Mulheres no Agronegócio – Seus Hábitos pessoais podem afetar o sucesso de seu negócio

Saiba identificar o que desencadeia resultados negativos e como evitá-los

 

Nossos rituais definem o sucesso do nosso negócio.
Identificar os rituais que nos empoderam e os que nos enfraquecem é o dever de toda mulher empreendedora, pois são eles que vão nos direcionar para atingirmos o sucesso em nossa vida pessoal e profissional. Tony Robbins, escritor e palestrante motivacional americano, nos mostra, de forma simples, como utilizar nosso foco para ter sucesso. Com uma simples alteração podemos fazer e obter maravilhas.

Mas o que são rituais?

Rituais nada mais são do que sequências de hábitos que fazemos no “modo automático”, sem pensar muito sobre eles. Por exemplo, quando você acorda, deve ter um ritual que faz sem nem pensar. Tony Robbins diz que todos nós temos rituais incorporados quando estamos no ápice de nossas emoções. Por exemplo, antes de ficar triste, uma pessoa pode ter o ritual de focar em algo que não lhe agrada, fechar a cara, olhar para baixo, respirar superficialmente, entre outros.

Existe uma parte em nosso cérebro, chamada SAR (Sistema de Ativação Reticular), que nos faz perceber tudo que está relacionado com nossa visão da vida, buscando e separando informações que são relevantes para você. Então, se você pensar em coisas boas, elas tendem a acontecer, mas, se pensa negativamente, você tende a atrair coisas negativas. Portanto, eleve o seu padrão de pensamento. Elimine a palavra tentar e comece a agir em prol de seu objetivo.

Nosso comportamento e nossas atitudes são o resultado de tais rituais. Quanto mais você pensar em tristeza, mais deprimida você ficará. Nossos padrões de pensamento, literalmente, estruturam nossa vida e moldam nossa história na medida em que são os responsáveis, na maior parte do tempo, pelo que fazemos ou pensamos.

Inicie neste momento um minuto de reflexão e pense:

O que tenho que fazer?

Em que tenho que pensar para que possa me sentir bem?

Qual o meu ritual até chegar a cada um dos meus objetivos?

E quais os gatilhos ou âncoras que dão início a esses rituais?

Se desejo ter mais lucro em meu negócio, quais rituais tenho realizado diariamente?

Meus rituais são de uma pessoa que faz gestão, que administra a parte financeira, que poupa e investe?

Ou em seu ritual não tem nenhum controle sobre seu dinheiro?

Após pensar nessas respostas, você saberá se o seu ritual de vida atual está te levando ou não ao objetivo desejado.

A ideia de Tony Robbins é que tenhamos uma receita, passo a passo, por meio da qual acessamos as emoções positivas e negativas. Assim, quando percebemos que estamos entrando em uma emoção negativa saberemos identificar que estamos iniciando o ritual e poderemos interromper seu processo. Eu, por exemplo, todos os dias, assisto a um vídeo motivacional, pois isso eleva meu pensamento de forma exponencial, também faço uma oração o que me transmite paz e tranquilidade para enfrentar as variáveis do dia.

Os rituais são hábitos. Portanto, para quebrá-los precisamos ser consistentes. Devemos realizar nossas tarefas incorporando nossos novos hábitos de forma sistemática para obter um novo padrão comportamento que eleve os seus padrões e ajude a atingir uma alta performance.

É importante saber que um hábito só é quebrado quando deixamos de fazê-lo e o substituímos por outro de forma definitiva. E essa decisão depende apenas de você! Nossos rituais nos definem diariamente, por isso, pense em quais são suas decisões diárias, quais os resultados que você tem obtido até agora, e reflita se eles são correspondentes ao que você está buscando.

Neste exato momento como você se sente? Está satisfeita com suas realizações? Quer melhorar seus resultados? Mude seu ritual pessoal, mude seu foco e seja mais feliz!

Tathiane Silva é Embaixadora RME, Coach, Empreteca, Eneagramada, Escritora, Palestrante, Conselheira CMEE, Coordenadora MDBrasil, Fundadora da Empresa ADAPTH, Capacitada em Neurospicopedagogia e Granduanda em Gestão de Agronegócios.

 

 

AgroMulher

Da mãe empregada

Por Andréa Luzia de Faria Oliveira

De todos os contextos em que a mulher pode estar inserida, o mais representativo e que retrata melhor a sua essência é o de MÃE. Por mais moderna que ela seja, em sua maioria há o desejo latente de ser MÃE, nem que seja mãe de um bebê de 4 patas, mas o instinto maternal aflora em algum momento de sua vida.

De algumas décadas para cá, a mulher deixou de desempenhar apenas os papéis de mãe e dona de casa e passou a desenvolver o papel de profissional. Com isso, a mulher do século XXI desempenha muitos papéis, gerindo de forma impressionante as horas do seu dia para conseguir cumprir todas as tarefas, inclusive àquelas relacionadas à beleza e aos cuidados com a saúde e com seu companheiro(a).

Apesar do mercado profissional estar mais receptivo para as mulheres e de vermos exemplos de mulheres em cargos bastante representativos, nós mulheres ainda enfrentamos muitas barreiras e preconceitos para desenvolvermos nossas profissões.

A resistência não está só no contratante ou no superior hierárquico, mas também no colega de profissão ou naquele subordinado a você. E no meio rural, isso é gritante! Não era para menos, um ambiente que sempre foi conduzido por homens e que exige força física?! Mas esse tempo está ficando para trás. Sem contar os novos cargos que são necessários nas fazendas empresas, como por exemplo no setor de recursos humanos.

