A produtividade de uma pastagem não depende apenas de fazer o capim crescer. Para que a área realmente produza, é preciso olhar para o solo, os nutrientes, as raízes e também para a forma como o rebanho aproveita a forragem.
É a partir dessa visão que Danilo Dalle Vedove apresenta a adubação biológica como uma alternativa para o produtor.
Durante o MF Cast Expert, o especialista explicou como surgiu o desenvolvimento do BIO NP e quais são as possibilidades de atuação da tecnologia dentro do sistema produtivo.
Mais do que falar sobre um produto, Danilo propõe uma mudança na forma de enxergar a pastagem. Afinal, quando o produtor entende o pasto como uma lavoura, a preocupação deixa de estar apenas naquilo que aparece na superfície.
O pasto também precisa ser tratado como uma lavoura
Uma das principais ideias apresentadas por Danilo é justamente essa: o pecuarista precisa se tornar um agricultor de pasto.
A lógica é simples. Em uma lavoura, o produtor prepara o solo, fornece nutrientes e acompanha o desenvolvimento da cultura até a colheita.
Na pecuária, o processo não é tão diferente. A diferença é que, nesse caso, o próprio animal funciona como a colheitadeira.
Por isso, a pastagem precisa produzir continuamente. Ao mesmo tempo, o produtor precisa repor os nutrientes retirados pelo rebanho para manter o potencial produtivo da área.
Essa mudança de olhar é importante porque muitos produtores ainda enxergam a pastagem apenas como o lugar onde o gado fica.
No entanto, quando o produtor passa a tratar o pasto como uma cultura produtiva, decisões relacionadas à fertilidade, à escolha da forrageira, à adubação e ao manejo ganham outro peso.
Uma tecnologia que pode acompanhar diferentes realidades
Embora a adubação seja importante para a produção do pasto, levar fertilizantes para grandes áreas pode representar um desafio.
Além do investimento nos insumos, a operação pode exigir máquinas, equipamentos e mão de obra. Entretanto, nem toda propriedade conta com a mesma estrutura.
Existem ainda áreas com características que dificultam a entrada de máquinas. Por isso, durante o desenvolvimento do BIO NP, uma das preocupações foi encontrar uma alternativa que pudesse acompanhar diferentes realidades no campo.
O produto pode ser aplicado com diferentes equipamentos, como drone, avião, trator e bomba costal. Dessa forma, a aplicação pode ser adaptada à estrutura disponível na propriedade.

Essa possibilidade permite considerar diferentes tamanhos e condições de produção. Afinal, uma propriedade pequena não necessariamente terá a mesma estrutura de uma grande fazenda.
Assim, a proposta é adequar a aplicação à realidade de cada produtor.
O que acontece quando o nutriente está no solo, mas não está disponível?
Para entender a proposta da adubação biológica, é preciso olhar para algo que nem sempre pode ser visto.
Um nutriente pode estar presente no solo e, ainda assim, não estar disponível para a planta.
O fósforo é um exemplo. Parte desse nutriente pode ficar retida no solo, inclusive pela interação com a argila ou com o alumínio. Dessa maneira, o elemento está presente no sistema, mas não necessariamente acessível à planta.
É nesse ponto que entram os microrganismos utilizados no BIO NP.
A proposta é ajudar a disponibilizar esse fósforo para a planta. Portanto, em vez de olhar somente para aquilo que precisa ser colocado na área, a tecnologia também busca melhorar o aproveitamento dos nutrientes que já estão no sistema.
Essa é uma das principais diferenças na lógica apresentada por Danilo: não se trata apenas de adicionar nutrientes, mas também de melhorar seu aproveitamento.
A adubação não olha apenas para a folha
Quando o produtor pensa em adubar a pastagem, é natural esperar que o resultado apareça no crescimento do capim.
Porém, a planta é muito mais do que aquilo que aparece acima do solo.
O BIO NP atua em diferentes pontos do desenvolvimento da planta, incluindo a parte aérea, o perfilhamento e as raízes.
Um dos microrganismos utilizados na formulação está relacionado à fixação de nitrogênio. Essa atuação pode contribuir para a formação de massa de forragem.
A variação citada é de 20 a 60 quilos de nitrogênio por hectare, dependendo de fatores como fertilidade natural e região. Como referência, Danilo menciona uma média de 40 quilos de nitrogênio por hectare.
Outro microrganismo atua na disponibilização do fósforo presente no solo.
Com isso, a proposta é trabalhar diferentes pontos do desenvolvimento da planta, em vez de concentrar sua atuação apenas no crescimento da parte aérea.
E as raízes também entram nessa conta
Se a parte que o produtor enxerga é importante, aquilo que está escondido no solo também merece atenção.

Danilo compara a raiz à “boca da planta”. A ideia é mostrar que o desenvolvimento radicular interfere na capacidade da planta de explorar o ambiente em que está inserida.
Por isso, outra frente apresentada envolve justamente as raízes.
O terceiro microrganismo utilizado na formulação atua nessa região e contribui para o desenvolvimento do sistema radicular.
Na prática, isso reforça uma ideia importante: uma pastagem produtiva não deve ser avaliada apenas pela quantidade de folhas que apresenta.
É preciso considerar também o que acontece abaixo do solo.
A tecnologia também pode ser utilizada em outras culturas
Embora a pastagem seja o principal foco, a proposta não está limitada ao capim.
Culturas como café, milho, cana e amendoim também aparecem entre as possibilidades de utilização.

Isso acontece porque os processos relacionados à disponibilidade de nutrientes e ao desenvolvimento das raízes também são importantes para diferentes culturas.
No caso do milho, por exemplo, Danilo menciona uma experiência em que houve redução de 15% a 20% do nitrogênio utilizado, mantendo a produção, de acordo com os resultados apresentados durante a conversa.
Ainda assim, a empresa mantém a pastagem como sua principal especialização.
Mais do que adubar, é preciso entender o sistema

Ao longo do episódio, a discussão sobre o BIO NP leva a uma questão maior: a produtividade de uma pastagem depende de diferentes fatores que precisam ser considerados em conjunto.
O produtor precisa analisar o solo, fornecer à planta aquilo de que ela necessita, favorecer o desenvolvimento das raízes e entender como aproveitar a forragem produzida.
Nesse contexto, a proposta apresentada por Danilo vai além da aplicação de um produto.
A adubação biológica busca atuar em diferentes pontos do sistema, como a disponibilidade de nutrientes e o desenvolvimento da planta e das raízes. Ao mesmo tempo, a tecnologia procura melhorar o aproveitamento daquilo que já está presente no solo.
Além disso, a aplicação precisa fazer sentido dentro da realidade da propriedade.
Afinal, uma solução precisa ser aplicável à rotina do produtor para que possa fazer parte do manejo.
É justamente essa visão que Danilo apresenta ao longo do MF Cast Expert: olhar para a pastagem como um sistema produtivo, e não apenas como uma área para alimentar o gado.
Quer entender como o BIO NP foi desenvolvido, como funciona a proposta da adubação biológica e quais resultados Danilo Dalle Vedove apresenta durante a conversa? Assista ao episódio completo do MF Cast Expert.