Bem-Estar Animal na Pecuária de Corte: Como o Manejo Sem Estresse Aumenta a Produtividade

Bem-Estar Animal na Pecuária de Corte: Como o Manejo Sem Estresse Aumenta a Produtividade

Durante muito tempo, determinadas práticas de manejo foram tratadas como parte da rotina da pecuária de corte. Gritos, correria, pressão excessiva e condução agressiva dos animais ainda podem fazer parte do dia a dia de algumas propriedades. No entanto, o avanço das pesquisas sobre comportamento e bem-estar animal mostra que a forma como o gado é manejado pode influenciar diretamente o desempenho do rebanho.

O bem-estar animal na pecuária de corte está relacionado à saúde, ao conforto, à alimentação, às condições ambientais e à possibilidade de os bovinos expressarem comportamentos naturais. Na prática, isso significa olhar para o animal durante todo o sistema de produção, do nascimento ao transporte e abate.

A Embrapa destaca que o bem-estar está estreitamente relacionado à saúde e ao desempenho produtivo dos bovinos. Condições inadequadas podem resultar em perdas de animais, peso, rendimento de carcaça e qualidade da carne, além de aumentar os riscos para os trabalhadores da propriedade.

Por isso, falar em bem-estar não significa apenas discutir uma questão ética. Também significa discutir eficiência, produtividade e rentabilidade na pecuária de corte.

O que é bem-estar animal na pecuária de corte?

O bem-estar animal não significa “mimar” o gado, mas oferecer condições para que os bovinos tenham saúde, conforto e segurança ao longo do sistema de produção. Um dos referenciais mais utilizados para explicar o conceito são as 5 Liberdades, que envolvem estar livre de fome e sede, desconforto, dor e doença, medo e estresse, além de permitir a expressão de comportamentos naturais.

Na prática, isso significa que o bem-estar não depende de uma única medida. Alimentação adequada, instalações, ambiente, sanidade, manejo e transporte precisam ser considerados em conjunto.

Por isso, avaliar o bem-estar do rebanho exige olhar para toda a jornada do animal, desde o nascimento e a criação no pasto até os procedimentos realizados no curral, o transporte e as etapas seguintes da cadeia produtiva. Cada uma dessas fases apresenta desafios diferentes e exige práticas capazes de reduzir situações desnecessárias de medo, dor, desconforto e estresse.

Mais do que uma questão isolada de manejo, o bem-estar envolve a relação entre saúde, comportamento, ambiente e condições de criação. É a partir dessa visão integrada que o produtor consegue identificar os pontos mais críticos do sistema e buscar melhorias de forma contínua.

Por que o manejo no curral merece atenção?

O curral é um dos locais em que o bovino pode ser submetido a situações de maior pressão.

Vacinação, pesagem, apartação, identificação, exames, embarque e outros procedimentos exigem movimentação dos animais. Quando essas atividades são realizadas de maneira inadequada, o medo e a agitação podem aumentar.

O comportamento do gado precisa ser considerado durante a condução. Os bovinos possuem respostas naturais ao movimento das pessoas, à pressão e à aproximação. Compreender essas respostas permite movimentar os animais utilizando menos força.

Curral adequado às práticas de bem-estar animal.
Curral adequado às práticas de bem-estar animal, proporcionando mais segurança e conforto durante o manejo do gado.

Como as instalações podem facilitar o manejo dos bovinos

Instalações pensadas para o fluxo natural do animal e condutores treinados são fundamentais. O manejo racional no curral utiliza conceitos como ponto de equilíbrio e zonas de fuga para conduzir animais com movimentos calmos e mínimos estímulos negativos (não usar gritos, choques elétricos etc.). Por exemplo, manter o gado longe de barreiras que possam gerar bloqueio visual (ângulos retos ou sombras repentinas) faz com que os animais avancem de forma tranquila.

Alguns pontos que podem favorecer o manejo no curral são:

  • Equipamentos e layout: curral em curvas suaves, com boa circulação de ar e iluminação uniforme evita o acúmulo de sombreamentos que amedrontam o gado. Portas e troncos devem abrir na direção que o boi se move naturalmente.
  • Controle de lotes: não misturar animais desconhecidos antes do embarque, pois isso causa agitação. Manter idades e pesos semelhantes no mesmo lote facilita o manejo.
  • Áreas de escape: ao planejar recintos, prever alvenarias ou comportas de escape para o tratador no caso de risco. Isso aumenta a segurança e permite que ele trabalhe sem tensão, o que automaticamente reduz a tensão nos animais.

