Capim-Capeta e Capim-Navalha: Métodos de Controle e Manejo das Invasoras

Capim-Capeta e Capim-Navalha: Métodos de Controle e Manejo das Invasoras

O avanço do capim-capeta e do capim-navalha tem se tornado um dos principais desafios da pecuária brasileira. Essas gramíneas invasoras apresentam elevada capacidade de adaptação, crescimento agressivo e difícil controle, comprometendo diretamente a produtividade das pastagens. 

Em muitos casos, áreas produtivas acabam sendo tomadas rapidamente pelas invasoras, reduzindo a oferta de forragem e elevando os custos com herbicidas e recuperação do pasto.

O que é o capim-capeta?

O capim-capeta pertence principalmente ao gênero Sporobolus spp., sendo a espécie Sporobolus indicus uma das mais conhecidas em áreas de pastagem no Brasil. Trata-se de uma gramínea perene, extremamente resistente e com alta capacidade de invasão, considerada uma das plantas daninhas mais problemáticas da pecuária em diversas regiões do país.

A planta se destaca pela elevada produção de sementes e pela capacidade de formar touceiras densas, dificultando o desenvolvimento das forrageiras desejadas. Além disso, apresenta baixa aceitabilidade pelos animais, o que favorece ainda mais sua permanência no pasto, já que o gado tende a consumir preferencialmente as espécies forrageiras ao redor da invasora. Com o passar do tempo, isso cria áreas cada vez mais abertas para o avanço da infestação.

Outro fator que contribui para sua agressividade é a resistência ao pisoteio e a adaptação a solos pobres, compactados ou degradados. Mesmo em condições adversas de fertilidade e manejo, o capim-capeta consegue sobreviver e continuar se espalhando pela área. A planta também possui rápida capacidade de rebrota após cortes, roçadas ou pastejo, dificultando o controle apenas com métodos mecânicos.

O que é o capim-navalha?

O capim-navalha (Paspalum virgatum L.) é outra gramínea invasora de grande impacto na pecuária. Seu nome popular vem das folhas cortantes, que podem causar desconforto aos animais e dificultar o pastejo.

A planta forma touceiras densas e se espalha rapidamente, principalmente em áreas degradadas, solos mal manejados e pastagens enfraquecidas.

Quando a infestação aumenta, o capim-navalha reduz drasticamente a presença da forrageira desejada, comprometendo a qualidade do pasto e a eficiência da produção pecuária.

Como o capim-capeta e o capim-navalha se multiplicam?

A rápida disseminação do capim-capeta e do capim-navalha é um dos fatores que mais preocupam produtores e técnicos no manejo de pastagens. Essas plantas invasoras possuem elevada capacidade de adaptação e multiplicação, o que permite que pequenos focos de infestação avancem rapidamente sobre áreas produtivas.

Grande parte dessa expansão ocorre pela intensa produção de sementes viáveis. Tanto o capim-capeta quanto o capim-navalha conseguem produzir grande quantidade de sementes leves e facilmente transportadas pelo vento, pela água da chuva, por máquinas agrícolas, implementos, pneus e até pelos próprios animais. Em muitos casos, a disseminação acontece sem que o produtor perceba, principalmente quando as sementes são levadas para outras áreas da propriedade durante operações de manejo.

Outro ponto importante é a elevada capacidade de rebrota dessas gramíneas. Mesmo após roçadas, cortes mecânicos ou tentativas de eliminação parcial, as plantas conseguem retomar rapidamente o crescimento. Isso acontece porque essas invasoras apresentam alta rusticidade e conseguem sobreviver mesmo em condições adversas de manejo, clima e fertilidade do solo.

As áreas degradadas também favorecem diretamente o avanço da infestação. Pastagens com baixa fertilidade, compactação do solo, falhas de cobertura vegetal e excesso de pastejo acabam criando um ambiente ideal. À medida que a forrageira perde vigor, as pastagens daninhas passam a ocupar os espaços disponíveis com maior agressividade.

Outro fator que dificulta o controle é a formação de banco de sementes no solo. Mesmo após aplicações de herbicidas ou remoção das plantas adultas, sementes permanecem viáveis por longos períodos, favorecendo novas infestações nos ciclos seguintes. Por isso, muitas propriedades enfrentam reinfestações mesmo após operações de controle consideradas eficientes.

Na prática, a infestação costuma começar de forma silenciosa, em pequenas manchas isoladas. Sem monitoramento e intervenção rápida, essas áreas aumentam gradativamente até comprometer grandes extensões da pastagem, reduzindo a produtividade pecuária e elevando os custos de recuperação da área.

