Entenda como o Brasil superou os EUA na exportação de milho

Entenda como o Brasil superou os EUA na exportação de milho

 

Se você é produtor rural ou atua no ramo do Agronegócio, este artigo é para você! No ano passado, as previsões de especialistas se concretizaram e o Brasil se tornou o maior exportador de milho do mundo, superando os Estados Unidos (EUA).

 

Os embarques do grão fecharam em 44,9 milhões de toneladas, volume 88% maior em relação a 2018.

 

Conhecido como “celeiro do mundo”, os EUA perderam terreno nesse quesito em função de um conjunto de fatores, entre eles a guerra comercial com a China e a queda no desempenho das safras nos últimos anos.

 

O Brasil, por sua vez, decolou, aproveitando-se das suas condições climáticas e da favorável cotação do produto no mercado internacional.

 

Além do milho, o Brasil é reconhecido como um dos maiores exportadores de arroz e soja. Esses três produtos, juntos, somaram 93,2% da estimativa de produção no país, em 2019.

 

Neste artigo, entenda por que a exportação brasileira do milho ultrapassou a dos EUA e de que forma você pode aproveitar esse bom momento. Uma boa leitura!

 

 

Exportações em baixa nos EUA

 

Como já mencionamos, os produtores dos Estados Unidos têm enfrentado dificuldades no plantio e na exportação de produtos agropecuários, em razão da guerra tarifária com a China e as propriedades do solo e do clima no país.

 

Confira, em detalhes, cada uma dessas questões!

 

 

Guerra comercial

 

A guerra comercial travada entre a China e os Estados Unidos impactou consideravelmente a economia global, beneficiando exportações brasileiras.

 

O impasse entre as duas grandes potências iniciou-se em 2018, quando os EUA anunciaram a aplicação de uma sobretaxa ao alumínio e ao aço importados de diversos países. Uma medida claramente destinada aos chineses, com quem o país tem um considerável déficit comercial, na ordem de centenas de bilhões de dólares.

 

No mesmo mês, diante da política protecionista dos Estados Unidos, a China também anunciou que aplicaria uma tarifa de 25% sobre um montante de US$ 50 bilhões em produtos chineses. Posteriormente, o país afirmou que adotaria tarifas no mesmo valor sobre produtos importados dos agricultores norte-americanos.

 

Em 2018 e no ano seguinte, essa disputa tarifária levou a China a recorrer à exportação de commodities do setor agropecuário de outros países. Um dos principais destinos de recursos chineses foi o Brasil, que se tornou o mais importante fornecedor de soja para a potência. A venda do produto obteve um ganho de 7 bilhões de dólares em relação a 2017.

 

Além do bom ritmo dos embarques nacionais de soja, outros produtos brasileiros (milho, algodão, tabaco, fígado, etc.) também tiveram grande aceitação no mercado chinês. O esperado para 2020 é que haja uma redução na exportação brasileira, devido à trégua firmada entre os dois países em setembro de 2019.

 

Para saber mais sobre o alto desempenho da exportação de produtos agrícolas nacionais, recomendamos a leitura do nosso artigo sobre as previsões para a safra de trigo em 2019/2020.

 

 

Quebra de safras

 

Além da guerra comercial, a diminuição na exportação de milho pelos Estados Unidos também foi afetada pela quebra de safras.

 

O Departamento de Agricultura do país (USDA) revelou, junho de 2019, no seu relatório mensal de estimativas de oferta e demanda agrícola, que atrasos no plantio (decorrentes de fortes chuvas) obrigaram os produtores norte-americanos a reduzirem os seus plantios.

 

O órgão também mostrou que, até o dia 7 de julho, o número de lavouras de soja e milho em boas ou excelentes condições (57%) era bem inferior ao registrado em 2018 (75%). Além disso, 31% estavam em situação regular e 12% em condições ruins.

 

 

Exportações brasileiras em alta

 

No Brasil, ocorreu o oposto, apesar da queda na exportação de soja e arroz em 2019 (3,7% e 12,6%, respectivamente). De acordo com a última estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), tal queda foi compensada pela produção de 100,6 milhões de toneladas de milho e 6,9 milhões de toneladas de algodão.

 

A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas no país chegou a 241,5 milhões de toneladas. Tudo isso em função de um conjunto de fatores: recursos naturais abundantes (luz, água e solo), capacidade climática, novas variedades de produtos (inclusive de milho) e expansão da produção de itens agropecuários para regiões de maior produtividade, como Mato Grosso.

 

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) demonstrou que o boom na produção e exportação de milho, no Brasil, foi impactado não apenas por condições ideais do solo tropical para o plantio, mas também por mudanças geográficas na alimentação do gado e por um aumento considerável da demanda de países asiáticos, como já vimos.

 

A FAO, ainda, coloca como causa do rápido aumento da exportação de milho o apoio governamental direcionado e o câmbio relativamente favorável. Com o enfraquecimento contínuo da moeda nacional, os exportadores brasileiros foram incentivados a expandir os seus mercados e a mantê-los competitivos para além da América Latina.

 

Segundo informações publicadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Avançada do Departamento de Economia da Esalq-USP), em junho do ano passado, as exportações de milho brasileiras alcançaram 173,2 mil toneladas no mercado internacional, só nos 10 primeiros dias úteis do mês. E o preço do produto subiu.

 

A previsão para 2020 é que os preços do milho fiquem estáveis; a produção do grão deve sofrer uma redução de 3%, se comparada a do ano passado. Há a probabilidade de fatores naturais – queimadas, secas e atrasos no plantio – e econômicos, especialmente o aumento de vendas externas em relação ao câmbio favorável, levarem à insuficiência de milho no país.

 

 

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