas da pecuária.

Na verdade, o capim funciona como uma ferramenta extremamente eficiente quando acompanhado por um sistema completo de implantação e manejo.

Segundo ele, a grande vantagem do Tifton está na elevada produção de matéria seca, na alta qualidade nutricional e na capacidade de suportar lotações muito superiores às observadas em sistemas tradicionais.

Foi justamente essa característica que transformou sua propriedade.

Glauco relembrou que sua família trabalhava com uma lotação próxima de 0,7 unidade animal por hectare. Após a implantação do Tifton, mesmo utilizando um sistema ainda bastante simples para a época, a propriedade passou a operar com aproximadamente seis a sete unidades animais por hectare.

O aumento foi de praticamente dez vezes na capacidade de suporte.

Esse resultado despertou o interesse em aprofundar seus estudos e buscar conhecimento nos Estados Unidos, onde passou a compreender o potencial da cultivar e desenvolver tecnologias específicas para sua implantação.

Produzir 100 arrobas exige tratar o pasto como uma lavoura

Uma das principais mensagens reforçadas por Lourenço durante a entrevista é que o pecuarista precisa mudar a forma como enxerga sua pastagem.

Segundo o engenheiro agrônomo, o Tifton deve ser tratado como uma lavoura produtora de forragem.

A diferença é que, nesse caso, a colhedora não é uma máquina agrícola, mas sim o próprio animal.

Essa comparação ajuda a entender por que o sucesso do sistema depende diretamente do manejo.

Assim como uma lavoura de grãos exige planejamento, correção do solo, adubação e acompanhamento técnico, a produção intensiva de pastagens também precisa seguir critérios técnicos para entregar os resultados esperados.

Quando essa lógica é aplicada corretamente, o ganho de produtividade se torna consequência do processo.

Tudo começa pela fertilidade do solo

Lourenço explica que não existe produção de cem arrobas sem um solo preparado para sustentar esse nível de produtividade.

Por isso, a primeira etapa do trabalho da equipe começa muito antes do plantio.

São realizadas análises de solo, amostragens georreferenciadas, agricultura de precisão e recomendações específicas de correção e fertilidade.

Segundo ele, as cem arrobas precisam “nascer” do solo.

Somente depois de construir uma base nutricional adequada é possível fornecer ao Tifton as condições necessárias para produzir grande volume de forragem de alta qualidade.

Esse cuidado evita que o produtor invista em uma pastagem de alto potencial sem oferecer os nutrientes necessários para que ela expresse toda sua capacidade produtiva.

O maior erro é olhar apenas para o valor do investimento

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pecuaristas está relacionada ao custo inicial da implantação.

Glauco reconhece que o investimento em Tifton é superior ao de uma reforma convencional de pastagem.

No entanto, ele faz uma diferenciação importante entre custo e desembolso.

Segundo o especialista, muitos produtores enxergam apenas o valor pago no momento da implantação e ignoram que diversas pastagens convencionais precisarão ser reformadas novamente poucos anos depois.

Além disso, durante esse período, a produtividade permanece muito inferior.

Na prática, o produtor acaba economizando no início, mas deixa de ganhar uma quantidade significativa de receita ao longo dos anos.

Por esse motivo, Glauco afirma que a conta precisa ser feita considerando toda a vida útil da pastagem e o faturamento que ela será capaz de gerar.

Genética das mudas faz diferença no resultado

Outro ponto bastante destacado durante a entrevista foi a importância da qualidade genética das mudas.

Glauco explicou que a Xiru Mudas realiza um trabalho contínuo de seleção genética, buscando plantas com maior produção de folhas, maior produção de matéria seca e melhor resistência às condições climáticas.

Além disso, as mudas passam por um processo de adaptação em uma região que enfrenta temperaturas extremamente baixas no inverno e muito elevadas no verão.

Segundo ele, esse processo aumenta a capacidade de adaptação das plantas em diferentes regiões brasileiras.