Pela FAO – Organização das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura, de 100 agricultores no Brasil, 13 são mulheres. A mulher agricultora, enfrenta todas as dificuldades citadas acima, além da resistência familiar quando se interessa pelo próprio negócio.

Dificuldades profissionais, dificuldades na criação dos filhos, no relacionamento amoroso, além de toda a dificuldade criada pelo ciclo hormonal (só quem é mulher sabe disso…rs), não nos deixa desanimar. Somos determinadas e insistentes, enquanto não alcançamos nossos objetivos não sossegamos. Essa é a natureza feminina!

Nesse contexto, a mãe empregada tem sua proteção na CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, que vai dos artigos 391 a 400, cuja reforma trabalhista, Lei n. 13.509/2017, trouxe impactos significativos.

A lei começa dizendo que não é motivo para que seja rescindido o contrato de trabalho pelo fato da empregada ter engravidado, pelo contrário, a grávida tem estabilidade provisória mesmo se ficou grávida durante o aviso prévio. Tal garantia se estende no caso de adoção.

A mãe empregada tem direito à licença-maternidade de 120 dias, bem como se afastar do emprego, mediante atestado médico, que poderá ocorrer entre o 28º dia antes do parto e ocorrência deste.

Durante a gravidez, a empregada deve ser transferida de função, se a sua condição de saúde exigir.

Deve ser dispensada do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de no mínimo 6 consultas médicas e exames complementares.

A mãe empregada, mediante atestado médico, pode romper o compromisso resultante de qualquer contrato de trabalho se este for prejudicial à gestação.

A gestante será afastada de qualquer atividade insalubre, devendo exercer sua atividade em local salubre, enquanto durar a gestação. Se for em grau médio ou mínimo, somente será permitido seu trabalho, se ela apresentar atestado de saúde, que autorize sua permanência no exercício de suas atividades. Se lactante, será afastada em qualquer grau, quando apresentar atestado de saúde médico que recomende seu afastamento durante a lactação.

No caso de aborto não criminoso, a mãe empregada tem direito a repouso remunerado de 2 semanas.

E tem direito durante a jornada de trabalho, a 2 descansos de meia hora cada um para amamentar seu filho, até que este complete 6 meses de idade. Durante este período, os locais para a guarda dos filhos das empregadas, deverão possuir, no mínimo, um berçário, uma saleta de amamentação, uma cozinha dietética e uma instalação sanitária.

Se informação é poder, nada mais importante que empregadoras e empregadas conheçam seus direitos e obrigações!

Um grande abraço!

 

Andréa é advogada, inscrita na OAB/MG n. 81.473. Sócia do escritório Andréa Oliveira Sociedade Individual de Advocacia – especializada em Agronegócio. Fundadora do Blog Mas – Mulheres Agricultoras de Sucesso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AgroMulher

Bruna Brandini: A Aquaponia como alternativa sustentável.

Por Murilo Caldeira

A entrevistada de hoje, Bruna Brandini, é bacharel em Gestão Ambiental e
Engenharia Ambiental pela Universidade da Cidade de São Paulo (UNICID).
Mestranda em Cidades Inteligentes e Sustentáveis pela Universidade Nove de Julho
(UNINOVE) com linha de pesquisa na área de Construções Sustentáveis.
Engenheira Ambiental na empresa Pegada + Leve Processos, onde atua na
elaboração de projetos sustentáveis e é especialista em aquaponia e hidroponia.

Na foto acima, Bruna estava a realizar o curso de Introdução à Aquaponia, pela
ONG Reciclázaro (http://www.reciclazaro.org.br/).

Por que você decidiu trabalhar com gestão ambiental e, posteriormente,
engenharia ambiental? E como você acabou se interessando pela aquaponia?

Sempre tive uma conexão muito forte com o meio ambiente, acho que pelo incentivo
que sempre tive de meus pais em preservar as florestas e os recursos naturais, e
também sempre quis fazer algo de bom pelo mundo, pelas pessoas. Durante as
pesquisas sobre á área de meio ambiente, encontrei em ambas as profissões o
conceito “triple bottom line” e isso acabou me incentivando ainda mais a trabalhar na
área. Atualmente direciono meus trabalhos exclusivamente a estes três pilares: o
social, o ambiental e o econômico, por meio de projetos ligados principalmente ao                                                      direito à alimentação saudável e ao acesso ao tratamento de esgoto, que são
problemas atuais e que se não feito algo agora, tendem a piorar.
A aquaponia sugiu em minha vida em 2015, em uma conversa com um amigo
biólogo, Adriano Guedes. Ele já tinha um sistema de aquaponia residencial e assim
que conheci o processo já iniciei o meu próprio sistema, imaginando como uma
parte difícil da minha vida poderia ter sido diferente se eu tivesse um sistema
econômico que me fornecesse alimento mesmo que esporadicamente. Logo já iniciei
pesquisas para tentar ajudar as pessoas de baixa renda a terem acesso à alimento
de qualidade.

 

 

Produção do sistema residencial.

 

Tilápia do sistema de aquaponia.

 

Na graduação, lhe foram apresentados os temas com os quais você trabalha
atualmente, como a aquaponia e a hidroponia?

