Mastite bovina: aprenda como identificar e prevenir a doença

Mastite bovina: aprenda como identificar e prevenir a doença

 

Uma das maiores preocupações de quem tem rebanho leiteiro é a mastite bovina. A doença pode causar graves prejuízos ao pecuarista.

 

Afeta diretamente a produção (as perdas podem chegar a 30%), qualidade do leite, descarte prematuro das vacas e até  levar à morte do animal.

 

Além dos impactos econômicos, a mastite bovina está diretamente relacionada à saúde pública, por conter bactérias resistentes que representam um risco para os seres humanos.

 

Por isso, o pecuarista leiteiro deve ficar atento e aprender como identificar essa doença nos animais, bem como os melhores métodos de prevenção e tratamento.

 

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O que é mastite bovina

 

A mastite bovina (ou mamite), é uma inflamação que acomete as glândulas mamárias das fêmeas do rebanho leiteiro. Ela pode se manifestar de três formas: clínica ou subclínica.

 

  • Mastite clínica: apresenta inflamação visível, com alterações no úbere e glândulas mamárias, além de alterações das características do leite. Pode ser aguda ou crônica (infecção persistente do úbere).
  • Mastite subclínica: não há sinais visíveis nas glândulas mamárias, nem alterações no leite, porém aumenta o número de células somáticas, alterando os teores de caseína, gordura e lactose, o que impacta nos produtos derivados do leite coletado;

 

Visão traseira de úbere inflamado da vaca
Vaca de úbere traseiro esquerdo inflamado por causa da mastite bovina.

 

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Sintomas da mastite bovina

 

No caso da mastite clínica, geralmente aguda, os sintomas são visíveis a olho nu, o que facilita a identificação da doença. Nas tetas e no úbere aparecem inflamações, como aumento de tamanho, vermelhidão e calor, além da perda de apetite, febre, queda de produção e morte.

 

As alterações também se manifestam no leite ordenhado. O produto apresenta pus, grumos e aspecto aquoso, além de menor quantidade extraída.

 

Já no caso da mastite crônica, pode ocorrer em razão da persistência da infecção inicial por longos períodos de tempo e é um indicativo de altos prejuízos e da necessidade de melhorias no controle da doença.

 

A mastite subclínica, com citamos acima, é mais difícil de ser identificada, porque não sintomas aparentes. Por esse motivo, é responsável por perdas de até 70% do rebanho.

 

Para identificação desta forma da doença é preciso utilizar algum dos métodos de diagnóstico do leite enviado ao laboratório (ver abaixo quais são). Estudos realizados no Brasil mostram que quartos mamários afetados com mastite subclínica produzem de 25% a 42% menos leite que quartos sadios.

 

Visão lateral de úbere de vaca inflamado por mastite
A mastite bovina compromete totalmente a produção leiteira, gerando perdas econômicas.

 

Como identificar a doença

 

O diagnóstico da mastite bovina pode ser feito inspecionando e apalpando a glândula mamária, visando identificar eventual inchaço, do aumento da temperatura, do endurecimento e dor.

 

Um rápido e correto diagnóstico da mastite é fundamental para combater a infecção e evitar que se alastre entre os animais,  já que é uma doença contagiosa e de fácil transmissão.

 

Existem três testes que poderão ser realizados:

 

Califórnia Mastite Teste (CMT): é realizado ao menos uma vez por mês, a fim de detectar a mastite subclínica. Para isso, mistura-se o leite a um reagente na proporção 1:1 e observam-se os resultados de acordo com a gelatinosidade da reação.

 

Pessoa coletando leite para teste CMT direto do ubere
Coleta de leite para o teste CMT, que identifica a mastite subclínica.

 

 

Teste da caneca de fundo preto: é uma opção de baixo custo, capaz de diagnosticar a mastite clínica.

