Cigarrinha das pastagens: quando os sintomas aparecem, o prejuízo já começou

Cigarrinha das pastagens: quando os sintomas aparecem, o prejuízo já começou

A cigarrinha das pastagens está entre as principais pragas que afetam a pecuária brasileira. Embora seja um problema conhecido pelos produtores, ainda é comum que o controle seja iniciado apenas quando os danos já são visíveis na área.

No entanto, esse é justamente um dos maiores erros no manejo da praga. Quando o pasto começa a apresentar amarelamento, perda de vigor e redução no crescimento, a cigarrinha já completou boa parte do seu ciclo e os prejuízos econômicos podem ser significativos.

Além disso, o cenário tem se tornado ainda mais desafiador com o avanço de novas espécies capazes de atacar diferentes tipos de forrageiras utilizadas na pecuária nacional.

Por isso, compreender o comportamento da cigarrinha das pastagens, seus impactos e as estratégias de controle disponíveis tornou-se essencial para preservar a produtividade e a longevidade das áreas de pastagem.

O que é a cigarrinha das pastagens?

A cigarrinha é um inseto sugador que se alimenta da seiva das plantas forrageiras. Durante esse processo, ela injeta substâncias tóxicas que prejudicam o desenvolvimento da planta e comprometem sua capacidade de recuperação.

Como consequência, a pastagem perde qualidade, reduz a produção de massa verde e apresenta menor capacidade de suporte animal.

Durante muitos anos, determinadas espécies de cigarrinhas estavam associadas principalmente a algumas variedades de braquiária. Entretanto, o cenário mudou significativamente nos últimos anos.

Atualmente, produtores de diversas regiões do país convivem com espécies mais agressivas e adaptadas a diferentes condições ambientais.

Degradação da pastagem

Por que a cigarrinha causa tantos prejuízos?

O principal problema está relacionado ao fato de que os danos começam muito antes dos sintomas aparecerem.

Após as primeiras chuvas da estação, os ovos depositados no solo iniciam seu desenvolvimento. Em seguida, surgem as ninfas, que permanecem protegidas por uma espuma característica localizada próxima à base das plantas.

Nesse período, muitos produtores acreditam que não existe ameaça na área. Contudo, a praga já está se alimentando e comprometendo o desenvolvimento da forrageira.

Dessa forma, quando os primeiros sinais visuais surgem, grande parte do potencial produtivo da pastagem já foi afetado.

Além disso, áreas afetadas tendem a apresentar menor capacidade de rebrote, redução no valor nutritivo da forragem e queda no desempenho animal.

O problema nem sempre está onde o produtor consegue enxergar

Um dos motivos que dificultam o controle da cigarrinha das pastagens é justamente a dificuldade de identificar o início da infestação.

Enquanto as ninfas permanecem protegidas pela espuma, os danos acontecem de forma silenciosa.

Posteriormente, quando os insetos atingem a fase adulta, passam a ser observados com maior facilidade. Entretanto, nesse momento, a população já se encontra estabelecida na área.

Por essa razão, especialistas destacam a importância do monitoramento constante, especialmente durante o período chuvoso.

Afinal, esperar que os sintomas apareçam pode significar agir tarde demais.

Como o clima influencia o desenvolvimento da praga?

As condições climáticas exercem influência direta sobre a população de cigarrinhas.

O início das chuvas, por exemplo, cria o ambiente ideal para a eclosão dos ovos que permaneceram no solo durante a estação seca.

Consequentemente, as populações começam a crescer rapidamente.

Ao mesmo tempo, temperaturas elevadas e disponibilidade de alimento favorecem o desenvolvimento das ninfas e aceleram o ciclo da praga.

Por isso, propriedades localizadas em regiões com longos períodos chuvosos costumam enfrentar maior pressão de infestação.

Qual a importância do controle preventivo?

Quando o assunto é cigarrinha das pastagens, a prevenção costuma ser mais eficiente do que ações corretivas.

Isso acontece porque o objetivo não deve ser apenas eliminar os insetos adultos, mas reduzir a população antes que os danos econômicos ocorram.

Dessa maneira, o monitoramento frequente das áreas permite identificar os primeiros sinais da infestação e adotar medidas de controle no momento adequado.

Além disso, estratégias preventivas normalmente apresentam melhor relação custo-benefício quando comparadas a intervenções realizadas após a explosão populacional da praga.

Controle biológico ganha espaço no manejo das pastagens

Nos últimos anos, o controle biológico passou a ocupar posição de destaque dentro dos programas de manejo integrado de pragas.

Essa tecnologia utiliza microrganismos capazes de atuar sobre diferentes fases do ciclo dos insetos, contribuindo para a redução das populações de forma sustentável.

Além disso, o controle biológico pode auxiliar na diminuição da dependência exclusiva de inseticidas químicos, favorecendo o equilíbrio ambiental e a preservação de organismos benéficos.

Consequentemente, muitos produtores têm incorporado essa ferramenta como parte de uma estratégia mais ampla de proteção das pastagens. 

Imagem do produto, Biotop inseticida agrícola biológico
Biotop: Inseticida agrícola biológico

Como proteger a produtividade da propriedade?

O primeiro passo é compreender que a cigarrinha não deve ser combatida apenas quando os sintomas aparecem. Pelo contrário, as propriedades que apresentam melhores resultados normalmente investem em monitoramento, planejamento e ações preventivas.

Além disso, a escolha adequada das forrageiras, a observação constante das áreas e a adoção de tecnologias de manejo podem reduzir significativamente os riscos de infestação.

Uma das estratégias que vem ganhando espaço no manejo da cigarrinha é o uso do Biotop. A tecnologia atua sobre a praga ainda na fase de ninfa, considerada uma das etapas mais importantes para o controle populacional. Isso porque, ao reduzir a quantidade de insetos que chegam à fase adulta, também diminui a capacidade de reprodução da cigarrinha, contribuindo para a redução gradual das infestações ao longo das safras. 

Outro diferencial destacado é que o produto permanece na área aguardando a eclosão dos ovos. Como nenhum produto consegue agir diretamente sobre os ovos da cigarrinha, o objetivo é controlar a ninfa assim que ela emerge. Assim, mesmo que a espuma continue aparecendo durante o período chuvoso, a tendência é que a população adulta seja reduzida e, consequentemente, os danos econômicos também diminuam.

A tecnologia também se destaca por combinar diferentes microrganismos e metabólitos produzidos durante o processo de fermentação. De acordo com o especialista, esses metabólitos possuem elevado poder inseticida e atuam em conjunto com os fungos presentes na formulação, ampliando a eficiência do controle biológico.

A cigarrinha das pastagens continua sendo uma das principais ameaças à produtividade pecuária no Brasil. No entanto, os maiores prejuízos geralmente ocorrem quando a identificação da praga acontece apenas após o aparecimento dos sintomas visíveis.

Por isso, investir em monitoramento, prevenção e manejo adequado é fundamental para proteger as forrageiras, reduzir perdas econômicas e garantir maior estabilidade ao sistema de produção.

Quer entender em detalhes como funciona o ciclo da cigarrinha das pastagens, conhecer os impactos da marranarva e descobrir como o Biotop atua no controle biológico da praga? Assista ao episódio completo do MF Cast Expert e aprofunde seu conhecimento sobre o tema.

Autor

  • Bárbara Gatto de Mattos

    Médica Veterinária com formação complementar em Medicina Preventiva e Saúde Pública. Graduanda em Tecnologia em Alimentos.