Na graduação obtive um panorama sobre assuntos ligados com o meio ambiente, já
que há uma infinidade de temas que podem ser discutidos e melhorados. No
entanto, como dito anteriormente, meu coração está ligado a problemas sociais,
portanto optei por direcionar minhas pesquisas ao tratamento de esgoto e
posteriormente conheci a aquaponia e a hidroponia, mas gostaria que estes temas
fossem abordados em salas de aula, pois por muitas vezes, como estudante, não
conseguimos enxergar de maneira prática o que estamos estudando e com esses
métodos e ferramentas é possível entender problemas relacionados à
sustentabilidade, química, geologia, entre outras áreas.

Primeiro sistema de aquaponia construído.

 

O que é a aquaponia? Qual a contribuição dela para com a sustentabilidade?
As pessoas e os produtores vêm aderindo a essa técnica?

A aquaponia é um método de cultivo que integra a Piscicultura e a Hidroponia. Neste
sistema os dejetos dos peixes são transformados por meio de processos biológicos,
em nutrientes para hortaliças e plantas, onde o processo de crescimento é mais
rápido e utiliza até 80% menos água se comparado com o cultivo tradicional (no
solo). Este método pode ser implantando em diversos espaços e até parcialmente
suspensos em paredes, a única perda de água que existe é por meio da
evaporação. Portanto, além da produção ser orgânica, ele economiza água, não
gera resíduo e devido a sua implantação ser possível em diversos espaços pode                                                              diminuir o espaço entre o consumidor e o alimento podendo ser considerado crucial
para o futuro da sustentabilidade em cidades inteligentes.
Atualmente o método é pouco utilizado, mas já houve um grande avanço nos últimos
anos devido principalmente ao fácil acesso a informação por meio da internet e de
redes de comunicação.

Você percebe a predominância de homens em algum setor com o qual você
trabalha ou já trabalhou?

Só não vi a predominância de homens realizando os serviços domésticos, nos
demais, eles ainda são maioria. Particularmente acho que nós, mulheres,
precisamos trabalhar o triplo que os homens para sermos reconhecidas da mesma
maneira ou receber a mesma remuneração, isso se referindo a ambos os gêneros
em um mesmo cargo.

O que lhe motiva a trabalhar nessa área?

Os projetos que realizo são responsáveis pelo meu sustento. Infelizmente, ainda não
tenho a capacidade de realizar serviços não remunerados, mas todos eles são
reconhecidos e muitas vezes multiplicados em vários lugares e isso faz com que
meu trabalho não seja realizado somente pela remuneração, mas também realizado
pelo mundo, pelo próximo, e não existe nada mais motivador que isso.

Projeto social que deverá ser implantado na zona leste de São Paulo, entre março e abril. Bruna ainda busca financiadores para o projeto.

 

O que você aconselharia às mulheres que estão ingressando nesse novo
mercado?

Devido o aumento na procura de projetos relacionados à sustentabilidade, houve um
crescimento no ramo de fazendas urbanas, e como a aquaponia é um sistema de
cultivo que pode ser considerado um dos mais sustentáveis entre os demais, o
interesse por ele vem aumentando gradativamente. Mas para quem pretende
ingressar nessa área é preciso ter muita paciência e se programar financeiramente,
pois o retorno financeiro é tardio, apesar de ser um trabalho muito prazeroso de
executar, além de possuir infinitas oportunidades de pesquisa.

Você tem algo que gostaria de acrescentar?

Gostaria de deixar um recado para as pessoas que se formaram recentemente como
engenheiros ambientais:
Infelizmente a nossa profissão não é tão valorizada como nos disseram ao
iniciarmos o curso de graduação. Como muitos devem ter escutado, essa seria a
“profissão do futuro”, mas todas as profissões tendem a sofrer alterações com o
decorrer do tempo. Um dia, espero que não muito tarde, este futuro chegará. Até lá,
reinvente-se, estude, pesquise e se prepare para ele. Indico também a pesquisa por
patentes, há muitas ideias boas esperando para serem utilizadas no meio ambiente
e no meio social.

 

As mulheres do Agronegócio e os desafios para se conquistar respeito e admiração no setor.

Mulheres do Agronegócio

Por Mariely Biff

Muito tem se falado sobre a crescente participação da mulher nos cargos de gestão das propriedades e empresas que atuam no agronegócio.

É fato que ao longo dos anos, as mulheres estão cada vez mais participativas, antenadas e dispostas a contribuir para funções que antes eram, na maioria, executadas pelos homens.

Gosto sempre de deixar bem claro que sou a favor do profissional que se dedica e que realmente se encontre na missão de colaborar com a empresa, com a propriedade e com a sociedade, independente de gênero. Existe lugar no mercado para profissionais que se destacam, homens ou mulheres, jovens ou mais experientes. Se o profissional é bom, o mercado irá absorvê-lo.

Mas também vale ressaltar que a mulher lutou arduamente para chegar até aqui. Talvez muitas que estão lendo este texto, se identifiquem em algum momento. Para demonstrar sua capacidade, a mulher estudou muito, leu muito, teve jornadas duplas entre a vida pessoal (família, filhos) e profissional, e aprendeu a se defender e a se posicionar em um mercado tão agressivo como o Agronegócio. Me refiro à agressividade, porque as coisas acontecem dentro dele de maneira muito rápida. Os negócios giram de maneira diferente e é preciso muita organização, conhecimento e compreensão do ambiente para estar concorrendo de igual para igual.

