Como reduzir a mortalidade de bezerros? Essa é uma das perguntas mais urgentes da pecuária brasileira. A taxa nacional de mortalidade até o desmame é estimada entre 8% e 10%, o que representa até 100 animais perdidos em uma fazenda com mil nascimentos por ano. E o dado mais impactante: 70% dessas mortes são registradas nos primeiros 30 dias de vida, em grande parte por falhas no manejo sanitário que poderiam ser evitadas com um custo de 0,5% a 3% do total de produção.
Foi sobre esse cenário que conversaram os médicos veterinários Hanna Prochno e Vitor Sartori, especialistas da JA Saúde Animal, no mais recente episódio do MF Cast Expert. O diagnóstico é claro: o produtor sabe que o problema existe, mas o impacto financeiro ainda é subestimado e a solução, muitas vezes, é deixada de lado.

O bezerro é o animal mais caro da fazenda… e o mais ignorado
Parece contraditório, mas faz sentido: o bezerro é considerado o animal mais caro da fazenda justamente porque não gera receita. Por isso, ele também é a última categoria em que o produtor quer investir. Quando os recursos precisam ser alocados, a prioridade é dada às vacas em lactação.
O problema é que esse raciocínio cobra um preço alto lá na frente. As perdas na fase de cria se acumulam silenciosamente e, quando o rombo é percebido pelo produtor, já foi perdido não só o animal, mas tudo que ele representaria nos próximos anos de produção.
Colostragem de bezerros: o cuidado mais importante nas primeiras horas de vida
A colostragem de bezerros é o ponto de partida de qualquer protocolo sanitário eficiente. Diferente dos humanos, os anticorpos não são transferidos ao bezerro pela placenta durante a gestação. O tipo de placenta bovina, chamado epiteliocorial, impede essa transferência. Isso significa que 100% da imunidade passiva do bezerro precisa ser obtida pelo colostro.
Além disso, o tempo é determinante. A janela de absorção das imunoglobulinas pelo intestino do bezerro é fechada progressivamente. Hoje, nas fazendas mais tecnificadas, 6 horas são estabelecidas como limite para a primeira oferta de colostro. Após esse período, os enterócitos, células intestinais responsáveis pela absorção, têm seus receptores fechados e a imunidade passiva deixa de ser transferida de forma eficiente.
A quantidade recomendada é de 10% do peso vivo nas primeiras 2 horas e mais 5% entre 2 e 8 horas após o nascimento. Para uma bezerra de 40 quilos, isso representa 4 litros logo nas primeiras horas e mais 2 litros na sequência.
Os 3 Qs do colostro: quantidade, qualidade e rapidez
Não basta oferecer colostro. Ele precisa ser fornecido em quantidade adequada, com qualidade garantida e de forma rápida, os chamados 3 Qs.
A qualidade pode ser medida com o refratômetro de Brix, equipamento encontrado por cerca de R$ 120 e que fornece resultado em 30 segundos. Colostro com leitura acima de 22% de sólidos já é considerado adequado. Nas fazendas mais criteriosas, apenas amostras acima de 25% são destinadas ao banco de colostro.
Mas a qualidade não é determinada somente pela concentração de imunoglobulinas. Colostro com alta contaminação bacteriana tem sua capacidade de transferência de anticorpos prejudicada, porque as bactérias competem pelos mesmos sítios de ligação no intestino. Por essa razão, a higiene na coleta e o armazenamento correto são inegociáveis. O colostro deve ser congelado em sacos plásticos rasos e descongelado em banho-maria a no máximo 60°C. O micro-ondas pode parecer mais prático, mas o calor desigual que ele gera provoca a desnaturação das proteínas do colostro, e as imunoglobulinas são destruídas antes mesmo de o bezerro mamar.
Para fazendas que ainda não têm estrutura ideal: comece com o que está ao alcance. Um banco de colostro numa garrafa PET congelada já pode ser o suficiente para salvar um bezerro.

Cura do umbigo em bezerros: a porta de entrada que ninguém vê
A cura do umbigo é outro cuidado frequentemente deixado de lado pelos produtores, sem que o estrago causado por essa negligência seja dimensionado. Logo após o nascimento, o umbigo do bezerro ainda está aberto e úmido, o que o torna uma porta de entrada direta para bactérias presentes no ambiente, no chão, na cama e até no ar. É como uma ferida exposta num recém-nascido: se não for tratada logo, vira caminho livre para infecção.
E o problema não fica só no umbigo. Quando a infecção é instalada, ela pode ser espalhada pelo organismo do bezerro por caminhos que raramente são associados à origem pelo produtor. Um animal mancando sem motivo aparente, com as articulações inchadas, pode estar sofrendo as consequências de um umbigo mal curado dias antes. Em casos mais graves, a infecção é levada ao fígado ou ao abdômen e o bezerro não resiste.
Para o tratamento dessas infecções umbilicais, o Probezerro é o produto de referência da JA Saúde Animal. Ele foi desenvolvido para a realidade do campo: em vez de dois produtos serem aplicados separadamente, um para a infecção e outro para as larvas de mosca que costumam aparecer no umbigo inflamado, uma única dose já é suficiente para resolver as duas situações. Para quem trabalha no corte, onde pegar o bezerro já é difícil, essa praticidade é percebida na rotina e reduz o risco de erro na hora da aplicação.

Diarreia em bezerros: o maior vilão dos 30 primeiros dias
A diarreia em bezerros é apontada como a principal causa de morte na fase de cria. O que mata não é o agente causador em si, mas a desidratação e o desequilíbrio eletrolítico que são provocados por ela. Por isso, a primeira resposta a um bezerro com diarreia deve sempre ser a reidratação.
Nesse contexto, o Probacter Bezerro, da JA Saúde Animal, foi desenvolvido especificamente para essa fase. Até os 30 dias, o bezerro ainda é um monogástrico, ou seja, sua flora intestinal é completamente diferente da de um ruminante adulto. Por essa razão, o produto conta com bactérias específicas para colonização intestinal nessa fase, vitamina A em alta concentração, glutamina, principal combustível das células do intestino, e colostro, que auxilia na maturação e recuperação do intestino após quadros de diarreia.
O produto pode ser utilizado tanto na prevenção quanto no suporte ao tratamento. E há uma razão importante para isso: 80% das células do sistema imune estão localizadas no intestino. Cuidar da microbiota do bezerro desde os primeiros dias é, na prática, cuidar da imunidade dele.

A redução da mortalidade de bezerros começa com informação
A colostragem adequada, a cura do umbigo, o controle da diarreia e o cuidado com a microbiota intestinal são práticas que, quando aplicadas de forma correta, podem transformar os resultados do bezerreiro. Mais do que produtos ou protocolos, o que faz a diferença é o entendimento de por que cada etapa é importante e como ela impacta a saúde e o desenvolvimento do animal ao longo da vida.
Quer entender ainda mais sobre mortalidade de bezerros, manejo sanitário e saúde na fase de cria? Assista ao episódio completo do MF Cast Expert com Hanna Prochno e Vitor Sartori e descubra como a aplicação dessas práticas pode transformar os resultados do bezerreiro na sua fazenda.