Como o bem-estar animal aumenta a lucratividade e a produtividade da pecuária

Como o bem-estar animal aumenta a lucratividade e a produtividade da pecuária

Durante muitos anos, o bem-estar animal foi tratado por parte dos produtores como um tema secundário ou até mesmo como uma “frescura”. No entanto, essa percepção vem mudando à medida que mais pecuaristas percebem que boas práticas de manejo geram resultados concretos dentro da fazenda.

Mais do que atender às exigências do mercado, investir em bem-estar animal significa aumentar a eficiência da produção, reduzir perdas e melhorar a lucratividade da pecuária. Nesse contexto, o manejo adequado deixa de ser apenas uma preocupação com os animais e passa a ser uma estratégia de gestão.

Um produtor rural olhando para o rebanho de bovinos, enquanto eles caminham calmamente
Um manejo calmo e organizado melhora o bem-estar animal sem exigir grandes investimentos em infraestrutura.

O maior erro é acreditar que bem-estar animal é “frescura”

Ainda hoje, muitos produtores associam o bem-estar animal a custos elevados e grandes investimentos em infraestrutura. No entanto, essa visão costuma surgir quando o tema é apresentado apenas como uma obrigação ou uma exigência externa.

Na prática, o bem-estar animal está diretamente relacionado aos resultados da fazenda. Quando o produtor entende que um manejo mais eficiente reduz perdas e melhora a produtividade, essa prática deixa de ser vista como um custo e passa a ser encarada como um investimento.

A rentabilidade da pecuária está nos detalhes

Atualmente, a margem da pecuária é cada vez mais apertada. Além disso, a volatilidade do mercado faz com que pequenos ganhos de eficiência tenham um impacto significativo no resultado financeiro da propriedade.

Nesse sentido, o bem-estar animal contribui para diversos fatores que influenciam diretamente a rentabilidade, como:

  • aumento da produtividade do rebanho;
  • redução do estresse durante o manejo;
  • mais segurança para a equipe;
  • menor desgaste das instalações;
  • redução dos custos com manutenção do curral;
  • maior eficiência nas operações da fazenda.

Como resultado, pequenas melhorias implementadas na rotina acabam gerando ganhos expressivos ao longo do tempo, tornando a atividade mais competitiva e lucrativa.

Bem-estar animal não significa gastar mais dinheiro

Entretanto, um dos principais equívocos é acreditar que implementar práticas de bem-estar animal exige construir um curral novo ou investir em estruturas modernas.

Na verdade, muitas mudanças dependem apenas da forma como o manejo é realizado. Por exemplo, é possível encontrar fazendas com instalações simples que apresentam excelentes resultados porque a equipe trabalha de maneira organizada e eficiente.

Da mesma forma, existem propriedades que fizeram altos investimentos em infraestrutura, mas continuam enfrentando dificuldades porque não desenvolveram uma cultura voltada para o manejo correto.

Ou seja, instalações adequadas são importantes, mas pessoas capacitadas e processos bem definidos continuam sendo os fatores que mais influenciam os resultados.

Pequenas mudanças podem gerar grandes resultados

Além disso, grande parte das práticas de bem-estar animal não exige investimento financeiro.

Em muitos casos, basta eliminar hábitos inadequados, organizar melhor a rotina da fazenda e capacitar a equipe para executar os manejos de forma mais eficiente.

Com isso, é possível reduzir o estresse dos animais, facilitar o trabalho dos colaboradores e evitar prejuízos que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia.

Uma equipa com pessoas capacitadas para organizar um manejo mais adequado
O bem-estar animal começa no planejamento: equipes capacitadas realizam manejos mais eficientes e com menos estresse para o rebanho.

A organização da fazenda também faz parte do bem-estar animal

Outro aspecto importante é a organização das atividades dentro da propriedade.

Os imprevistos fazem parte da rotina no campo. No entanto, quando não existe planejamento, os manejos acabam sendo realizados às pressas, aumentando a possibilidade de erros.

Por exemplo, durante um protocolo sanitário, parte do rebanho pode receber a vacinação corretamente, enquanto outra parte acaba sendo manejada de forma inadequada apenas para cumprir o cronograma. Como consequência, surgem falhas sanitárias que comprometem o desempenho do rebanho e aumentam os prejuízos da fazenda.

Por isso, organizar o tempo, planejar as operações e preparar a equipe também são práticas fundamentais para promover o bem-estar animal e melhorar os resultados da produção.

Bem-estar animal é uma estratégia para aumentar o lucro

No fim das contas, enxergar o bem-estar animal apenas como uma exigência do mercado significa deixar de aproveitar uma importante ferramenta de gestão.

Quando essa prática passa a fazer parte da cultura da fazenda, os benefícios aparecem em diferentes áreas da produção, desde a produtividade do rebanho até a redução de custos operacionais.

Dessa forma, o bem-estar animal deixa de representar um gasto e se transforma em um investimento capaz de aumentar a eficiência, melhorar os indicadores da propriedade e tornar a pecuária mais lucrativa.

Quer entender mais sobre como o manejo influencia a produtividade e a lucratividade da pecuária? Assista ao corte e confira todos os insights compartilhados pelo especialista.

Autor

  • Bárbara Gatto de Mattos

    Médica Veterinária com formação complementar em Medicina Preventiva e Saúde Pública. Graduanda em Tecnologia em Alimentos.