Implementar esses princípios eleva a segurança e o bem-estar. 

Manejo racional: menos gritos e mais compreensão do comportamento

O manejo racional de bovinos parte de um princípio simples: é possível conduzir o animal utilizando seu próprio comportamento a favor do manejo.

Em vez de tentar movimentar o gado por meio da força, a equipe deve compreender conceitos como zona de fuga e ponto de equilíbrio, além da tendência dos bovinos de seguir outros animais do grupo.

Os tratadores devem conhecer o ponto de equilíbrio (geralmente próximo ao ombro): posicionar-se nesse ponto faz o animal avançar ou parar. A zona de fuga é o espaço ao redor do bovino que determina sua reação à aproximação do manejador. 

Ao entrar ou sair dessa zona de forma controlada, o tratador pode estimular o animal a se movimentar sem recorrer à força. Já o ponto de equilíbrio, geralmente localizado próximo à região do ombro, pode ser utilizado para influenciar a direção do deslocamento.

Por isso, o treinamento da equipe é uma das partes mais importantes de um programa de bem-estar animal.

O estresse pode comprometer o desempenho do gado

Já vimos que o bem estar animal está diretamente ligado ao desempenho do rebanho. Vale entender, então, como isso acontece na prática.

Situações como manejo agressivo, gritos, correria, contenção inadequada, transporte, mudanças bruscas de ambiente, altas temperaturas e falta de água podem aumentar a resposta de estresse dos bovinos. Dependendo da intensidade e da frequência, essas condições podem comprometer funções importantes para a produção.

Ganho de peso e outros indicadores produtivos

Um dos impactos que mais interessa ao produtor está relacionado ao ganho de peso. Quando o animal é submetido repetidamente a situações de estresse, parte dos recursos energéticos do organismo é direcionada para responder a esse desafio, em vez de ser utilizada para crescimento e produção. Além disso, o estresse pode alterar o comportamento alimentar e de descanso, prejudicando o aproveitamento adequado dos nutrientes.

Isso não significa que todo episódio de estresse provocará perda de desempenho. O problema está principalmente na intensidade, duração e frequência dessas situações e na capacidade do animal de se recuperar.

Na prática, um bovino que passa por uma rotina de manejo previsível, com instalações adequadas, acesso à água e alimentação e uma equipe preparada tende a enfrentar menos situações desnecessariamente estressantes. O manejo racional busca justamente reduzir esses estímulos e realizar os procedimentos necessários com o menor nível possível de medo e agitação.

A relação também aparece em outros indicadores produtivos. A literatura técnica da Embrapa relaciona condições inadequadas de bem-estar a problemas como redução do ganho de peso, pior desempenho reprodutivo, maior suscetibilidade a doenças e prejuízos na qualidade da carne.

A influência do ambiente e do manejo

Por isso, o produtor não deve analisar o bem-estar de forma isolada. O desempenho do bovino resulta da interação entre genética, nutrição, sanidade, ambiente e manejo. Um animal com bom potencial genético, por exemplo, pode não expressar esse potencial se estiver submetido a condições ambientais ou de manejo inadequadas.

Outro ponto importante é que o impacto do estresse pode aparecer de maneira indireta. Um manejo que provoca agitação excessiva pode aumentar o risco de lesões, acidentes e contusões, além de dificultar procedimentos como vacinação, pesagem e apartação. Isso pode gerar perdas que vão além do próprio desempenho individual do animal.

Medidas para reduzir o estresse na fazenda

Por esse motivo, melhorar o manejo pode ser uma estratégia de eficiência. O produtor pode reduzir situações desnecessariamente estressantes ao investir em instalações bem planejadas, capacitar a equipe, conduzir os animais de forma adequada, reduzir ruídos e movimentos bruscos, oferecer conforto térmico e acesso à água e manter uma rotina organizada.

O objetivo não é eliminar completamente o estresse, algo impossível em um sistema de produção, mas evitar situações que provoquem estresse desnecessário ou o tornem frequente e intenso.

