João Brognoli começou no empreendedorismo com uma agência de marketing em 2013. Mais de uma década depois, construiu uma trajetória marcada por investimentos, educação, tecnologia e pela criação de um ecossistema empresarial que reúne diferentes negócios.
Aos 20 e poucos anos, João Brognoli tomou uma decisão que mudaria sua trajetória profissional: fundou uma agência de marketing. O negócio, criado em 2013, foi o ponto de partida para uma visão empresarial que, com o passar dos anos, deixaria de estar concentrada em uma única empresa para se transformar em um ecossistema de negócios.
Em entrevista ao MF Cast, podcast do MF Rural, João contou como essa transformação aconteceu e explicou a lógica que está por trás de suas decisões como empreendedor.
Segundo ele, a ideia de diversificar surgiu a partir de uma reflexão sobre fontes de renda. Em vez de simplesmente buscar diferentes fontes de receita, João decidiu aplicar esse conceito dentro dos próprios negócios, criando diferentes braços de atuação.
“Eu precisaria ter dentro do meu negócio pelo menos sete braços diferentes de atuação.”
A estratégia começou dentro da própria agência. Na época, o negócio oferecia serviços como criação de identidade visual, cartões de visita, gestão de redes sociais e desenvolvimento de sites. Ao observar os resultados de cada serviço, João passou a perceber que diferentes áreas poderiam funcionar como unidades independentes dentro de uma mesma estrutura.
Foi a partir dessa experiência que surgiu a ideia de construir um grupo.
De uma agência para um ecossistema de empresas
O próximo passo foi adquirir empresas especializadas em determinadas áreas do marketing. Em vez de concentrar todos os serviços em uma única operação, João passou a reunir negócios que possuíam conhecimentos específicos.
Inbound marketing, SEO e outras especialidades passaram a fazer parte dessa estrutura.
Na visão do empresário, cada unidade poderia manter sua especialização enquanto fazia parte de um grupo maior. Esse modelo permitiu transformar uma agência em uma estrutura mais ampla, formada por diferentes negócios e competências.
A trajetória também levou João a investir fora do marketing. Ao longo dos anos, ele passou a participar de negócios relacionados a startups, mercado imobiliário, educação e outros segmentos.
Na entrevista ao MF Cast, ele afirmou que participa diretamente de mais de 30 CNPJs, seja como conselheiro, investidor ou atuando em áreas como educação, marketing, startups e crescimento empresarial.
Hoje, o principal negócio ligado à sua trajetória no marketing é o Grupo Duo&Co, do qual João é CEO e fundador. A própria empresa o apresenta como responsável pela construção do ecossistema digital e destaca sua atuação também como palestrante, apresentador e mentor.
A lógica por trás do ecossistema empresarial
Para João Brognoli, diversificar não significa simplesmente abrir empresas diferentes. Existe uma lógica por trás da escolha dos negócios.
Ele afirma que procura entrar em empresas nas quais possa efetivamente contribuir. O investimento, portanto, não seria baseado apenas na expectativa de retorno financeiro, mas também na possibilidade de participar da construção do negócio.
“Eu não quero entrar no negócio, vou botar dinheiro e esperar voltar o dinheiro, eu quero poder participar.”
Essa participação pode acontecer por meio de conhecimento, estratégia, conselho, educação, networking ou experiência em gestão.
A ideia ajuda a explicar por que, ao longo do tempo, a trajetória de João passou a combinar empreendedorismo, investimentos e formação de empresários.
Nesse sentido, para ele, um ecossistema empresarial funciona quando existe capacidade de identificar necessidades e transformar essas necessidades em oportunidades.
“Todo mundo que reclama de alguma coisa, eu já enxergo uma oportunidade”
Uma das frases que melhor resume a mentalidade de João durante a entrevista é justamente sua maneira de observar problemas.
Segundo ele, reclamações e dúvidas podem revelar oportunidades de negócio.
“Todo mundo que reclama de alguma coisa, cara, eu já enxergo uma oportunidade.”
Essa lógica está diretamente relacionada à forma como ele enxerga a expansão de um negócio.
Em vez de criar empresas completamente desconectadas umas das outras, o empreendedor defende, portanto, a construção de novos braços que complementem aquilo que já existe.
A educação é um dos principais exemplos.
Educação como um novo braço do negócio
Durante a conversa com o MF Cast, João também defendeu que empresários deveriam olhar para a educação como uma possibilidade de expansão.
Na visão dele, quem construiu conhecimento em determinado setor pode transformar essa experiência em conteúdo, formação e até mesmo, consequentemente, em um novo negócio.
“Todo mundo consegue ensinar um pouco daquilo que construiu.”
Essa visão já aparece na trajetória profissional de João. Além da atuação empresarial, ele participa de iniciativas voltadas à formação e mentoria de empreendedores.
O próprio Grupo Duo&Co apresenta João como criador do Agency Club e mentor da BRAIN Mentoria e do Ambience Club.
O Agency Club, por exemplo, é estruturado em torno de temas como estratégia, gestão, processos, vendas, posicionamento, precificação e crescimento de agências.
Essa combinação entre operação e educação também aparece em outro ponto importante da filosofia de João: ensinar pode gerar novas conexões, novos negócios e até futuros sócios.
Segundo ele, algumas das empresas adquiridas ao longo de sua trajetória surgiram justamente a partir de pessoas que passaram por seus negócios de educação, desenvolveram suas próprias empresas e posteriormente se tornaram parceiros.
O crescimento do Grupo Duo&Co
A trajetória da agência criada por João também ganhou uma nova dimensão com a formação do Grupo Duo&Co.