Como essas invasoras dominam o pasto?

O capim-capeta e o capim-navalha possuem elevada competitividade. Isso significa que conseguem ocupar espaço de forma agressiva, reduzindo o desenvolvimento das forrageiras utilizadas na alimentação animal.

Com o passar do tempo, ocorre:

  • diminuição da oferta de capim para o rebanho
  • perda da qualidade nutricional da pastagem
  • redução da taxa de lotação
  • queda na produção de arrobas por hectare
  • aumento dos custos de recuperação

Em situações mais severas, áreas inteiras podem ficar praticamente improdutivas para a pecuária.

Principais métodos utilizados no controle

O controle do capim-capeta e do capim-navalha exige manejo integrado e acompanhamento técnico constante. Isso acontece porque essas plantas invasoras apresentam elevada capacidade de adaptação, intensa produção de sementes e rápida rebrota, fatores que dificultam o controle definitivo apenas com uma única estratégia. 

Os métodos mais utilizados incluem:

Controle químico

Atualmente, o método mais utilizado nas propriedades é o controle químico, realizado por meio da aplicação de herbicidas seletivos ou sistêmicos. A eficiência desse manejo depende diretamente de fatores como:  

  • O estágio de desenvolvimento da planta;
  • O nível de infestação;
  • A época do ano;
  • A tecnologia de aplicação
  • As condições fisiológicas da invasora no momento da pulverização 

Aplicações mal conduzidas ou feitas fora do momento ideal podem reduzir significativamente os resultados e favorecer novas infestações na área. 

Controle mecânico

Muitos produtores também utilizam métodos mecânicos, principalmente em áreas com focos localizados ou em estágios iniciais de infestação.

Roçadas, cortes localizados, gradagens e retirada mecânica das touceiras ainda fazem parte da realidade de diversas propriedades. 

No entanto, devido à elevada capacidade de rebrota dessas gramíneas, o controle mecânico isolado normalmente apresenta baixa eficiência a longo prazo, especialmente em áreas já severamente infestadas. 

Recuperação da pastagem

Outro ponto fundamental dentro do manejo é a recuperação da pastagem. Pastos degradados, com baixa fertilidade, falhas de cobertura vegetal e excesso de pastejo criam um ambiente altamente favorável para o avanço das invasoras. 

Por isso, práticas como correção do solo, adubação, manejo adequado da lotação animal e escolha correta das forrageiras são essenciais para aumentar a competitividade do pasto e reduzir o espaço disponível para essas plantas daninhas. 

Manejo preventivo é essencial

O maior erro em muitas propriedades é esperar a infestação avançar para iniciar o controle.

O monitoramento frequente da pastagem permite identificar os primeiros focos e agir rapidamente, reduzindo custos e evitando perdas maiores no sistema produtivo.

Quanto mais cedo o controle começar, maiores tendem a ser as chances de recuperação eficiente da área.

Capim-capeta e capim-navalha exigem atenção constante

Nos últimos anos, novas tecnologias também vêm sendo estudadas e utilizadas no manejo dessas invasoras, buscando aumentar a eficiência do controle e reduzir os índices de rebrota. Entre elas, o Top Ultra tem chamado atenção de produtores e técnicos por atuar como uma tecnologia complementar no manejo do capim-capeta e do capim-navalha.

Segundo informações apresentadas por especialistas do setor, o produto atua diretamente sobre processos fisiológicos da planta, buscando potencializar o controle e dificultar a recuperação das invasoras após a aplicação. A tecnologia tem sido utilizada principalmente em áreas com histórico de resistência, alta infestação e dificuldade de manejo convencional.

Mesmo com o avanço das tecnologias disponíveis, especialistas reforçam que não existe solução isolada para o problema. O controle eficiente do capim-capeta e do capim-navalha depende da combinação entre manejo preventivo, monitoramento constante, recuperação da pastagem e uso correto das ferramentas disponíveis no campo.

Quer entender, na prática, como o capim-capeta e o capim-navalha estão comprometendo a produtividade das pastagens e quais estratégias vêm sendo utilizadas para controlar essas invasoras?

Assista ao corte do MF Cast Expert com Danilo Dalle Vedove e aprofunde o tema no episódio completo, com uma análise detalhada sobre os desafios e as soluções para o manejo dessas plantas no campo.

Autor

  • Ana Carolina Verri

    Médica Veterinária,
    Especialista em Qualidade do Alimento de Origem Animal.