Esse trabalho também evita um problema crescente no mercado: a comercialização de mudas sem controle genético ou até mesmo de outras espécies vendidas como Tifton.

Por isso, a procedência do material utilizado na implantação torna-se um fator decisivo para o desempenho da pastagem.

O manejo é responsável por transformar produção em arrobas

Produzir uma grande quantidade de forragem não garante, por si só, altos índices de produtividade animal.

Segundo Lourenço, é preciso colher corretamente aquilo que foi produzido.

O engenheiro explica que grande parte das propriedades brasileiras ainda apresenta baixa eficiência no aproveitamento do pasto.

Mesmo produzindo uma quantidade significativa de forragem, muitos sistemas deixam uma parcela importante desse alimento sem utilização pelos animais.

Por isso, a assistência técnica acompanha o produtor desde o momento da implantação até o ajuste da lotação, tamanho dos piquetes, entrada e saída dos animais, adubação e monitoramento da pastagem.

Esse acompanhamento permite aumentar o aproveitamento da forragem produzida e, consequentemente, elevar o ganho de peso por hectare.

Pecuária intensiva exige gestão empresarial

Outro aspecto bastante enfatizado pelos convidados foi a necessidade de profissionalização da atividade.

Para Glauco, o pecuarista que ainda administra a fazenda da mesma forma que décadas atrás tende a perder competitividade.

Hoje, todas as decisões precisam ser tomadas com base em indicadores econômicos.

Isso inclui calcular retorno sobre investimento, produtividade por hectare, custo por arroba produzida e eficiência da utilização da terra.

Sob essa ótica, aumentar a produção não significa apenas produzir mais carne.

Significa aumentar a rentabilidade do patrimônio já existente.

Essa mudança de visão transforma a pecuária em um negócio cada vez mais eficiente.

Casos reais mostram que o sistema funciona em diferentes regiões

Durante a conversa, Glauco compartilhou diversos exemplos de produtores que adotaram o sistema.

Entre eles, destacou propriedades que ampliaram gradativamente suas áreas de Tifton após observarem os primeiros resultados.

Também citou projetos em diferentes estados brasileiros, incluindo áreas irrigadas que alcançaram produtividades ainda superiores às cem arrobas por hectare ao ano.

Além da pecuária de corte, os convidados explicaram que o sistema também atende produtores de leite, projetos de produção de feno, pré-secado e confinamentos.

Segundo eles, a versatilidade da cultivar permite adaptar o sistema a diferentes modelos de produção, desde que sejam respeitados os princípios técnicos de implantação e manejo.

Assistência técnica.
Acompanhamento técnico em todas as etapas da implantação e manejo do Tifton.

Assistência técnica faz parte do projeto

Ao longo do episódio, tanto Glauco quanto Lourenço reforçaram que o trabalho da Xiru Mudas não termina após o plantio.

O produtor recebe acompanhamento contínuo para realizar adubações, ajustar lotação, monitorar o desenvolvimento da pastagem e corrigir eventuais problemas ao longo do ciclo produtivo.

Segundo eles, essa proximidade reduz erros de manejo e aumenta significativamente as chances de alcançar o potencial produtivo esperado.

Na prática, o objetivo é fazer com que o produtor consiga extrair o máximo desempenho da área implantada, transformando o investimento inicial em maior rentabilidade ao longo dos anos.

Quer entender em detalhes como funciona esse sistema, conhecer os números apresentados por Glauco Benvenutti e Lourenço Salbego e descobrir por que cada vez mais produtores estão intensificando suas áreas de pastagem com Tifton? Assista ao episódio completo do MF Rural Talk e acompanhe todas as estratégias apresentadas pelos especialistas.

Autor

  • Bárbara Gatto de Mattos

    Médica Veterinária com formação complementar em Medicina Preventiva e Saúde Pública. Graduanda em Tecnologia em Alimentos.