Para o produtor, essa mudança de abordagem significa deixar de enxergar o bem-estar apenas como uma questão de manejo dos animais e passar a considerá-lo também como parte da gestão produtiva. Afinal, quanto melhores forem as condições para que o animal se alimente, descanse, cresça e se desenvolva, maiores são as possibilidades de expressar seu potencial produtivo.

Conforto térmico é parte do bem-estar

Em regiões de clima tropical, o calor é um dos desafios para os sistemas de produção de bovinos.

A exposição prolongada à radiação solar e a temperaturas elevadas pode provocar estresse térmico. Entre os sinais que podem indicar esse problema estão alterações no comportamento de pastejo e ruminação, maior procura por água, aumento da frequência respiratória e mudanças na movimentação do rebanho.

Por isso, é importante oferecer áreas de sombra suficientes para que os animais possam se proteger do calor sem disputar espaço. A quantidade necessária depende do sistema e do tamanho do lote, mas a recomendação é que a área sombreada seja capaz de atender os animais simultaneamente nos períodos de maior necessidade.

Em resumo, o produtor deve oferecer sombra, ventilação natural e acesso adequado à água para ajudar os bovinos a enfrentar períodos de temperaturas elevadas. A redução do estresse térmico favorece a manutenção de comportamentos como alimentação, pastejo e ruminação e contribui para preservar as condições necessárias ao desempenho do rebanho. 

Sistemas como integração lavoura-pecuária-floresta também podem contribuir para oferecer áreas de sombra e melhorar as condições de ambiência, dependendo do planejamento da propriedade.

Gado no pasto sob a sombra de árvores.
Gado no pasto aproveita a sombra das árvores para se proteger do calor e reduzir o estresse térmico.

Do nascimento à desmama: como reduzir o estresse dos bezerros

O bem-estar dos bovinos começa desde os primeiros momentos de vida. A forma como a equipe maneja o bezerro após o nascimento pode influenciar sua adaptação aos procedimentos, à presença das pessoas e às mudanças que ocorrerão ao longo da criação.

Cuidados nos primeiros dias de vida

Nas primeiras horas e dias de vida, a equipe deve realizar os cuidados de forma tranquila e cuidadosa. Procedimentos como a cura do umbigo, a identificação e outros manejos sanitários exigem contenção adequada. A equipe também deve conduzir essas atividades de modo a evitar medo, dor e agitação desnecessários. A interação positiva com as pessoas também pode contribuir para que o animal desenvolva respostas mais tranquilas aos manejos posteriores.

Essa preocupação se torna ainda mais importante em uma das fases mais desafiadoras da criação: a desmama.

Desmama racional: como reduzir o impacto da separação

Na desmama convencional, o produtor separa a vaca do bezerro, provocando uma mudança significativa na rotina dos dois animais. Além da interrupção da amamentação, a separação altera o contato social e pode ocorrer simultaneamente a mudanças no ambiente, na alimentação e no manejo. Esses fatores podem aumentar a agitação e a resposta de estresse dos animais.

Uma das alternativas utilizadas para tornar essa transição menos abrupta é a desmama lado a lado, também conhecida como desmama racional em determinados sistemas. Nesse modelo, vacas e bezerros permanecem em áreas próximas, separados por uma cerca que impede a amamentação, mas permite a manutenção do contato visual e olfativo e, dependendo da estrutura, algum contato físico.

Desmama lado a lado.
Desmama lado a lado, mantendo vaca e bezerro próximos durante o período de adaptação.

A proposta é reduzir o impacto da separação e permitir uma adaptação gradual à nova rotina. O sistema pode ser realizado de diferentes maneiras, de acordo com a estrutura e o manejo adotado na propriedade.

A desmama racional, portanto, não deve ser vista apenas como uma técnica para separar vacas e bezerros. Ela faz parte de uma estratégia de manejo que considera o comportamento dos animais e busca tornar essa transição mais previsível.

Quando bem planejada, a condução da desmama pode favorecer uma adaptação mais tranquila à nova fase, permitindo que os bezerros retomem comportamentos importantes, como pastejo, alimentação e ruminação, sem acrescentar estímulos desnecessários de estresse.

Identificação também pode ser repensada

A identificação dos bovinos é indispensável para o controle do rebanho, mas o produtor também pode avaliar os métodos utilizados sob a perspectiva do bem-estar animal.

