Conheça a história e evolução dos tratores agrícolas

Conheça a história e evolução dos tratores agrícolas

A evolução dos tratores agrícolas possibilitou a ampliação das atividades no campo, o aumento da produtividade e da lucratividade do produtor, contribuindo com o propósito de beneficiar as lavouras.

Com o passar dos anos foi possível observar mudanças não só quanto à parte visual e estética dos tratores, mas também com relação ao seu tamanho, motor, potência e finalidade de cada modelo.

Neste artigo, iremos abordar como se deu o surgimento dos tratores, a sua evolução, bem como os tipos de transmissão dessas máquinas. Confira!

Como surgiram os tratores?

Em 1776, no auge da Revolução Industrial, James Watt patenteou o primeiro motor a vapor existente. Já os primeiros tratores foram desenvolvidos por volta do ano de 1850 por Thomas Aveling. Eles utilizavam motores a vapor e, inicialmente, eram utilizados na tração de carretas.

Alguns anos mais tarde, em 1876, o motor à combustão foi patenteado por Nikolaus August Otto. Essa evolução chegou na agricultura em torno de 1890, quando começaram a ser fabricados os primeiros tratores de combustão interna.

Por volta do ano de 1904, as rodas foram substituídas por esteiras e, apenas três décadas depois, as esteiras deram lugar às rodas com pneus.

Porém, apenas em 1906 surgiu o termo “trator”. Um fabricante desses veículos, já utilizando o motor de combustão interna, anunciou em um folheto de divulgação o seu novo modelo de “tractor machine” (máquina de tracionar), que acabou consolidando-se como “tractor” (trator).

Imagem em preto e branco mostrando um homem em um dos primeiros modelos de tratores movidos a combustão. O trator conta com rodas de ferro e implemento em campo.
Os primeiros tratores agrícolas com motor de combustão foram criados em torno de 1890.

Os tratores apresentaram grande evolução no ano de 1919. Foi acrescentada uma extensão da árvore de manivelas, a tão conhecida TDP (Tomada de Potência), tornando possível não só a tração de implementos, como também o seu acionamento.

Até o final de 1920 os tratores eram movidos apenas por combustão interna ciclo Otto e, a partir daí, surgiram os motores de ciclo diesel, movidos a combustão por compressão.

No Brasil, o início da fabricação de tratores ocorreu no ano de 1959 com a instituição do Plano Nacional da Indústria de Tratores Agrícolas pelo governo federal. Até então, eles eram importados da América do Norte e da Europa.

Hoje, os tratores são indispensáveis na produção agrícola, não só aqui, mas em todo o mundo.

Evolução durante os anos

Desde os primeiros tratores até o surgimento dos existentes nos dias atuais, houve grande avanço tecnológico em sua fabricação e essa modernização vai muito além do fato de possuir uma cabine.

Até pouco tempo atrás, os tratores mais comuns eram os 4×2, que apresentavam rodado maior na traseira, pneus com garras, responsáveis pela tração do veículo, e pneus dianteiros menores, encarregados do esterçamento e apoio da máquina. Tratam-se de tratores que têm a sua distribuição de peso em 30% no rodado dianteiro e 70% no traseiro.

Com o aumento da demanda por máquinas maiores e com maior potência, já na década de 1970 houve também um crescimento considerável da presença de tratores 4×4 nas propriedades. A grande diferença entre esse modelo e o 4×2 fica por conta dos rodados traseiro e dianteiro, que são iguais e possuem tração permanente nas quatro rodas. O peso é distribuído de maneira uniforme entre os dois eixos e sua direção normalmente se dá pela articulação do chassi.

Trator 4x4, de cor vermelha, com semeadora acoplada. O trator está posicionado na diagonal em meio a um campo.
Com a necessidade de tratores maiores, houve um crescimento na demanda de tratores 4×4.

Já na década de 1980 foram criados os tratores 4×2 TDA, que são os tratores com tração dianteira auxiliar. Trata-se de uma máquina que mantém as dimensões de pneus maiores na traseira e menores na dianteira, porém com rodado de tração na dianteira.

Leia também: Como escolher o rodado duplo de tratores.

Evolução na potência dos tratores

Hoje, o mercado apresenta categorias distintas de tratores: leves ou pequenos (até 100 cavalos), moderados ou médios (100 a 200 cavalos), e pesados ou grandes (acima de 200 cavalos), empregados de acordo com as necessidades de cada agricultor. Alguns chegam a atingir mais de 680 cavalos de potência, o que é importante na execução de operações mais pesadas.

Existem também tratores autônomos, que dispensam a necessidade de operador e aqueles com marchas automáticas, normais ou híbridas. As toneladas do levante hidráulico estão crescendo cada dia mais.

Além disso, existem diferentes modelos de transmissão do trator, números de marchas e até mesmo opções com ou sem reversor.

Como tratamos da potência de tratores, confira no vídeo abaixo os 10 maiores e mais potentes tratores do mundo:

Fonte: Top10 Arquivo.

Veja também: Potência do trator: como utilizá-la de maneira correta.

Importância dos tipos de transmissão

O sistema de transmissão é um dos componentes mais importantes de um trator. Isso porque ele é responsável por levar a potência do motor aos demais componentes e fazer com que o maquinário realize as tarefas na lavoura. Esse sistema pode ser dividido em três categorias:

  • Transmissão mecânica: é o modelo mais simples de transmissão de tratores, com potência menor que 111,8 kW, sendo destinado às atividades mais leves. Pode ser de dois tipos: a deslizante e a sincronizada;
  • Modelo powershift: é formado por um conjunto de discos encontrados em ambos os eixos de transmissão, que utilizam a pressão visando direcionar a potência do motor. Quando óleo sob pressão chega ao sistema, os discos se juntam e fazem a troca de marchas.
  • Transmissão CVT: possuem dois ramos responsáveis por levar a potência do motor até as rodas. Seu sistema é composto por dois nós: um fica na entrada da CVT e outro na saída. Em um dos ramos é instalado um variador (ramo hidrostático), enquanto o outro trabalha de forma mecânica.

Conclusão

A evolução dos tratores agrícolas proporcionou inúmeros benefícios às lavouras, gerando o aumento da produtividade com redução de perdas, além de permitir ao agricultor cumprir os prazos de produção e entrega das mercadorias aos seus clientes.

Conforme já mencionamos em outros artigos, a regulagem correta dos componentes e o conhecimento sobre o uso dessas máquinas proporcionam ao operador maior qualidade nas operações realizadas. Resultado disso é a redução do consumo de combustível, do desgaste dos componentes e consequentemente, dos custos de produção agrícola.

Dessa forma, a busca por um modelo que tenha baixo consumo e alta potência torna-se cada vez mais frequente. Esses requisitos proporcionam práticas mais ágeis na fazenda e essa rapidez é convertida em maior produtividade e lucratividade.

Isso tudo contribui para que o Brasil seja um dos maiores produtores e exportadores de alimentos, como milho, café e soja, além de garantir o abastecimento do mercado interno.

E então, gostou desse artigo? Aproveite e acesse também o nosso post sobre prevenção de incêndios em máquinas agrícolas. Boa leitura!

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