Sobre os desafios para conquistar o respeito e admiração no campo profissional, costumo dizer que nossos resultados são os melhores cartões de visitas que podemos apresentar. Mostre porque você está inserida neste mercado através da qualidade do seu trabalho, sempre mantendo o foco e produzindo – independente da área – com amor e dedicação. Não existem argumentos contra um trabalho bem feito!

E há sim um novo modelo de gestão: as mulheres têm sensibilidade, são humanas em suas decisões e por isso tem revolucionado as propriedades e empresas nas quais estão inseridas. Mas não podemos desmerecer tantos homens que lutam e contribuem para a expansão do conhecimento, são solidários, e conseguem enxergar que juntos, cada um respeitando seu espaço e suas particularidades, e trocando valiosas experiências, podemos crescer muito mais e construir negócios e empresas sólidas e mais humanas.

 

AgroMulher

 

MF Rural e AgroMulher realizam Semana Digital Mulheres do Agro 2018

Mulheres do Agronegócio

 

O Site MF Rural, em parceria com o Portal AgroMulher, realizará entre os dias 04 a 08 março a Semana Digital Mulheres do Agronegócio, com o objetivo de refletir e valorizar a presença da mulher em todos os âmbitos e segmentos da agricultura e pecuária nacional.

Hoje a participação das mulheres de maneira ativa nas diferentes ocupações da sociedade integra uma realidade cada vez mais crescente. No agronegócio não é diferente. Atuam na gestão de empreendimentos agropecuários, na produção de insumos e nas práticas de produção.

O evento digital trará entrevistas com mulheres engajadas no segmento, histórias inspiradoras e matérias exclusivas. Vale a pena conferir.

Veja mais informações no Blog MF Rural, acesse http://blog.mfrural.com.br/

 

Pecuária no Brasil: mesmo com crise, setor permanece estratégico e fonte de bons negócios

A pecuária brasileira é quase tão antiga quanto o próprio país. As tecnologias favoreceram o aumento da produtividade, tornando o setor estratégico para a economia nacional.

A produção pecuária no Brasil começou em pleno século XVI, logo após a chegada dos portugueses. A região Nordeste foi a que recebeu as primeiras cabeças de gado, vindas da ilha de Cabo Verde.

Com o tempo, a indústria cresceu, e passou a demandar mais espaço para a criação de gado. Consequentemente, os criadores começaram a desbravar o interior do país, favorecendo seu povoamento e consequente desenvolvimento.

Se, no passado, a pecuária foi crítica para a formação do Brasil como conhecemos, hoje ela é referência mundial em produtividade, rentabilidade e qualidade dos produtos. Assim, o setor é altamente estratégico para a economia nacional.

Qual a importância econômica da pecuária no Brasil?

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), em 2015 o PIB do agronegócio nacional foi de R$ 1,26 trilhão. A pecuária foi responsável por R$400,7 bilhões deste total, praticamente um terço.

Ou seja: mesmo em plena crise, o setor foi uma importante fonte de riqueza e de movimentação para a economia nacional.

Ainda de acordo com a ABIEC, em todo o Brasil há mais de 167 milhões de hectares de pasto dedicados à pecuária. Isto gerou quase 40 milhões de abates, que, por sua vez, gerou a exportação de 1,88 milhão de toneladas de carcaças animais.

Estas cifras não são os únicos números impressionantes relativos ao setor: soma-se a isso o fato de que a produtividade da pecuária brasileira cresceu 4% ao ano entre 1975 e 2014, conforme o Departamento de Estudos Econômicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O setor abastece diversas indústrias. A carne é aproveitada pela indústria alimentícia, assim como o leite. O couro vai para o setor têxtil. Ossos são usados até mesmo para confeccionar botões. Se você pensa em investir neste segmento, não faltam boas oportunidades de negócio!

Quais são as regiões líderes em pecuária no Brasil?

No quesito cabeças de gado abatidas, os estados mais importantes para a pecuária no Brasil são Mato Grosso (1,116 milhão de animais abatidos), Mato Grosso do Sul (845,9 mil) e Goiás (746,3 mil), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isto faz do Centro-Oeste a região com o maior rebanho de gado do país.

Por mais que este tipo de criação geralmente seja o principal fator de avaliação da indústria, um olhar mais próximo que cada região se especializa em um tipo de criação diferente.

Por exemplo: ainda conforme o IBGE, o Nordeste reúne praticamente toda a criação de caprinos, que são quase inexistentes nas demais regiões. Suínos e galináceos estão concentrados no Sul, enquanto o Sudeste é líder disparado na criação de codornas.

pecuaria no brasil

Qual é o principal produto da pecuária no Brasil?

Por mais que a pecuária no Brasil seja bastante diversificada e haja a presença de diversos animais em todo o território nacional, é indiscutível que a criação de gado bovino de corte é o carro-chefe desta indústria.

Ano após ano, a presença dos bois cresce nos pastos do país. Em 2015, o IBGE apontava a existência de 212,3 milhões de cabeças deste gado em todo o Brasil. Em 2016, o número de cabeças saltou para 218,23 milhões, mesmo com a queda de 3,6% no PIB naquele ano.

No primeiro trimestre de 2017, o MAPA apontou o abate de mais de 7 milhões de cabeças, com um peso médio de 242,8 kg por carcaça, frente a 249,8 kg no período anterior. Como veremos mais adiante, isto representa um dos principais desafios da pecuária no Brasil: a produtividade.

Qual é a tendência para a pecuária no Brasil?