Em vez de marcações a fogo, várias propriedades vêm usando outras técnicas, como tatuagem, colares de identificação temporários ou até chips eletrônicos, justamente pela possibilidade de reduzir procedimentos dolorosos.

O avanço da tecnologia também amplia as possibilidades de rastreabilidade, permitindo que a identificação esteja associada ao histórico produtivo e sanitário do animal.

Orelha de bovino com identificação por tatuagem
Orelha de bovino com identificação por tatuagem.

Equipe capacitada e comportamento animal: a base de um manejo eficiente

O sucesso de qualquer programa de bem-estar animal não depende apenas de instalações adequadas ou de equipamentos modernos. O fator humano continua sendo um dos principais responsáveis pelos resultados obtidos dentro da fazenda.

Funcionários treinados conseguem compreender melhor o comportamento dos bovinos, identificar sinais de estresse e conduzir os animais de forma mais eficiente e segura. Por isso, a adoção do manejo racional passa necessariamente pela capacitação da equipe e pela mudança de cultura dentro da propriedade.

Como o treinamento melhora o manejo dos bovinos

Mais do que ensinar técnicas, o treinamento ajuda a equipe a desenvolver uma nova forma de enxergar o manejo. Em vez de gritos, correria e pressão excessiva, os profissionais passam a utilizar procedimentos que aproveitam o comportamento natural dos animais para conduzir o rebanho.

Outro aspecto importante é que os bovinos possuem capacidade de aprendizado e memória. Experiências negativas podem tornar os animais mais reativos e difíceis de manejar em procedimentos futuros. Da mesma forma, quando os tratadores mantêm um contato tranquilo e previsível com os animais, os bovinos tendem a apresentar menos resistência e menor nível de estresse nos manejos seguintes.

Além dos benefícios para os animais, a capacitação da equipe também contribui para a segurança no trabalho. Bovinos assustados ou excessivamente agitados apresentam maior risco de provocar acidentes, enquanto manejos mais calmos tornam as atividades mais previsíveis para todos os envolvidos.

Temperamento do rebanho também influencia a rotina

O comportamento dos próprios animais também influencia diretamente a rotina da fazenda. Bovinos excessivamente reativos costumam exigir mais tempo e esforço durante procedimentos como vacinação, pesagem, apartação e embarque, além de aumentarem o risco de lesões e acidentes.

Por esse motivo, muitas propriedades passaram a considerar o temperamento do rebanho como um critério importante dentro de seus programas de seleção. O objetivo não é produzir animais excessivamente mansos, mas formar um rebanho com comportamento compatível com o sistema produtivo, capaz de responder de maneira mais equilibrada aos manejos de rotina.

Quando equipe e animais estão adaptados a um sistema de manejo baseado em previsibilidade, respeito ao comportamento natural e redução do estresse, os benefícios tendem a aparecer em diferentes áreas da produção. O resultado é uma rotina mais segura, eficiente e alinhada aos princípios do bem-estar animal, favorecendo tanto o desempenho do rebanho quanto as condições de trabalho dentro da propriedade.

Bem-estar animal também passa pelo transporte

O compromisso com o bem-estar animal não termina quando o bovino deixa a fazenda. O transporte é uma das etapas mais desafiadoras da cadeia produtiva e exige atenção especial para evitar situações de estresse, fadiga, lesões e perdas produtivas.

Mudanças de ambiente, embarque, desembarque, deslocamentos prolongados e contato com animais desconhecidos podem representar desafios para o rebanho. Quando a equipe conduz essas etapas de forma inadequada, aumenta o risco de quedas, contusões, perda de peso e comprometimento das condições físicas dos animais.

Por isso, o produtor deve planejar o transporte com cuidado. A equipe precisa realizar o embarque de forma calma, respeitar a capacidade dos veículos e evitar práticas agressivas durante a condução. Além disso, deve considerar fatores como tempo de viagem, condições das estradas, ventilação e acesso à água para reduzir o impacto do transporte sobre os animais.

Bovinos sendo embarcados em veículo adequado, garantindo mais segurança e bem-estar durante o transporte.

Outro ponto importante é evitar a mistura de lotes desconhecidos pouco antes do transporte, já que isso pode aumentar disputas hierárquicas e elevar os níveis de estresse durante a viagem.