Em 2024, por exemplo, o grupo anunciou a aquisição da Conexorama, empresa especializada em inbound marketing. Segundo a própria Duo&Co, a operação tinha como objetivo fortalecer a atuação da holding nesse segmento e, ao mesmo tempo, ampliar sua posição no mercado de marketing digital.
O crescimento continuou nos anos seguintes.
A empresa informa que foi eleita Agência do Ano pela RD Station em 2022, 2023 e 2024, além de ter ampliado sua estrutura e criado novos núcleos especializados.
Em 2025, o grupo também avançou na internacionalização. Além disso, a Duo&Co anunciou sua entrada no mercado norte-americano por meio de uma operação com a Epic Digital, levando para os Estados Unidos serviços relacionados a marketing, growth, tecnologia e branding.
No mesmo ano, a empresa conquistou o título de Agência do Ano no EWI Global Awards, realizado na Suíça.
A diferença entre crescer e escalar
Outro ponto interessante da visão empresarial de João está na diferença que ele estabelece entre crescimento e escala.
Para ele, uma agência de marketing pode crescer muito, mas possui limitações para ser verdadeiramente escalável porque depende de contratos e relações comerciais individuais.
Um software, por exemplo, pode ser vendido para milhares de pessoas simultaneamente. Uma agência, por outro lado, precisa construir contratos, relacionamentos e entregas para cada cliente.
Por isso, João prefere definir a agência como um negócio “escalonável”, e não necessariamente “escalável”.
Essa distinção ajuda a explicar sua estratégia de construção de um ecossistema. Ao combinar serviços, tecnologia, educação, investimentos e diferentes modelos de negócio, a estrutura deixa de depender de uma única fonte de receita.
Colaboração em vez de competição
Outro princípio importante na trajetória de João Brognoli é a colaboração.
Ele afirma que não pretende criar novos negócios sozinho. Sua intenção é cocriar empresas ao lado de outros empreendedores.
“Eu sempre vou criar ou cocriar algo com alguém. Eu quero ter sócio em tudo, em todas as operações.”
Para João, pessoas com conhecimentos diferentes podem complementar umas às outras e, dessa forma, ampliar a capacidade de construção de um negócio.
Essa mentalidade também aparece no modelo utilizado pelo Grupo Duo&Co em suas aquisições.
O próximo mercado: o agronegócio
Embora sua trajetória empresarial esteja ligada principalmente ao marketing, tecnologia, educação e negócios digitais, João começou a olhar para um novo setor em 2026: o agronegócio.
A aproximação aconteceu durante uma visita a Goiânia e ao Agrocapital, onde participou da conversa com o MF Rural. Ao conhecer de perto o ambiente do agro, o empresário afirmou que passou a enxergar o setor de uma maneira diferente.
“Não tem como não querer participar de alguma maneira da locomotiva que move o país.”
Segundo João, a experiência despertou não apenas interesse econômico, mas também o desejo de construir algo conectado ao campo. Durante a entrevista, ele revelou que pretende iniciar essa aproximação pela pecuária.
“Vou começar com umas cabecinhas de gado.”
Mais do que uma oportunidade financeira, entretanto, a visão apresentada por João foi a de encontrar maneiras de colaborar com o setor.
Ele reconheceu que ainda não possui conhecimento aprofundado sobre o cotidiano do produtor rural e, justamente por isso, defendeu que sua entrada precisa acontecer por meio de relacionamento, escuta e colaboração.
O que o empresário enxerga no agro
Para João, o tamanho do agronegócio brasileiro ficou ainda mais evidente quando passou a observar o setor de perto.
Durante a entrevista, ele afirmou que, muitas vezes, quem está nos grandes centros urbanos tem a impressão de que o agro representa uma espécie de “bolha”. Ao conhecer a realidade do campo, sua percepção se inverteu.
O que parecia ser uma pequena parte da economia passou a ser, em sua visão, uma das estruturas que sustentam grande parte da vida cotidiana.
A partir dessa experiência, João passou a identificar oportunidades especialmente em áreas que ainda possuem espaço para desenvolvimento, como comunicação, educação, sucessão e gestão.
Um empreendedor em constante expansão
A história de João Brognoli começou com uma agência de marketing fundada em 2013. A partir dela, vieram aquisições, novos negócios, investimentos, educação, tecnologia e a formação de uma estrutura empresarial cada vez mais diversificada.
O Grupo Duo&Co é hoje o principal exemplo dessa trajetória, com empresas especializadas em diferentes áreas do marketing e comunicação, expansão internacional e uma estratégia de crescimento baseada em aquisições e integração.
Ao mesmo tempo, João ampliou sua atuação para outros negócios e mantém uma visão de empreendedorismo baseada na participação, colaboração e criação de novos braços de negócio.
Mais do que a criação de empresas isoladas, o que se observa em sua trajetória é a construção de um modelo de atuação baseado em ecossistemas, onde diferentes iniciativas se conectam e se fortalecem mutuamente.
Essa lógica de expansão não segue um roteiro linear, mas sim um movimento contínuo de observação de mercados, identificação de oportunidades e desenvolvimento de soluções em rede.
No fim, sua ideia de ecossistema não parece estar relacionada apenas à quantidade de empresas. Está relacionada à capacidade de conectar pessoas, competências e mercados para resolver problemas que ainda não encontraram uma boa solução.
Da agência criada em 2013 ao ecossistema com dezenas de negócios: João Brognoli conta em detalhes sua trajetória, estratégia de expansão e visão sobre o futuro no episódio completo do MF Cast. Assista agora na MF TV.