Especialistas apontam a produtividade como um dos fatores mais críticos para o agronegócio brasileiro. Felizmente, há cada vez mais tecnologias que ajudam os fazendeiros a superar este desafio.

A engenharia genética é um dos campos mais promissores. Por mais que ela ainda dê os primeiros passos, a técnica usa a manipulação de genes para criar animais mais fortes, resistentes e que produzem carne de melhor qualidade.

Do mesmo modo, os fazendeiros têm se conscientizado cada vez mais da importância de reduzir a estrutura física das fazendas, aumentando a produtividade por área. Os criadores têm conquistado resultados palpáveis nesta área:  de acordo com a Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo, em 2003 havia 100 vacas a cada 250 hectares. Em 2016, a taxa passou para 140 animais a cada 250 hectares.

Por fim, especialistas apontam que racionalizar os custos é fundamental para manter-se competitivo. Entretanto, isto não significa investir menos, mas investir melhor, escolhendo os melhores insumos, como rações e medicamentos, para fornecer aos animais. Eles devem ser adquiridos de fornecedores de confiança para assegurar a qualidade dos produtos e a rentabilidade da criação.

 

Produção de cogumelos cresce cada vez mais no Brasil

A cultura de cogumelos tem crescido com força no país e atraído muitos produtores, e agora você vai entender como e por quê

A ideia de que a cultura de cogumelos não tem espaço no Brasil e que seu consumo é restrito entre os brasileiros já está ficando para trás. Com excelentes benefícios para a saúde e a simplificação do processo de cultivo de cogumelos isso vem mudando a realidade conhecida até então.

A cadeia de produção hoje é bem segmentada e já é possível encontrar produtores de sementes, do composto inoculado, cultivadores e distribuidores. Toda essa expansão e novos adeptos possibilitam um cultivo em larga escala, desenvolvendo o mercado.

Isto reflete no consumidor. Antes presente apenas em pratos mais sofisticados, hoje o cogumelo já é amplamente utilizado e explorado na culinária e tem aparecido bastante como recheio de pratos populares, como pizzas, sanduíches e mesmo salgados.

Quer entender um pouco mais sobre a cultura de cogumelos e como ela tem crescido tanto? Confira a seguir.

Cogumelo In natura

A produção de cogumelos em conserva costuma ser mais fácil tanto de cultivar quanto de distribuir. No entanto, a opção in natura tem se desenvolvido mais fortemente por ser mais lucrativa, ecológica e saudável. Neste caso, ainda se economiza pois não há gastos com cozimento e conservantes. Em contrapartida há apenas o prazo de validade, pois os cogumelos in natura são mais perecíveis do que os cogumelos em conserva.

Estrutura para o cultivo de cogumelos

A cultura de cogumelos pode ser realizada em estruturas bem simples, até mesmo rústicas ou ainda com alta tecnologia. A escolha é do produtor. A ampla maioria dos fungicultores, inclusive, são de pequeno e médio porte.

O estilo da estrutura empregada também condiz com a postura desse produtor, como o galpão ou o sistema de refrigeração, por exemplo. Caso a escolha seja pela produção de sementes, é preciso investir em conhecimento técnico e infraestrutura especializada. As câmaras devem ser projetadas com isolamento térmico e em alvenaria. O pé direito também tem especificações, como mínimo de três metros, largura de aproximadamente seis metros e cumprimento de cerca de 20 metros. Já se a opção for pelo composto, é necessário dispor de um espaço físico cujo tamanho dependerá da sua expectativa de colheita. Quanto mais cogumelos, maior o espaço para cultivá-los.

Ao entrar para a produção da cultura de cogumelos é preciso estar ciente ainda de que cada tipo apresentará necessidades específicas. De maneira geral, um clima ameno com muita umidade é ideal, bem como uma temperatura entre 10 e 25 ºC.

produção de cogumelos

Escolha seu tipo de cogumelo

Outra vantagem da cultura é de que você pode escolher o tipo do cogumelo conforme as condições de produção que você deseja ou pode oferecer. Por exemplo, o champignon é cultivado em uma palhada pré-compostada e coberta por uma camada de terra. Sua refrigeração costuma ser entre 15 e 18 ºC em um ambiente com ausência de iluminação.

Outro tipo, o shiitake, já necessita de blocos de serragem com certa tecnologia especializada. Pode ser cultivado ainda em toras com alguns furos, onde o fundo é inoculado. Ali, após pelo menos seis meses de incubação, deverá receber um estímulo que chama choque híbrido.

Ainda é possível investir na cultura do shimeji. Este tipo de cogumelo brota em pequenos buquês e deve ser produzido também em uma palhada pasteurizada ou esterilizada.

É preciso, também, ter alguns cuidados. Higiene e muita atenção por parte do fungicultor são essenciais, já que estes fungos, durante o cultivo, podem ser parasitados por outros fungos. Estes são os maiores contaminantes no processo de cultivo dos cogumelos. Os principais são: Chaetomium olivaceum, Trichoderma sp., Scopulariopsis fimicola, Doratomyces sp., Papulospora byssina, Alternaria sp., Aspergillus spp., Penicillium sp., Sporotrichum sp., Geotrichum sp., Phymatorichum sp. e Paecilomyces sp.