As boas práticas também se estendem ao desembarque, que deve ocorrer em instalações adequadas e com movimentação tranquila, permitindo que os animais se adaptem ao novo ambiente com menor desgaste.

Além dos benefícios para o bem-estar, um transporte adequado contribui para reduzir perdas econômicas associadas a lesões, mortalidade, perda de peso e descarte de carcaças. Por isso, o produtor deve tratar o cuidado com os animais durante o transporte não apenas como uma exigência operacional, mas como uma etapa estratégica para construir um sistema de produção mais eficiente.

No fim das contas, o produtor constrói o bem-estar animal ao longo de toda a jornada do bovino, e não apenas em uma etapa isolada.

Como avaliar o bem-estar do rebanho na prática

O produtor não precisa avaliar o bem-estar animal apenas de forma subjetiva. Atualmente, diversos indicadores ajudam a acompanhar as condições do rebanho e a identificar pontos de melhoria dentro do sistema de produção.

Entre os principais indicadores estão a ocorrência de lesões, os índices de mortalidade, os problemas de locomoção, a incidência de doenças, o comportamento dos animais durante os manejos, a frequência de escorregões ou quedas no curral e a facilidade de condução do rebanho nas atividades de rotina.

As próprias instalações também podem ser avaliadas. Condições dos corredores, presença de áreas de sombra, disponibilidade de água, qualidade dos pisos e funcionamento dos equipamentos de contenção são fatores que influenciam diretamente a experiência dos animais.

Outro aspecto importante é observar a reação dos bovinos ao manejo. Animais excessivamente agitados, que se recusam a avançar, vocalizam constantemente ou tentam fugir durante os procedimentos podem indicar falhas no manejo, nas instalações ou na forma como estão sendo conduzidos.

A avaliação contínua desses indicadores permite identificar problemas antes que eles se tornem mais graves e ajuda o produtor a tomar decisões baseadas em informações concretas. Dessa forma, o bem-estar deixa de ser apenas uma percepção e passa a fazer parte do monitoramento diário da fazenda.

Como começar a melhorar o bem-estar do rebanho?

O produtor que deseja iniciar uma mudança não precisa necessariamente transformar toda a fazenda de uma vez.

O primeiro passo pode ser identificar os pontos de maior estresse dentro da rotina.

Algumas perguntas ajudam nesse diagnóstico:

  • Os animais entram e saem do curral com facilidade?
  • A equipe utiliza gritos ou força excessiva?
  • Existem pontos de colisão ou obstáculos nas instalações?
  • Há sombra suficiente nos locais de espera?
  • Os animais têm acesso adequado à água?
  • Existem muitos acidentes durante o manejo?
  • Como é realizada a desmama?
  • Quais procedimentos são mais difíceis para a equipe?
  • Existem diferenças de comportamento entre os lotes?
  • Os indicadores de mortalidade, ganho de peso e reprodução estão sendo acompanhados?

A partir dessas respostas, o produtor pode estabelecer prioridades.

Bem-estar animal é uma estratégia de produção

O conceito de bem-estar animal na pecuária de corte está cada vez mais ligado à eficiência do sistema produtivo.

Manejo racional, instalações adequadas, capacitação da equipe, conforto térmico, boas práticas ao nascimento, desmama com menor estresse e métodos adequados de identificação são exemplos de ações que podem fazer parte dessa estratégia.

O objetivo não é simplesmente produzir com animais mais tranquilos. É construir um sistema no qual saúde, comportamento, segurança, produtividade e eficiência estejam conectados.

Na pecuária de corte, melhorar o manejo significa olhar para aquilo que acontece dentro do curral, mas também para tudo o que acontece antes e depois dele.

Na prática, transformar esses princípios em rotina exige mudança de comportamento, tanto dos animais quanto da equipe responsável pelo manejo. E é justamente no curral que essa transformação pode ser percebida de forma mais clara.

Para entender como esse conceito funciona na prática, confira o corte da entrevista com Carmen Perez, que fala sobre bem-estar animal e mostra por que um manejo com menos gritos, correria e estresse pode fazer parte de uma pecuária mais eficiente.

Autor

  • Ana Carolina Verri

    Médica Veterinária,
    Especialista em Qualidade do Alimento de Origem Animal.