Uso de irrigação artificial de luz pode aumentar produtividade no campo

Uso de irrigação artificial de luz pode aumentar produtividade no campo

Um dos desafios dos técnicos é garantir cada vez mais o aumento da produtividade no campo. Genética, controle de pragas e doenças, a irrigação e o manejo da nutrição mineral, são alguns fatores que fazem essa diferença.

 

A cada dia que passa surgem novos experimentos que podem contribuir em muito nessa cadeia.

 

A novidade agora é a utilização de irrigação artificial de luz durante a florada e início do enchimento de grãos. Os primeiros resultados desse “banho de luz artificial” indicam um aumento na produtividade em mais de 60% na produção da soja.

 

Lavoura com pivôs de irrigação com luz de LED
A utilização de irrigação artificial de luz tem função de alongar o período de exposição da planta à luz.

 

A importância da iluminação

 

A iluminação natural é um dos fatores para o crescimento das plantas, durante a fotossíntese, uma das principais fontes de energia da natureza. Neste processo, convertem luz, dióxido de carbono, água e minerais em glicose e oxigênio.

 

Mas, a luz natural varia de acordo com a estação do ano e da latitude de localização da área.

 

Em regiões agrícolas de maiores latitudes (por exemplo, Estados Unidos e Europa), as variações de luminosidade são ainda mais expressivas. Tanto que em muitos casos, permite apenas uma grande safra agrícola por ano.

 

Pensando nessa limitação, o Grupo Fienile desenvolveu uma técnica inédita que promete “revolucionar” a produção agrícola.

 

A proposta é uma suplementação luminosa do cultivo agrícola por meio da instalação de painéis de iluminação artificial de alta eficiência (Light Emitting Diode) em pivôs de irrigação.

 

Isso permite não só irrigar água no sentido convencional, mas também irrigar luz sobre toda a lavoura de uma forma completamente controlável.

 

 

Primeiros resultados da irrigação artificial de luz

 

O “laboratório” de irrigação de água e luz está implantado numa propriedade no município de Monte Carmelo (MG).

 

As experiências começaram há quatro anos, mas essa é a primeira safra em escala comercial (100 hectares) com a utilização dessa tecnologia.

 

Segundo os técnicos da empresa, com apenas 40 dias de irrigação artificial de luz durante a noite (e durante o dia em períodos nublados), durante a florada e início do enchimento de grãos, houve um crescimento de 66% na produção da soja.

 

Isso representou um aumento na produtividade de 71 para 118 sacos por hectare na área em que foi adicionada a iluminação artificial ao padrão da fazenda.

 

Luzes direcionadas para a lavoura
Os primeiros resultados foram de aumento de até 66% na produtividade da soja

 

Além de aumentar a produtividade, o uso da suplementação luminosa tem reduzido a incidência de doenças e do ataque de pragas, embora os estudos ainda não tenham sido realizados com esse objetivo. Mas, se comprovados, poderão reduzir os custos de produção e o impacto ambiental da atividade agrícola.

 

A ideia, agora, é partir para o fornecimento de mais horas de luz, de diferentes bandas do espectro luminoso e com maior frequência, para revalidar os resultados já observados.

 

 

Pacote de tecnologia

 

Mas, essa produção acima da média também exigiu dos técnicos e do produtor adequações no manejo da cultura, da semeadura à colheita, na quantidade e no momento de aplicação dos nutrientes essenciais e benéficos.

 

O estudo agora está na possibilidade de redução da aplicação de fontes minerais (salinas e degradantes da dinâmica do solo) pela aplicação de fontes mais sustentáveis, como remineralizadores e a adição de matéria orgânica, do aumento da eficiência dos fertilizantes minerais existentes e de adubações verdes visando fixação de nutrientes no solo.

 

De acordo com o Grupo Fienile, ainda existem desafios pela frente, como descobrir o melhor espectro de luz aproveitado pela planta, dentro da sua genética e fenologia.

 

 

Base de dados

 

Em entrevista ao MF Rural, o consultor agrícola, Mateus Henrique Nunes Ferreira, que trabalha há cinco anos na safra de tomate industrial do Grupo Predilecta, explica que, como se trata de um projeto piloto, é preciso ter uma base de dados, com os resultados técnicos, para que o experimento possa ser utilizado em escala comercial.

 

Mas, o consultor observa que os primeiros resultados são realmente animadores e podem, sim, contribuir para o aumento da produtividade no campo para diversas culturas, como é o caso do sorgo, plantado normalmente em regiões secas e quentes.

 

Este cereal é usado no Brasil principalmente nas indústrias de ração animal, mas também usado na produção de pães, biscoitos, “snacks”, bolos e enriquecendo preparações.

 

Veja abaixo vídeos da visita do consultor agrícola, Mateus Henrique Nunes Ferreira em uma propriedade que está usando a irrigação artificial de luz em sorgo.

 

 

 

 

 

Ampliando horizontes

 

De acordo com os técnicos, a nova tecnologia não apresenta contraindicações e os resultados até agora são surpreendentes.

 

Pode permitir, por exemplo, plantar culturas que até então eram inviáveis no inverno devido à quantidade de horas de luz natural ser menor. Portanto, os horizontes podem ser ainda mais ampliados.

 

Veja também: Dicas de economia de energia: sistemas de irrigação