O ciclo de produção do cogumelo

O período do ciclo de cultivo também varia bastante conforme o tipo de cogumelo escolhido para ser produzido. De forma geral, pode durar entre 45 e 180 dias. Ao escolher o champignon e o shimeji, o ciclo deverá ser de, mais ou menos, três meses. Já o shiitake, dependendo o estilo de cultivo, poderá variar entre 120 e 180 dias.

Por fim, a colheita dos cogumelos

Na maioria dos casos, a colheita de cogumelos é feita manualmente. É uma fase delicada, pois as estruturas não devem ser destruídas. Com cuidado, pode-se retirar os traços do composto e acomodado em caixas.

Os cogumelos, após a colheita, necessitam também de refrigeração. Na sequência serão embalados e estocados em câmaras frigoríficas. O rendimento desta colheita também irá variar conforme o tipo escolhido para cultivo. O champignon pode gerar até três fluxos, já os outros, normalmente, rendem uma colheita única.

O mercado

Como o mercado está em expansão, há casos de maior procura do que oferta. Muitas vezes o Brasil acaba investindo em importação, porque o cultivo de cogumelos interno não é suficiente. Assim, investir neste cultura pode ser uma grande chance de crescimento e rendimento bastante lucrativo.

No último ano, 10 mil toneladas de cogumelos foram importadas de Paris e da China.

Logo, estudar esta nova cultura e passar a produzi-la mostra-se uma alternativa deveras interessante para quem está buscando o desafio de explorar uma maior fatia do mercado do agronegócio brasileiro. Mesmo uma produção em pequena escala já pode render bons frutos, pois há compradores diretos como restaurantes e mercados de médio e grande porte.

Nutrição animal: quais melhores alimentos para bovinos de corte?

Bovinos de corte tem maior crescimento, ganho de peso e rentabilidade com uma nutrição a base de alimentos ricos em vitaminas e minerais

Maior produtividade na pecuária já não pode mais ser considerada um diferencial, mas sim imprescindível para criação de gado de corte. Uma boa nutrição é essencial para a vida de um gado saudável com ganho de peso regular. Para o rebanho ter um bom aproveitamento de nutrientes, é fundamental que o produtor conheça as categorias de alimentos que compõem a dieta dos bovinos de corte.

Para que o gado se mantenha vivo, com saúde, produzindo mais e gerando maior rentabilidade, é importante que os pecuaristas conheçam os pilares da nutrição animal. Afinal, são os alimentos certos para nutrição dos bovinos que vão oferecer os nutrientes necessários de acordo com as suas características nutricionais. O ganho de peso e o crescimento do gado também está diretamente relacionado à alimentação.

A alimentação do rebanho deve levar em conta certas questões fundamentais, como as necessidades nutricionais de cada animal, velocidade de peso desejada, viabilidade econômica e disponibilidade de alimentos (de acordo com a sazonalidade e localização regional). Outro ponto importante são as classificações dos nutrientes e as categorias dos alimentos que fazem parte da dieta dos bovinos de corte.

gado de corte

Nutrição do gado de corte

O desenvolvimento e a reprodução do bovino de corte, bem como todo o seu potencial genético, são gerados a partir da nutrição. Em diferentes quantidades e combinações, a dieta deve ser balanceada com elementos como proteínas, gordura, açúcares, cálcio, minerais, água e vitaminas, essenciais para o desempenho das atividades vitais dos animais.

É essencial que os produtores conheçam a classificação dos nutrientes e as categorias dos alimentos que compõem a dieta dos bovinos de corte para o bom aproveitamento nutricional dessa alimentação. Esses elementos podem ser divididos em duas categorias: matéria seca e água.

A primeira contém o valor nutritivo e é composta por matéria orgânica e mineral, com lipídios e carboidratos que fornecem energia, além de vitaminas e proteínas. Já o macro e microelementos podem ser encontrados na categoria mineral. Todos estão presentes nos principais alimentos, volumosos ou concentrados, oferecidos aos bovinos de corte.

Principais alimentos para bovinos

Alimentos volumosos são considerados aqueles que contêm alto teor de fibra bruta, mais de 18%, Com baixo valor energético, eles correspondem à soma de todos os nutrientes digestíveis (exceto vitaminas e cinzas dos alimentos). Essa categoria inclui pastagens, forrageiras para corte, selagens, restos  culturais, cascas, sabugos e resíduos de agroindústrias.

Com menos de 18% de fibra bruta, os alimentos concentrados têm alto teor energético, com maior concentração de nutrientes do que os volumosos e são divididos em energéticos e proteicos. Os energéticos, com menos de 20% de proteína pura, podem ser representados essencialmente pelos grãos de cereais, como milho, trigo, arroz, sorgo; e seus derivados, raízes, tubérculos (batata, mandioca etc), bem como os óleos de origem vegetal ou animal e gorduras.

Há ainda os proteicos, que podem ser de origem vegetal, como as oleaginosas (amendoim, algodão, soja), ou de origem animal, com farinha de carne, pena, sangue, sem gorduras e ossos, bem como farelos, excremento de aves, biossintéticos, entre outros. O concentrado energético mais usado em todo o País para a nutrição animal é o grão de milho triturado.

Culturalmente tradicional e presente nas principais regiões de criação, o grão tem valor nutritivo de qualidade, oferecendo energia com 8,5 de proteína bruta e 0,25% de fósforo. Já a fonte de proteína de melhor qualidade para a alimentação animal, principalmente, de bovinos de corte, é a soja: ela oferece alto teor energético (pois é composta por grandes quantidades de óleo), vitamina D, pouca carotena e baixo teor de cálcio e de fibra. Isso é ainda mais importante considerando que o país continua sendo um dos maiores produtores de soja do mundo.

