Capim-Capeta e Capim-Navalha: As plantas invasoras que estão reduzindo a lotação das pastagens no brasil

Capim-Capeta e Capim-Navalha: As plantas invasoras que estão reduzindo a lotação das pastagens no brasil

O avanço do capim-capeta e do capim-navalha tem preocupado pecuaristas de diferentes regiões do Brasil. Essas plantas invasoras vêm reduzindo drasticamente a capacidade produtiva das pastagens, aumentando os custos de manejo e comprometendo a rentabilidade das fazendas.

Durante entrevista ao programa MF Cast Expert, da MF TV, o engenheiro agrônomo e especialista em pastagens Danilo Dalle Vedove explicou como essas invasoras se espalham rapidamente, quais prejuízos causam ao produtor rural e quais soluções vêm sendo utilizadas para o controle.

O que é o capim-capeta e por que ele preocupa tanto?

O capim-capeta, conhecido cientificamente como Sporobolus indicus, é uma planta invasora de folha estreita que compete diretamente com as principais forrageiras utilizadas na pecuária brasileira.

Segundo Danilo, o grande desafio está justamente na semelhança entre a invasora e o capim da pastagem.

Além disso, o capim-capeta possui características extremamente agressivas:

  • Produz entre 200 e 250 mil sementes por planta ao ano
  • Possui germinação superior a 90%
  • As sementes podem permanecer viáveis no solo por até 10 anos
  • Se espalha pelo vento, animais, tratores e caminhonetes
  • Compete por água, luz e nutrientes com a forrageira

O resultado é uma perda progressiva da capacidade de suporte da propriedade.

Duas imagens, a esquerda a semente do capim-capeta e a direita a touceira que é formada
Identificação de campo do capim-capeta (Sporobolus indicus): detalhe da estrutura reprodutiva e sementes (esquerda) e o aspecto geral da touceira invasora (direita).

Infestação pode reduzir drasticamente a lotação animal

De acordo com o especialista, áreas com alta infestação podem sofrer uma queda severa na produtividade.

Pastagens com cerca de 70% de infestação por capim-capeta podem apresentar lotação inferior a 0,3 UA por hectare, enquanto um pasto saudável poderia sustentar de 0,7 a 1 cabeça por hectare.

Isso acontece porque a planta forma um sistema radicular extremamente agressivo.

Embora visualmente pareça pequena, cada planta pode desenvolver uma “sapata” radicular de até 40 centímetros de largura, impedindo o desenvolvimento da forrageira ao redor. Ele libera substâncias pelas raízes que dificultam a germinação de outras plantas.

Como identificar o capim-capeta na pastagem?

O produtor rural deve ficar atento principalmente aos corredores da fazenda, beiras de estrada e áreas de tráfego frequente de animais e máquinas, já que esses locais costumam ser os primeiros pontos de infestação do capim-capeta nas pastagens. 

A planta possui características muito marcantes, como o aspecto amarelado durante o período chuvoso, presença constante de sementes ao longo do ano, pouca área foliar e aparência semelhante a uma planta de arroz seca, o que facilita sua identificação no campo. 

Segundo o engenheiro agrônomo Danilo Dalle Vedove, muitos pecuaristas demoram para iniciar o controle porque acreditam que o problema está relacionado apenas à baixa fertilidade do solo. No entanto, o capim-capeta já está presente tanto em áreas pobres quanto em pastagens altamente férteis, tornando-se uma das principais plantas invasoras da pecuária brasileira. 

Capim-navalha também causa prejuízos severos

Outro problema que vem avançando rapidamente nas pastagens brasileiras é o capim-navalha, também conhecido em diferentes regiões do país como navalhão, capim-duro ou tiriricão.

Diferente do capim-capeta, essa planta invasora forma grandes touceiras e possui folhas extremamente cortantes, o que reduz drasticamente o consumo pelos animais. Além disso, o capim-navalha apresenta baixa digestibilidade, sendo considerado indigesto para o rebanho, o que compromete ainda mais o desempenho nutricional dos animais e reduz a eficiência da pecuária. 