 

Deve ser realizada diariamente da seguinte forma: os três primeiros jatos de leite são ordenhados em uma caneca de fundo preto, o que permite a observação de alterações como pus, grumos ou mudança na coloração;

 

Pessoa com luvas coletando leite do ubere para o teste da caneca de fundo preto
Coleta de leite para o teste da caneca de fundo preto

 

Contagem de Células Somáticas (CCS): este só pode ser realizado em laboratórios, por meio de exames específicos. As amostras podem ser coletadas tanto do tanque resfriador quanto de cada vaca individualmente.

 

 

Causas

 

A mastite bovina pode ser causada pela ação de micro-organismos e por fatores ambientais, como por exemplo:

 

– Solo;

– Água;

– Equipamentos;

– Esterco.

 

A principal causa é a falta da higiene na propriedade rural. Se o funcionário responsável pela tarefa não limpar os equipamentos utilizados na ordenha, ele pode transferir a doença de uma vaca para outra. Em pouco tempo espalhar a doença por toda a propriedade.

 

O manejo inadequado do rebanho também pode ocasionar a contaminação das glândulas mamárias.

 

Exemplo: um bezerro mamar em uma vaca e tentar “roubar” o leite de outra vaca. Este filhote pode passar o microrganismo pela boca, causando o contágio.

 

 

Tratamento

 

Antes de mais nada, o pecuarista deve descobrir qual  “o tamanho do problema”.

 

O diagnóstico pode ser por exame clínico como pelo CMT, avaliando o nível de alteração da glândula mamária e do leite. Isso vai indicar quais são os antibióticos ou e antimicrobianos eficazes contra aquele microrganismo específico.

 

A eficácia do tratamento da mastite bovina dependente de fatores ligados à vaca, como idade, estágio de lactação, status do sistema imune, histórico prévio de mastite clínica, contagem de células somáticas-CCS e número de quartos afetados.

 

Outra questão também é o tratamento utilizado, ou seja, espectro de atividade do antibiótico, via de administração, concentração no local da infecção e duração do tratamento.

 

Veja mais detalhes sobre o tratamento da mastite bovina neste artigo.

 

 

Prevenção

 

Diante do cenário apresentado, é preciso fortalecer as ações de prevenção entre o rebanho leiteiro que podem ser feitas com a adoção de algumas atitudes cotidianas de grande relevância.

 

 

Confira as principais formas de prevenção da mastite bovina:

 

  • Na hora da ordenha, é imprescindível que haja uma rotina de cuidados com a higiene do local, dos animais e dos utensílios, o que reduz significativamente as fontes de infecção e a incidência da mastite.
  • Desinfetar as tetas antes (pré-dipping) e depois da ordenha (pós-dipping) e realizar o teste da caneca de fundo preto diariamente.
  • Não deixar que a vaca se deite logo após a ordenha, isso porque as mamárias do animal ficam mais suscetíveis ao contágio nesse período.
  • A ordenha dos animais diagnosticados com mastite deve ser feita em separado, após a ordenha de vacas saudáveis, ou seja, ao final do expediente de ordenha.
  • É importante também separar os animais de acordo com os resultados da Contagem de Células Somáticas (CCS), dos exames em laboratório. Animais com índices mais elevados devem formar um grupo único, sendo ordenhados sempre ao final.

 

Homem fazendo a desinfecção dos tetos de uma vaca pré-dipping
Desinfecção dos tetos da vaca conhecido como pré-dipping (antes da ordenha) ou pós-dipping (pós ordenha)

 

Portanto, é importante a capacitação da equipe responsável pela ordenha. Além disso, o pecuarista deve fazer um tratamento após a fase de lactação, o que deve eliminar os casos de mastite bovina.

 

Essa prevenção pode parecer um pouco cara, entretanto estudos dizem que fica mais em conta prevenir a mastite bovina do que tratá-la. É como diz o ditado: “é melhor prevenir do que remediar”.

 

Leia também sobre os impactos econômicos da mastite bovina na produção leiteira

 

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