Santa Gertrudis: entenda tudo sobre essa raça

Santa Gertrudis: entenda tudo sobre essa raça

Pelo fato de ter uma origem sintética, a raça Santa Gertrudis agrega algumas características que são destaques em outras espécies de bovinos. Entre elas estão a produtividade das raças europeias e a rusticidade das zebuínas.

Introduzida no Brasil há quase 70 anos, essa raça se adaptou com facilidade às várias condições climáticas e ambientais, expandindo-se, assim, por diversas regiões do nosso país.

Ademais, outras principais características do gado Santa Gertrudis, que chamam a atenção dos pecuaristas, são a precocidade, com excelente ganho de peso, e habilidade materna.

Neste artigo, vamos apresentar a origem e as principais características da raça de gado de corte Santa Gertrudis que tem sido muito usada para cruzamento industrial, primordialmente obtendo alto ganho de peso e homogeneidade na carcaça, mantendo a característica de rusticidade. Confira!

Origem da raça Santa Gertrudis

A exemplo de muitas outras raças de gado de corte, o Santa Gertrudis surgiu do desafio dos pecuaristas em produzir um gado rústico, mas com as qualidades que esses animais exigem, isto é, carne de qualidade que satisfaça o mercado consumidor e ao mesmo tempo dê lucro ao criador.

Antes de tudo, é importante destacar que o desenvolvimento começou nos Estados Unidos, em 1910, na fazenda King Ranch, no Texas, em uma região muito similar ao nordeste brasileiro, onde ocorreram os primeiros cruzamentos entre seus melhores rebanhos de origem zebuína e europeia.

Além disso, o Santa Gertrudis foi sintetizado a partir de ⅝ de sangue europeu com Shorthorn e ⅜ de sangue zebuíno com Brahman.

Animais da raça santa gertrudis no pasto
Os animais da raça Santa Gertrudis são considerados rústicos e podem ser criados a pasto ou confinamento.

De fato, após 10 anos, surgiram os primeiros resultados significativos, até que em 1940 o Santa Gertrudis foi reconhecido oficialmente como raça.

Dessa maneira, ganhou o título de primeira raça sintética produzida na região do Hemisfério Ocidental. Hoje, esses animais são criados em mais de 50 países.

No Brasil, os primeiros animais (34 machos e 225 fêmeas) foram trazidos, em 1953, pelos mesmos donos da fazenda King Ranch.

Hoje, segundo a Associação Brasileira Santa Gertrudis, o rebanho dessa raça chega a quase um milhão de exemplares, espalhados por diversos estados brasileiros.

Características da raça Santa Gertrudis

Algumas características particulares ajudaram a tornar a raça Santa Gertrudis uma espécie diferenciada. Conheça algumas delas:

  • Capacidade elevada da engorda e de conversões alimentares: após completar dois anos, essa raça está pronta ao procedimento de abate, apresentando 16 arrobas no regime de pasto. De tal forma que, quando colocados em confinamento, esses animais podem alcançar aproximadamente 32 arrobas, em 18 meses de vida;
  • Sexualidade precoce: dos 14 aos 18 meses de idade, as fêmeas dessa espécie já demonstram a capacidade de serem cobertas. Desse modo, a primeira cria pode acontecer antes dos dois primeiros anos de idade;
  • Touros de ótima libido: por causa da característica de rusticidade, os touros da raça Santa Gertrudis demonstram resultados excelentes no procedimento de monta natural aos 12 anos de idade. Isso se dá em diversas regiões do país, incluindo os estados com climas mais quentes. Normalmente são colocadas 40 vacas por touro em estação de monta, a partir dos 20 meses de idade;
  • Habilidade materna: pode ser observada no peso médio apresentado pelos bezerros no processo de desmame: grande parte deles atinge cerca de 230 kg;
  • Acabamento da carcaça e cobertura dos músculos: certamente são características determinantes no crescente uso dessa espécie nos procedimentos de cruzamento industrial.

Padrões apresentados

Alguns padrões determinantes ajudam a montar a personalidade dessa espécie. Confira!

  • Focinho: é considerado amplo e largo;
  • Cabeça: demonstra feminilidade ou masculinidade;
  • Tetas e úbere: são bem inseridas em sua estrutura corporal. Aliás, apresenta equilíbrio e um grande tamanho se levarmos em consideração a idade do animal;
  • Região do peitoral: é larga e o dorso é cheio;
  • Pelo: sedoso, liso e curto. Apresenta a coloração avermelhada;
  • Pele: além de ser solta, apresenta uma textura grossa. A coloração é vermelha;
  • Membros do corpo: os cascos apresentam pigmentação e os membros são bem aprumados;
  • Orelhas: o tamanho varia de grande a mediano;
  • Garupa: é um pouco inclinada para trás, além de ser considerada larga e comprida;
  • Quartos da região traseira: são musculosos, largos e amplos;
  • Temperamento do animal: calmo, dócil e meigo.

Performance da raça Santa Gertrudis

Conforme citamos acima, a raça Santa Gertrudis tem alta capacidade de fertilidade. As novilhas, quando bem-criadas, apresentam uma grande capacidade de fertilização de 14 aos 18 meses.

Mediante aos procedimentos eficientes de manejo da espécie, há casos de fêmeas que podem apresentar taxa de parições em torno de 90%.

Habilidade materna do gado santa gertrudis
As novilhas apresentam boa habilidade materna, com bezerros apresentando bom peso na fase de desmame.

Desse modo, essas novilhas costumam ter um parto tranquilo e demonstram um comportamento de proteção às suas crias.

Outra vantagem se encontra no longo período da sua vida reprodutiva. Sendo assim, elas geralmente produzem cerca de 10 bezerros durante a vida útil. Outra característica é que produzem boa quantidade de leite.

Os bezerros tendem a nascer com cerca de 37 kg, e o desmame acontece aproximadamente no sétimo mês. Ademais, a espécie consegue engordar cerca de 1 kg diariamente.

Isso comprova a alta capacidade reprodutiva da raça Santa Gertrudis e, sendo assim, esses animais são considerados precoces devido à grande capacidade de crescimento.

Adaptação da raça Santa Gertrudis

Por ser considerada uma raça sintética, os animais dessa espécie apresentam características versáteis e rústicas. Sendo assim, os bezerros têm um comportamento ativo e mamam rapidamente. Estes animais apresentam grande resistência aos ataques de parasitas e insetos.

Além disso, a capacidade de adaptação a diferentes condições climáticas permite que a raça Santa Gertrudis suporte as geadas e o frio excessivo dos estados que compõem o Sul do Brasil, bem como a umidade da região Central e seca do Nordeste brasileiro.

Confira, no vídeo abaixo, a criação dos animais dessa raça na fazenda Mangabeira, em Japaratuba/SE, que é feita há mais de 40 anos:

Fonte: Pecuária em Foco

Conclusão

Portanto, o gado da raça Santa Gertrudis é um um misto de habilidades maternas, rusticidade, precocidade e muita qualidade de carne, entregando às mesas e paladares muita maciez, marmoreio acima da média e um sabor considerado fantástico.

E então, gostou de conhecer mais sobre essa raça? Como o assunto é gado de corte, nossa sugestão de leitura complementar no MF Magazine é o post que trata sobre tudo o que você precisa saber sobre a bovinocultura de corte. Boa leitura!

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