Mandioca: São Paulo é referência mundial em pesquisa científica

Mandioca: São Paulo é referência mundial em pesquisa científica

Os indígenas já cultivavam a mandioca (também conhecida em algumas regiões do país como macaxeira ou aipim) muito antes da chegada dos portugueses ao Brasil.

Há quem diga que ela nasceu no Brasil e depois se espalhou pelo mundo. De qualquer maneira, somos o segundo maior produtor, perdendo apenas para a Nigéria.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 700 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento consomem a mandioca, sendo eleita como o alimento mais importante do século XXI.

De alto valor nutritivo e fonte de energia, é usada tanto na alimentação humana (cozida ou crua em diversos pratos culinários e na forma de farinha), animal e atualmente no setor industrial, através dos seus subprodutos.

Mandioca crua e farinha num pote e colher
A mandioca é utilizada em diversos setores, até mesmo fora de alimentação

Pesquisa científica

Com tanta versatilidade da mandioca, cabem aos pesquisadores desenvolverem novas variedades para aumentar tanto a sua qualidade, produtividade e também utilização em novos segmentos.

Um trabalho científico de destaque ocorre no Estado de São Paulo, desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC-APTA), órgão ligado à Secretaria da Agricultura  e Abastecimento.

Aliás, São Paulo se tornou referência mundial no desenvolvimento de pesquisas cientificas com essa cultura.

Os técnicos conseguiram, por exemplo, aumentar em 20 vezes a quantidade de vitamina A da mandioca, a partir da variedade “amarela” que ganhou a preferência dos lares por ter uma  textura macia (desmancha na boca), sabor até meio adocicado, e de rápido cozimento.

O IAC desenvolveu variedades específicas para o uso industrial para produção de farinha de mandioca, fécula e polvilho, cultivadas em diversos estados brasileiros.

Uma delas (o IAC 12), por exemplo, é a variedade que sustenta boa parte da produção industrial no Cerrado brasileiro, por ser resistente à bacteriose, tolerância ao complexo de pragas, alta produtividade e teor de matéria seca.

Contribuição

Graças ao esforço científico dos pesquisadores paulitas, São Paulo aos poucos está se destacando no cultivo nacional da mandioca.

Embora seja apenas o nono colocado em área cultivada (apenas 3% do total), o Estado subiu para a quinta colocação no ranking em quantidade de mandioca produzida (1 milhão 142 mil toneladas – 5,5% do país).

O maior destaque é na produtividade por hectare: ocupa a segunda colocação no país (24,5 ton/ha), perdendo apenas para o Acre (27,9 ton/ha), que é o maior produtor nacional, segundo levantamento da Embrapa.

Mandioca em pilha
São Paulo ocupa o segundo lugar no quesito produção por hectare

Indústria

De olho principalmente no mercado industrial, na aplicação dos subprodutos da mandioca, os produtores paulistas contam com apoio das unidades da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) que atuam no trabalho científico avaliando em diferentes tipos de solo e os melhores ambientes de produção.

Uma dessas unidades fica em Assis/SP, no Médio Paranapanema. A região se destaca como o principal produtor de mandioca industrial paulista, representando 24% da produção paulista (252 mil toneladas).

Nas indústrias de celulose, por exemplo, o amido tem diferentes funções na produção de papel. Pode ser usado para acabamento na superfície do papel, contribuindo para determinar características como cor, absorção de água e textura. Pode ser utilizado, também, internamente, na formação da folha.

Hoje é usada até na indústria de compensados de madeira (painéis ou chapas fabricadas a partir de lâminas de madeira, relativamente finas). A raspa pode substituir a farinha de trigo na colagem de lâminas de compensados.

Portanto, a brasileiríssima mandioca está presente na mesa dos lares, nas indústrias e a cada dia é uma das que mais vêm passando pelo processo de pesquisa científica graças aos inúmeros benefícios.

Veja também: Embrapa desenvolve nova variedade de mandioca com maior produtividade