Para Allan Gorgen, o agronegócio não foi uma escolha feita em determinado momento da vida. Foi o ambiente em que nasceu. Filho de uma família ligada ao setor, acompanhou desde cedo a rotina das fazendas e das empresas.
A família Gorgen é proprietária do Grupo GEES S/A, um dos negócios ligados à trajetória empresarial da família no agronegócio.
Foi nesse ambiente que Allan começou a construir sua própria trajetória. Aos 16 anos, entrou na empresa da família como auxiliar administrativo. Em vez de assumir uma posição de liderança, passou por diferentes áreas e conheceu de perto as operações.
Essa experiência ajudou a formar uma visão própria sobre gestão, sucessão e empreendedorismo no agronegócio.
Allan Gorgen começou a trabalhar aos 16 anos
Aos 16 anos, Allan Gorgen começou a trabalhar como auxiliar administrativo. A partir dali, passou por diferentes setores da empresa e acompanhou operações em Balsas e São Luís, no Maranhão.
Também esteve próximo da logística, do escritório central e das operações portuárias. Dessa forma, a rotina permitiu conhecer diferentes etapas do negócio antes de assumir funções de maior responsabilidade.
“Eu fiz a escadinha da empresa”, contou durante o MF Cast.
Aos 21 anos, chegou à diretoria de operações. Até alcançar essa posição, construiu uma formação baseada na prática e no contato com diferentes áreas da organização.
O caminho também influenciou sua visão sobre empreendedorismo. Por isso, conhecer a operação antes de tomar decisões é parte importante da construção de um negócio.
A experiência que moldou sua visão sobre sucessão familiar
A sucessão familiar é outro ponto importante na trajetória de Allan Gorgen.
Empresas familiares enfrentam o desafio de preparar a próxima geração sem transformar o parentesco em uma obrigação de gestão. Assim, sucessão familiar e sucessão empresarial podem seguir caminhos diferentes.
Os filhos podem participar do conselho ou de outras estruturas estratégicas, enquanto a gestão fica sob responsabilidade de profissionais preparados.
Essa lógica também aparece quando o assunto são os próprios filhos. Fazer parte de uma família empreendedora não significa, necessariamente, assumir os negócios dos pais.
O mais importante é encontrar uma função que combine interesse, preparação e capacidade para contribuir com o negócio.
A própria trajetória de Allan seguiu esse caminho. Mesmo dentro de uma família ligada ao agronegócio, ele começou na base e avançou gradualmente pelas diferentes áreas.
“O agro está no sangue”
A relação com o agronegócio também ultrapassa a questão profissional.
“O agro tá no sangue”, resume Allan.
A frase ajuda a explicar uma visão que aparece em diferentes momentos da entrevista. Ou seja, o agronegócio não deve ser encarado apenas como uma oportunidade de investimento.
Existe uma relação direta entre produção, terra, gestão, clima e operação. Por isso, o resultado financeiro precisa estar ligado à construção de um negócio sustentável.
Entrar no setor apenas pela expectativa de ganhar dinheiro pode não ser suficiente. Antes do resultado, existe a necessidade de entender a atividade e conhecer os desafios da produção.
De Balsas para Goiânia: uma nova fase empreendedora
Depois de anos dentro da estrutura familiar, a trajetória profissional ganhou um novo rumo.
Em 2018, Allan deixou a empresa após a separação dos pais. Retornou posteriormente por um período, mas iniciou uma nova fase depois de deixar novamente a organização.
A mudança para Goiânia marcou esse momento. Ao lado da família, começou a estruturar novos negócios e passou a olhar para o agronegócio por diferentes perspectivas.
Além disso, a localização também ganhou importância. Goiânia está inserida em uma região estratégica para a circulação de produtos, serviços e negócios ligados ao campo.
Nesse novo momento, o empreendedorismo passou a ocupar um espaço ainda maior em sua trajetória.
Crédito mais próximo da realidade do produtor rural
Entre as frentes desenvolvidas está a atuação com crédito para o agronegócio.
A proposta parte de uma questão prática: entender o que realmente acontece dentro da propriedade antes de oferecer uma solução financeira.
Um produtor pode precisar de uma máquina para aproveitar uma janela de colheita, por exemplo. Nesse caso, o crédito deixa de ser apenas uma operação financeira e passa a fazer parte da estratégia da propriedade.
Essa aproximação também pode ajudar a identificar dificuldades antes que elas se transformem em problemas maiores.
O objetivo é criar uma relação mais próxima com o produtor rural, conhecendo sua operação, seus custos e suas necessidades.
Tecnologia e gestão para transformar a fazenda
A busca por novos negócios também está ligada à tecnologia.
O agronegócio ainda possui espaço para avançar em gestão, monitoramento e uso de dados. Por isso, a proposta é aproximar a produção rural de ferramentas que já fazem parte de outros setores da economia.
Drones, mapeamento e sistemas de análise podem ajudar a identificar problemas antes que eles resultem em prejuízos.
Na pecuária, a inteligência artificial também pode ser utilizada para acompanhar o consumo de alimento no cocho e identificar situações que exigem atenção.
O princípio é simples: transformar informação em decisão.
Com mais dados sobre a operação, o produtor consegue entender melhor seus custos, identificar gargalos e tomar decisões com maior precisão.
Rancho Belo Amanhecer reúne produção, tecnologia e empreendedorismo
O Rancho Belo Amanhecer representa uma das principais iniciativas dessa nova fase.

O projeto foi pensado como um ambiente de integração entre produção, tecnologia, empresas e conhecimento. Nesse sentido, a estrutura reúne áreas experimentais e diferentes atividades ligadas ao agronegócio.
Entre elas estão projetos de produção, confinamento, leite e queijo, além de espaços para hospedagem e eventos.
A proposta vai além de produzir. O objetivo é criar um ambiente em que empresas possam apresentar soluções e produtores tenham contato direto com tecnologias e modelos de produção.
Assim, uma ferramenta deixa de ser apenas uma promessa comercial e pode ser observada funcionando no campo.
Compartilhar resultados para desenvolver o agronegócio
Outro ponto presente no projeto é o compartilhamento de conhecimento.
A proposta é mostrar não apenas os resultados positivos, mas também os erros e os desafios encontrados durante a implantação das tecnologias e dos sistemas de produção.
Essa abertura pode transformar o projeto em um espaço de experimentação para o próprio agronegócio.
Na prática, produtores podem acompanhar diferentes modelos, comparar resultados e entender como determinadas soluções funcionam dentro de uma operação real.
O conceito também está relacionado à necessidade de melhorar a gestão das propriedades.
Conhecer os custos, entender para onde o dinheiro está indo e saber qual preço é necessário para manter a atividade são pontos fundamentais para uma produção mais eficiente.
Um novo momento na trajetória de Allan Gorgen
Aos 16 anos, Allan Gorgen começou na base da empresa da família. Aos 21 anos, entretanto, chegou à diretoria. Desde então, constrói uma trajetória própria no empreendedorismo, com projetos que envolvem produção, tecnologia, crédito e gestão no agronegócio.
A história, os desafios e os novos negócios de Allan Gorgen foram tema do MF Cast.
Quer conhecer essa trajetória de perto? Assista ao episódio completo e confira a conversa sobre empreendedorismo, sucessão e os novos caminhos do agronegócio.