Suplementação de pastagens para gado de corte

Principal fonte de alimentos para ruminantes no Brasil, a pastagem é favorecida pelo nosso clima tropical, que ajuda no desenvolvimento das forrageiras. Há pelo menos duas estações definidas, que alteram os níveis de qualidade da forragem e crescimento: a de crescimento intenso, com qualidade indicada; e a de baixo crescimento, ou até mesmo nulo, considerada inadequada para o desempenho dos animais.

A época de baixo crescimento é marcada por forragens pobres em proteína, com oferta menor nos pastos e teores maiores de fibras. Isso faz com que os sistemas de produção anualmente baseados somente em pastagens sejam afetados por perda de peso ou pouco ganho de peso. Por isso, a importância de suplementar os animais na época da seca por conta da redução do crescimento das forrageiras e seu baixo teor nutritivo.

Esse tipo de alimentação tem como objetivo fornecer suplementos minerais, proteínas e muita energia aos bovinos de corte. No período da estiagem, tais nutrientes são considerados os pilares da suplementação animal. Confinados ou semi-confinados, os bovinos devem receber alimentos concentrados e volumosos conservados. Durante a escolha da suplementação, é necessário considerar sua disponibilidade, praticidade, necessidades nutricionais do gado e a economia local.

Como vemos, uma nutrição animal adequada é fundamental para o gado de corte alcançar uma produtividade que atenda tanto aos anseios do pecuarista quanto dos frigoríficos, trazendo um melhor resultado financeiro para toda a cadeia.

Agricultura na região Sudeste: zona tem papel importante no agronegócio nacional

A agricultura da região sudeste é muito importante para a economia local, mesmo com o peso da indústria. Cana de açúcar é a principal cultura.

A região sudeste é a que mais contribui com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Juntos, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo são responsáveis por mais da metade de toda a riqueza produzida pelo Brasil.

A economia paulista é a que mais se destaca. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas o estado de São Paulo contribui com mais de 30% do PIB Brasileiro, sendo que sua capital, por si só, produz 10% de toda a riqueza nacional. A diferença com o segundo colocado, o Rio de Janeiro, é grande: os fluminenses movimentam 11,6% da economia do país.

Por mais que boa parte desta riqueza seja devido às indústrias (São Paulo é o maior parque industrial da América Latina), a agricultura da região sudeste também é estratégica para a zona, gerando empregos e movimentando a economia a nível local e nacional.

cana-de-acucar

A importância da agricultura e da pecuária para a região sudeste

A agropecuária sempre foi um fator externo muito importante para o desenvolvimento da região sudeste. Historiadores apontam a cafeicultura como a grande responsável pela intensa industrialização local, principalmente em São Paulo.

O setor também foi responsável pelo poder político que estes estados tiveram historicamente. Durante a República Velha, presidentes mineiros e paulistas se alternavam no poder, o que ficou conhecido como Política do café-com-leite, o primeiro especialidade de São Paulo e, o segundo, de Minas Gerais.

Apesar de os tempos terem mudado, a agricultura e a pecuária continuam sendo estratégicas para a região sudeste. Ainda de acordo com o IBGE, ela possui quase 900 mil propriedades rurais agropecuárias, familiares e não familiares. Destas, pouco mais de 227 mil estão em São Paulo.

Os principais produtos da agricultura na região sudeste

O sudeste foi o berço da cafeicultura no Brasil – tanto que, até meados do século XX, o estado de São Paulo era um dos principais produtores de café do mundo.

Entretanto, o crash da bolsa em 1929 e a diminuição do consumo do produto nos Estados Unidos fez prejudicou a o plantio. Hoje, há cultivos mais estratégicos, como:

Cana de açúcar

O estado de São Paulo é o principal na produção de cana de açúcar do Brasil. Os agricultores paulistas têm uma área plantada de 5,6 milhões de hectares – 55% do total nacional -, que produzem mais de 440 milhões de toneladas e geram R$ 27,6 bilhões de reais, de acordo com o IBGE.

O cultivo da cana está intimamente ligado à produção de etanol: só em São Paulo, há mais de 120 usinas. Assim, que investe nesta cultura tem destino praticamente certo para a produção.

Laranja

No caso da laranja, novamente, o estado de São Paulo é o principal responsável pela liderança regional. Junto com o Triângulo Mineiro, a região foi responsável pela produção de 245,3 milhões de caixas de 40,8 kg na safra 2016/2017 e a estimativa para a safra deste ano é de 364,47 milhões de caixas. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) só o estado de São paulo é responsável por 28% do suprimento mundial da fruta.

Novamente, a produção abastece a indústria – neste caso, a alimentícia. De todo o suco de laranja produzido, 95% é para consumo externo. Uma pequena parte da produção da laranja em si também é exportada, principalmente para a Flórida.

laranja

Leite

Produto histórico do sudeste, o leite continua sendo importante, mesmo tendo deixado de ser a cultura principal da região: entre os 200 municípios brasileiros com o maior volume de produção, 38 (64%) estão no sudeste.

Eucalipto

Uma cultura que não costuma ser lembrada, mas também é relevante, é o eucalipto. Trata-se de um produto em ascensão, principalmente no Espírito Santo: o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) estima que haja mais de 250 mil hectares do plantio no estado. Isto acontece tanto devido aos incentivos estatais e privados quanto ao retorno financeiro: o eucalipto pode render 20% mais do que a seringueira.

