Juliano Machado: conectando o agro com a estratégia global da RAM

Juliano Machado: conectando o agro com a estratégia global da RAM

O agronegócio brasileiro não é apenas um setor econômico. É cultura, identidade e, acima de tudo, relação humana. Essa visão, que nasce no campo e se fortalece ao longo da vida, é um dos pilares da trajetória de Juliano Machado, vice-presidente da RAM para a América do Sul, e um dos nomes por trás da consolidação da marca no Brasil.

Durante sua participação no MF Cast, Juliano revelou como suas origens no agro moldaram não só sua carreira, mas também a forma como enxerga negócios, pessoas e liderança.

Raízes no agro e formação fora da porteira

Nascido em Ribeirão Preto e criado em meio à cultura da cana-de-açúcar, Juliano cresceu acompanhando o trabalho do pai agrônomo. O contato direto com o campo trouxe desde cedo uma compreensão profunda sobre o produtor rural.

Mesmo iniciando sua trajetória acadêmica na agronomia, ele optou por migrar para administração, com especialização em marketing. A decisão, à primeira vista distante do agro, acabou se tornando estratégica.

Ao longo de mais de 25 anos no setor automotivo, construiu uma carreira sólida, com experiências internacionais e atuação em grandes montadoras. 

O agro como estratégia de negócio

Com a retomada da RAM no Brasil, a leitura de mercado foi clara: o crescimento do agro representava uma oportunidade concreta.

Mas não bastava vender caminhonetes.Era preciso, antes de tudo, entender o produtor.

Segundo Juliano, o ponto-chave foi perceber que o produtor rural brasileiro não era carente de recursos ou tecnologia, mas sim de atenção. A partir dessa mudança de visão, a estratégia também mudou.

A marca passou a investir em conforto, tecnologia e segurança em um segmento que, até então, priorizava quase exclusivamente a robustez. Mais do que responder às demandas, a RAM começou a se antecipar, entregando soluções que o próprio cliente ainda não sabia que precisava. 

Escuta ativa: o verdadeiro diferencial competitivo

Um dos principais aprendizados compartilhados por Juliano é simples, mas pouco praticado: ouvir o cliente.

A construção da marca no Brasil foi baseada em diálogo constante com produtores, concessionários e comunidades. Clubes de clientes, presença em feiras agro e comunicação direta via canais como WhatsApp ajudaram a aproximar a marca do público.

Essa proximidade gerou algo ainda mais valioso que vendas: pertencimento.

A RAM deixou de ser apenas um veículo e passou a representar um estilo de vida.

Marketing com foco, não com volume

Outro ponto central da estratégia foi abandonar a comunicação genérica.

Em vez de falar com “todo mundo”, a marca passou a se comunicar com quem realmente tem conexão com o produto. Isso inclui tanto o produtor quanto o público urbano que mantém vínculo emocional com o campo.

Essa leitura ampliou o alcance sem perder identidade.

Produto, planejamento e consistência

O crescimento da RAM no Brasil não foi fruto de um único movimento, mas de um planejamento estruturado.

A marca entrou inicialmente com modelos maiores e, aos poucos, foi ocupando diferentes segmentos com produtos como Rampage e Dakota. Cada lançamento seguiu uma lógica clara de posicionamento e demanda.

Hoje, com cerca de 150 mil veículos rodando no país e vendas anuais na casa de 30 mil unidades, a marca se consolidou como referência no segmento premium.

Liderança baseada em valores

Além da estratégia de mercado, Juliano destacou aspectos fundamentais da sua trajetória pessoal.

Disciplina, preparo constante, humildade e capacidade de relacionamento foram determinantes para sua evolução profissional. Para ele, ninguém cresce sozinho.

A construção de equipes fortes, alinhadas em valores e confiança, é o que sustenta resultados consistentes.

Outro ponto relevante é a clareza sobre cultura organizacional. Empresas precisam deixar explícito o que esperam, e profissionais devem buscar ambientes que estejam alinhados com seus valores.

O futuro: tecnologia e evolução constante

O futuro da mobilidade não é mais uma projeção distante, ele já está em construção. E a RAM faz parte desse movimento.

Eletrificação, novos combustíveis, segurança avançada e direção autônoma são caminhos naturais dessa evolução. Mas existe um ponto central: não basta desenvolver tecnologia.

Segundo Juliano, o desafio real é fazer com que ela chegue de forma acessível e funcione em escala.

Cada detalhe feito para transformar direção em experiência. Fonte: Revista Carro

Gigante na produção, discreto na comunicação

Um ponto crítico levantado durante a conversa foi a necessidade de o agro brasileiro se comunicar melhor.

Apesar de ser um dos setores mais relevantes do mundo, o Brasil ainda apresenta sua força de forma tímida, muitas vezes sem traduzir números em narrativa. Produzimos em escala global, lideramos cadeias importantes e sustentamos boa parte da economia, mas isso nem sempre chega com clareza para quem está fora do setor. 

Para Juliano, não se trata de exagerar ou inflar resultados, mas de comunicar com mais consistência e intenção. Mostrar dados, explicar impacto, traduzir o que acontece da porteira para fora. Quando isso não é feito, o agro perde espaço, inclusive na percepção de valor.

Mais do que defender o setor, é uma questão de posicionamento. Em um mercado cada vez mais competitivo, quem não se comunica bem, acaba sendo ignorado. E, nesse cenário, apresentar a real dimensão do agro brasileiro deixa de ser vaidade e passa a ser estratégia.

Mais do que caminhonetes, uma identidade

No fim, a conclusão é clara: a RAM não vende apenas veículos.

Ela vende reconhecimento.

Para muitos clientes, a compra vai muito além da necessidade prática. Representa uma conquista construída ao longo de anos de trabalho, uma validação silenciosa de quem enfrentou ciclos difíceis, riscos e decisões no campo. É o reflexo de uma trajetória que deu resultado.

Dentro do agro, onde tudo é medido em produtividade, resiliência e consistência, esse tipo de símbolo ganha ainda mais força. Não é só sobre dirigir uma caminhonete, é sobre o que ela representa para quem está ali. É status, sim, mas também é pertencimento, identidade e história.

Como o próprio Juliano resume, é o sentimento de “cheguei lá”. E, muitas vezes, mais do que um ponto final, é apenas o começo de uma nova fase.

As camionetes da RAM lado a lado
Potência, tecnologia e identidade em cada detalhe. Fonte: RAM

Mais do que resultado, consistência

Ao olhar para a trajetória de Juliano Machado, o destaque não está apenas nos números ou no cargo que ocupa na RAM.

O que se destaca é a consistência.

Uma carreira construída com preparo, disciplina e capacidade de ouvir. Mais do que estratégia, há foco em pessoas, relacionamento e execução bem feita.

Assista ao episódio completo com Juliano Machado no canal do MF Cast no YouTube e veja como essa visão se aplica na prática.

Fonte: MF Cast

Autor

  • Ana Carolina Verri

    Médica Veterinária,
    Especialista em Qualidade do Alimento de Origem Animal.