Filho de pequenos produtores rurais, José Francisco Sena transformou uma infância marcada por dificuldades em uma trajetória de empreendedorismo, pecuária e construção de patrimônio no agro.
A história de José Francisco Sena é daquelas que representam o espírito do agronegócio brasileiro. Nascido em uma pequena propriedade rural em Goiás, criado entre roça, café, frutas e gado, ele aprendeu desde cedo que trabalho, disciplina e visão de longo prazo poderiam mudar o destino de uma família.
Em entrevista ao MF Cast, o empresário relembrou sua infância no interior de Goiás, o esforço dos pais para garantir estudo aos filhos e o caminho que levou à consolidação da Fazenda Jaçanã, em São Miguel do Araguaia (GO).
Mais do que uma história de superação, sua trajetória revela como educação, empreendedorismo e reinvestimento podem transformar uma pequena propriedade rural em um patrimônio sólido no agro.
Origem humilde e raízes no campo
José Francisco vem de uma família de pequenos produtores rurais. Seus avós deixaram Patos de Minas, em Minas Gerais, e chegaram a Goiás em carro de boi, instalando-se inicialmente em uma área de mata na região de Pirenópolis.
Naquela época, a propriedade foi aberta no braço, com machado, café e muito esforço. Além disso, a fazenda era paga com a própria produção agrícola, um retrato da agricultura familiar de décadas atrás.
Desde o nascimento, José Francisco viveu essa realidade rural e cresceu acompanhando o trabalho dos pais. Mesmo depois de a família se mudar para Anápolis para que os filhos estudassem, os finais de semana continuavam sendo passados na fazenda. Assim, o vínculo com o campo nunca foi rompido.
Infância simples e o sonho de melhorar de vida
Na cidade, a família morava em uma casa muito pequena e enfrentava dificuldades financeiras constantes. Ao mesmo tempo, José Francisco ajudava a vender frutas nas ruas de Anápolis e via a mãe trabalhar na colheita e venda de café.
Foi justamente nesse período que ouviu uma frase que, segundo ele, mudou sua vida:
“Estuda muito que você vai ser rico.”
A partir daí, decidiu investir seriamente na educação. Fez carteira na Biblioteca Pública de Anápolis ainda criança, lia jornais antigos, revistas e livros e desenvolveu o hábito de formar suas próprias convicções.
Com o passar dos anos, esse gosto pelos estudos o levou a um feito impressionante: passou no vestibular de Direito aos 15 anos e se formou aos 20, sendo considerado um dos alunos de Direito mais jovens do país na época.
O empreendedorismo começou cedo
Muito antes de se tornar empresário do agro, José Francisco já demonstrava perfil empreendedor. Vendia frutas, limões, bananas, cocos e até frangos vivos para complementar a renda da família.
Dessa forma, as experiências de venda, negociação e relacionamento com clientes formaram sua base comercial. Além disso, ele aprendeu cedo a calcular margens, buscar lucro e reinvestir o dinheiro no próprio negócio, uma mentalidade que carregaria por toda a vida.
A decisão que mudou a história da família
Um dos momentos mais marcantes da entrevista ocorreu quando o irmão de José Francisco, que trabalhava em uma lanchonete, convenceu o pai a comprar o estabelecimento.
Para isso, a família precisou vender praticamente todo o gado acumulado ao longo de anos. Embora a aposta parecesse arriscada, o resultado foi extraordinário.
A lanchonete, localizada no centro de Anápolis, explodiu em movimento poucos dias após a compra. Em seguida, os irmãos assumiram a operação, investiram em qualidade, receitas próprias e atendimento, e o negócio cresceu rapidamente.
Em apenas quatro a cinco meses, conseguiram recomprar o gado vendido pelo pai e ainda reformar o estabelecimento.
Gestão, reinvestimento e crescimento acelerado
Enquanto cursava Direito, José Francisco trabalhava diariamente na lanchonete desde as quatro da manhã até o início das aulas à noite.
Ao mesmo tempo, o lucro era reinvestido no negócio e também na pecuária. Posteriormente, quando o irmão passou em Medicina, ele assumiu o compromisso de ajudar a pagar a faculdade sem vender novamente o rebanho.
Consequentemente, a estratégia deu certo: a lanchonete sustentou os estudos, a família manteve o patrimônio rural e o rebanho continuou crescendo.
Ao final do primeiro ano de faculdade do irmão, a família já possuía 216 cabeças de gado. Poucos anos depois, o número se aproximava de mil cabeças, distribuídas em áreas próprias e arrendadas.
Fazenda Jaçanã: a consolidação de um sonho no agro goiano
O crescimento do rebanho e a disciplina de reinvestir continuamente na atividade pecuária deram origem à estrutura rural que mais tarde se consolidaria na Fazenda Jaçanã, em São Miguel do Araguaia (GO). Durante a entrevista ao MF Cast, José Francisco Sena cita a propriedade como parte central de sua trajetória no agronegócio e como símbolo da construção patrimonial da família.
Ele conta que a ligação com a fazenda foi imediata. Segundo José Francisco, ele e o pai se apaixonaram pela Jaçanã logo na primeira visita, assim que entraram na propriedade. A identificação com a terra, com a paisagem e com o potencial produtivo da área marcou profundamente a família e reforçou o desejo de construir ali um projeto de vida ligado à pecuária.
A Jaçanã representa a continuidade dos valores aprendidos ainda na infância: trabalho diário, prudência financeira e visão de longo prazo. O empresário relembra que o sonho de ter terra e um rebanho expressivo nasceu observando produtores da região quando ainda era jovem. Décadas depois, a fazenda passou a representar justamente essa conquista construída passo a passo, com esforço próprio e reinvestimento constante.
Mais do que uma propriedade rural, a Fazenda Jaçanã simboliza a transformação de uma origem humilde em um patrimônio sólido no campo. A expansão do rebanho, iniciada com pequenas compras de bezerras e vacas paridas, foi sendo ampliada gradualmente até formar uma operação pecuária estruturada, diretamente ligada à história de crescimento da família no agro goiano.
“Meu vício é vaca”
José Francisco conta que desenvolveu uma paixão intensa pela pecuária. Inspirado pelos ensinamentos do pai, passou a enxergar o gado como um ativo produtivo que cresce, engorda e se multiplica. A compra de bezerras e vacas paridas tornou-se, nas palavras dele, um verdadeiro “vício”.
Esse entusiasmo pela atividade pecuária foi fundamental para sua consolidação no agronegócio goiano e posteriormente em São Miguel do Araguaia, onde construiu parte importante de sua trajetória empresarial na Fazenda Jaçanã.
Um exemplo de mobilidade social construída pelo trabalho
A trajetória de José Francisco Sena mostra que o agronegócio brasileiro também é feito de histórias familiares, sacrifício, empreendedorismo e persistência.
De menino que vendia frutas nas ruas de Anápolis a empresário reconhecido no agro, ele construiu seu caminho sem perder as referências do campo.
Por fim, sua história reforça uma verdade que atravessa gerações no interior do Brasil: patrimônio sólido nasce de trabalho consistente, gestão responsável e capacidade de enxergar oportunidades onde muitos veem apenas dificuldade.
Quer conhecer todos os detalhes dessa trajetória inspiradora? Assista ao episódio completo do MF Cast com José Francisco Sena no canal da MF TV e descubra como uma família simples transformou estudo, trabalho e pecuária em um legado no agronegócio brasileiro.