Wagyu: Gado com carne mais cara e saborosa ainda pouco conhecido no Brasil

Wagyu: Gado com carne mais cara e saborosa ainda pouco conhecido no Brasil

Foi do Japão que, há 23 anos atrás, a raça de nome Wagyu chegou ao Brasil. A raça foi introduzida no país insular para puxar arado nas lavouras de arroz, há séculos atrás.

Considerada uma das carnes mais nobres do mundo e de melhor remuneração na pecuária, o gado da raça wagyu ainda conta com poucos produtores no Brasil.

Mas, além da qualidade da carne, cuja maciez e sabor são inigualáveis, a pouca oferta aliada à grande demanda são um dos fatores que fazem da raça wagyu uma ótima oportunidade de aumentar a rentabilidade da fazenda.

No entanto, por ser uma raça ainda pouco explorada no Brasil, muitos pecuaristas têm várias dúvidas sobre o assunto.

Neste artigo, você conhecerá melhor sobre o gado wagyu, suas características e as vantagens da sua criação. Acompanhe!

Como surgiu a raça?

Conforme já comentamos, o wagyu é uma raça milenar originária do Japão. No século II, sua principal função era trabalhar como tração animal nas plantações de arroz.

Aliás, com o passar do tempo, se espalharam por toda a Ásia. Todavia, devido ao terreno montanhoso, sua importação era muito lenta e difícil.

Logo, a criação da raça wagyu ficou cada vez mais isolada e, consequentemente, outras espécies surgiram. Mesmo assim, a qualidade da carne permanece até hoje.

Animal da raça wagyu pastando
Embora seja uma raça milenar, os animais só passaram a ser utilizados como gado de corte muito tempo depois.

Até cerca de 50 anos atrás, os animais da raça wagyu praticamente não eram utilizados na produção de carne e permaneciam na aração das terras. Com a mecanização intensiva da lavoura e o uso de tratores, não se empregou mais esse gado para o trabalho no campo.

Nessa mesma época, com a chegada dos estrangeiros no país oriental, os restaurantes notaram que a carne era muito apreciada pelos visitantes. Dessa forma, passaram a investir massivamente em sua produção.

A raça foi introduzida no Brasil no começo da década de 1990 na fazenda da empresa Yakult, na cidade de Bragança Paulista. Atualmente, o país conta com apenas 50 criadores de wagyu, cujos criatórios se estendem desde o Mato grosso até o Rio Grande do Sul.

O rebanho conta com cerca de 5 mil animais POs (isto é, puros de origem), sendo que o número sobe para 40 mil se considerarmos os cruzamentos com Nelore e Angus.

Diferencial da carne de wagyu

O que diferencia a carne dessa raça de gado é o fato dela ter a chamada “carne marmorizada”, por conter veios de gordura entre as fibras. Ao ser levada para a churrasqueira, por exemplo, a gordura se derrete, dando a carne uma textura suculenta e muito macia.

Em boutiques de carnes no brasil, um kilo dessa carne chega a ser vendido por R$ 450,00 – 12 vezes mais caro que o simples filé vendido nos açougues.

O Kobe Beef, como também é chamada a carne do wagyu, é a excelência em carne.

Os animais dessa raça têm predisposição genética para produzir carne com o mais alto teor de marmoreio, ou seja, com veios de gordura entremeados nas fibras, assemelhando-se a uma pedra de mármore. Aliás, essa gordura deixa a carne extremamente macia e saborosa.

Bife de wagyu acompanhado de temperos
A carne do wagyu é considerada uma das mais saborosas e rica em proteínas.

Outro ponto importante a ser considerado é que a carne wagyu é mais saudável, tendo em vista que é rica tanto em ômega-3 quanto em ômega-6.

Além disso, seu marmoreio contém gorduras não-saturadas e baixa concentração do tipo saturada. Portanto, faz com que seja considerada uma carne magra.

Além da textura macia, que chega a derreter na boca, há outros dois elementos que fazem com que a carne de wagyu seja incomparável: o sabor e o aroma, que são ricos, um pouco adocicados e se espalham pela boca quando a carne é mastigada.