A infestação normalmente começa em áreas úmidas, mas já se espalha para regiões mais altas, aumentando os prejuízos nas propriedades rurais. 

Além de competir diretamente com a forrageira por espaço, água e nutrientes, o capim-navalha dificulta o manejo do rebanho, reduz a capacidade de pastejo e contribui para a perda de produtividade das pastagens. 

Duas imagens, a esquerda a forma de infestação do capim e a direita sua semente
Infestações de capim-navalha (Paspalum virgatum) em pastagem (à esquerda) e detalhe das suas características sementes dispostas em fileiras densas (à direita).

Por que os métodos tradicionais falham?

Ao longo dos anos, muitos produtores tentaram diferentes estratégias para controlar as invasoras:

  • Gradagem
  • Queima
  • Controle manual
  • Herbicidas convencionais

No entanto, os resultados costumam ser temporários.

A queima, por exemplo, pode piorar a infestação ao quebrar a dormência das sementes presentes no solo.

Já a gradagem expõe ainda mais o banco de sementes, favorecendo a germinação das invasoras antes da formação do capim desejado.

O impacto econômico da infestação nas fazendas

A perda de produtividade causada pelo avanço do capim-capeta e do capim-navalha vai além da redução da lotação animal.

Com menos capacidade de suporte, o pecuarista:

  • Produz menos arrobas por hectare
  • Precisa investir mais em reforma de pastagem
  • Gasta mais com herbicidas
  • Reduz a rentabilidade da propriedade

Segundo o especialista, muitos produtores só percebem a gravidade do problema anos depois, quando a infestação já tomou grande parte da fazenda.

Tecnologia busca aumentar eficiência do controle de plantas invasoras

Durante a entrevista, Danilo explicou que as pesquisas para encontrar uma solução eficiente contra o capim-capeta e o capim-navalha começaram em 2018. 

O principal desafio era desenvolver uma tecnologia capaz de controlar plantas invasoras de folha estreita sem prejudicar as forrageiras da pastagem, como braquiária, mombaça e zuri, além de permitir aplicação via drone, trator, avião e bomba costal.

Segundo o especialista, foi desse trabalho que surgiu o Top Ultra, tecnologia desenvolvida para bloquear os mecanismos naturais de defesa das plantas invasoras, aumentando a eficiência dos herbicidas utilizados no manejo. 

Danilo destacou que muitas invasoras conseguem neutralizar parcialmente os produtos convencionais, o que faz com que a planta amarela inicialmente, mas volte a rebrotar semanas depois. Com o bloqueio dessas defesas, o controle se torna mais eficiente e duradouro.

Outro ponto destacado foi a recuperação acelerada das pastagens após o controle. Com a eliminação da competição por água, luz e nutrientes, a forrageira volta a se desenvolver com mais vigor, melhorando a capacidade de suporte da área e aumentando a produtividade da pecuária.

Solução tecnológica para o controle de pragas: combinação do defensivo natural (TOPULTRA) com óleo vegetal espalhante adesivo (TOPFIX) visando otimizar a eficiência de aplicação e o período residual no campo.

O cenário atual das plantas invasoras na pecuária 

O avanço do capim-capeta e do capim-navalha já se tornou um dos principais desafios da pecuária brasileira. 

Durante o episódio do MFCast Expert, o engenheiro agrônomo Danilo Vedove detalhou os impactos dessas plantas invasoras, explicou como ocorre a disseminação nas propriedades rurais e apresentou tecnologias utilizadas atualmente no controle dessas pragas.

Assista o  episódio completo que está disponível no YouTube.

Autor

  • Ana Carolina Verri

    Médica Veterinária,
    Especialista em Qualidade do Alimento de Origem Animal.