Quem pretende investir no cultivo em território capixaba recebe auxílio técnico do próprio Incaper. O motivo é a alta demanda: a produção atual supre apenas metade da necessidade da indústria.

A importância do agronegócio do sudeste para a economia local e nacional

Por mais impressionantes que as cifras sejam, não são só as vendas dos produtos agrícolas que movimentam a economia do sudeste e do restante do Brasil: este setor acaba movimentando muitos outros ao longo de sua cadeia produtiva.

A região se destaca por ter uma agricultura extremamente desenvolvida. Os empreendedores do agronegócio costumam investir no uso de máquinas agrícolas de última geração, defensivos agrícolas de ponta e fertilizantes potentes, de modo a tornar a lavoura mais produtiva. Consequentemente, muitas outras indústrias se beneficiam do crescimento do setor, como a mecânica e a química.

Seja na região Sudeste seja em todo país, o agronegócio brasileiro vem traçando um rumo de crescimento e se tornando, dessa forma, uma das molas propulsoras da economia nacional.

O que esperar do agronegócio em 2018? Perspectivas e tendências do setor

Em 2018, o agronegócio poderá ser influenciado pela produção de soja para o biocombustível

Todo começo de ano chega trazendo expectativas para os mais diversos segmentos. Com o agronegócio, não é diferente: quais serão os fatores que devem afetar a vida dos produtores rurais em 2018? A agenda brasileira será ainda mais cheia em um ano que contará com eleições presidenciais, Copa do Mundo e o setor político ainda mais movimentado.

Com as tentativas de aprovação da Reforma da Previdência, o mercado rural deverá notar uma cautela ainda maior por parte dos investidores, principalmente com a renovação política e as surpresas que os candidatos poderão apresentar durante as eleições. No setor econômico, o crescimento do agronegócio tem movimentado o mercado e atraído investidores, com perspectivas positivas para 2018.

Assim como a brasileira, a economia mundial segue com boas expectativas. A troca de presidentes do Federal Reserve (FED), banco central americano, terá Jerome Powell em destaque no lugar de Janet Yellen, cujo mandato termina em fevereiro de 2018. A chegada de Powell promete beneficiar o agronegócio, já que ele é visto como um centrista que deverá manter os estímulos para agitar a economia dos Estados Unidos, com mais abertura à agenda de desregulação de Donald Trump.

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Soja, grãos e infraestrutura: perspectivas agro para 2018

As oscilações no valor total bruto das produções de grãos deverão se manter entre R$ 530 e 550 bilhões. Depois de uma recuperação em 8%, após uma queda de 25% em 2017, as cotações das commodities agrícolas deverão permanecer estáveis mesmo com a altas produções nos Estados Unidos. O Brasil e a Argentina devem seguir em alta em 2018.

Já a soja será afetada pela aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do aumento das misturas de biodiesel ao diesel de petróleo em 10%. A medida, que entrará em vigor a partir de março de 2018, traz a expectativa de um aumento de produção de biodiesel que irá saltar dos atuais 4,2 bilhões de litros para 5,3 bilhões. Por conta disso, a soja destinada para a produção de biocombustível deverá aumentar no Brasil.

Consequentemente, o esmagamento da soja também irá crescer. O aumento deverá contribuir para um balanço de oferta e demanda acelerada do grão, que será sentido nos preços da soja. Se o destino da soja segue previsto, o mesmo não pode ser dito da infraestrutura do agronegócio: em ano eleitoral, fica difícil saber o que irá se concretizar e o que não passará da promessa. A economia brasileira comandada por Henrique Meirelles afasta o investimento público e pode favorecer as atividades rentistas no lugar das produtivas.

As inovações tecnológicas para o mercado agrícola em 2018 deverão ajudar na redução das aplicações de agroquímicos, diminuindo a dependência de energia derivada de combustíveis fósseis. No cenário mundial, a utilização de resíduos orgânicos, ambientalmente adequados e de baixo custo deverão seguir em alta neste ano.

Outro ponto que merece a atenção redobrada dos produtores rurais em 2018 serão as condições climáticas, já que a incerteza com a formação ou não de mais um La Niña e seus possíveis efeitos deverá movimentar o mercado. Essa incerteza irá agitar o setor agrícola até a consolidação das primeiras safras do ano, e o mesmo deverá ocorrer com a Argentina.

Venda de máquinas agrícolas em 2018: expectativas altas

Após fechar 2017 com uma comercialização no mercado interno que atingiu 44,3 mil unidades, as vendas de máquinas agrícolas seguem com boas perspectivas no ano que acabou de começar. As exportações também fecharam 2017 em alta: foram US$ 3,017 bilhões, com um avanço de 69,7% em comparação com 2016.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de máquinas agrícolas e rodoviárias chegou a 54,9 mil unidades no ano passado, com um aumento de 1,8% ante o desempenho anterior. As exportações de máquinas agrícolas também cresceram, totalizando 14 mil unidades, com alta de 46,9%.

Só em dezembro, 1,3 mil máquinas foram exportadas, com uma expansão de 39,1% em relação ao mesmo mês do penúltimo ano. A expectativa para os próximos meses, de acordo com a Anfavea, é que o setor cresça 10% na produção de máquinas, com alta de 43,7% nas vendas internas e crescimento de 34,5% nas exportações. Vem coisa boa em 2018!