Por essa razão, o ideal é servi-la levemente grelhada e temperada apenas com uma pequena quantidade de sal e pimenta, nada de molhos ou temperos fortes, pois podem camuflar o sabor.

Portanto, como você percebeu a carne de wagyu é uma das mais saborosas. No vídeo abaixo, como fazer a reação de maillard!

Fonte: Netão Bom Beef.

Quais as vantagens de criar gado da raça wagyu?

A alta qualidade da carne de wagyu faz com que seu preço não seja barato e o faturamento por animal chega a R$ 12.500.

Os preços variam de acordo com a peça e nível de gordura entre as fibras, o famoso marmoreio tão característico dessa raça.

Sendo assim, apesar dos altos custos de produção e da rigidez do processo de criação, os lucros por cabeça são extremamente atrativos.

Outra vantagem é que os bovinos wagyu nascem pequenos. Desse modo, não apresentam problemas no parto e atingem sua maturidade sexual em até 11 meses, isto é, com idade inferior a de raças europeias, como a Angus.

As fêmeas são bastante férteis, chegando a produzir entre 10 a 20 embriões viáveis por coleta convencional.

Gado wagyu no pasto
O gado da raça wagyu se adapta bem em diferentes temperaturas e aceita bem cruzamentos.

Os animais são de fácil adaptabilidade e podem viver tanto em temperaturas superiores a 30°C quanto inferiores a -15°C. Outro fator positivo é que atingem cerca de 800 kg com apenas um ano e meio de confinamento.

O wagyu também pode ser cruzado com outras raças, como Nelore e Angus. Portanto, mesmo quando o animal não é puramente original, transmite uma excelente marmorização. Em geral, paga-se 40% a mais no valor do bezerro.

Assim, trabalhar com cruzamento é uma ótima oportunidade para quem quer começar o manejo com um investimento mais baixo e acrescentar muito à qualidade da carne.

Quais são os cuidados com essa raça de bovinos?

Os cuidados devem começar ainda na fase intrauterina, com suplementação da vaca desde o segundo mês de prenhez. Isso faz com que o potencial genético seja ativado para atingir a musculatura e o marmoreio ideais.

Depois do nascimento, os bezerros da raça wagyu precisam receber um concentrado separado da mãe e as mamadas devem ser controladas. O desmame ocorre quando os bezerros estão com 50 kg a mais que no método tradicional.

Gado se alimentando em sistema de confinamento
A alimentação de cada animal consiste basicamente de ração mista, volumoso e borras de oliva em pó.

Aos 8 meses, o animal desmamado é levado para o semiconfinamento. Aos 18 meses, é levado ao confinamento total até atingir a idade ideal para o abate.

Um detalhe importante é que a raça japonesa demora mais que as outras raças para chegar ao ponto de abate. Enquanto um Nelore pode ser abatido com 18 meses, um wagyu atinge o ponto depois de 30 meses.

Essa raça jamais deve receber aditivo químico para reduzir o tempo de abate, pois isso prejudicará a qualidade da carne.

Pasto e confinamento do wagyu

Nos primeiros meses de idade, são criados no pasto. Por sua vez, no último ano, o boi deve ser confinado e submetido a uma dieta energética feita com formulação especial de grãos, que pode incluir mais de 10 ingredientes. Esse fator é fundamental para o depósito de gordura intramuscular.

Como você viu, o gado wagyu é uma excelente oportunidade para os pecuaristas que desejam expandir seus negócios e aumentar a lucratividade da fazenda. Com a baixa oferta e demanda crescente, o valor da carne dessa raça japonesa tende a crescer ainda mais.

Para ter sucesso com essa espécie, o ideal é conhecer todas as suas particularidades antes de começar a criação e adquirir apenas os produtos mais adequados para o seu desenvolvimento.

Confira como lucrar com a criação de gado da raça wagyu:

Fonte: TV Revista Rural.

Leia também sobre a raça sindi e conheça sua história e características.

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