Colhedora de trilha radial, axial e híbrida: qual a diferença?

Colhedora de trilha radial, axial e híbrida: qual a diferença?

Na esteira da tecnologia aplicada à produção agrícola está a modernização dos equipamentos utilizados na lavoura. Dentre eles, a colhedora – ou colheitadeira – é de extrema importância e não fica atrás nesse avanço.

O Brasil está entre os principais produtores de grãos no mundo. A estimativa da CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento, é que a safra de grãos, em 2021/22, apresente um incremento de 5,4% em sua produção, chegando ao incrível número de 269,3 milhões de toneladas.

É para colher toda essa produção que as colheitadeiras são indispensáveis. No entanto, é importante lembrar que existem vários modelos no mercado, com diferenças nos seus componentes e indicações. Por isso, neste artigo, iremos tratar especificamente sobre o sistema de trilha, abordando as diferenças entre a colhedora radial, a axial e a híbrida.

Sendo assim, neste artigo você vai ver:

  • Sistemas de uma colheitadeira;
  • Sistema de trilha;
  • Colhedora de trilha radial;
  • Colhedora de trilha axial;
  • Colhedora híbrida.

Boa leitura!

Sistemas de uma colheitadeira

Para quem olha de fora e não conhece o equipamento, pode pensar que uma colheitadeira é uma máquina simples e com um único processo: colher o grão. Não há qualquer verdade nessa crença, ao contrário, as colheitadeiras são instrumentos complexos que se dividem em diferentes sistemas, cada qual com sua função e complementar em relação aos outros.

Colhedora em campo trabalhando na colheita de trigo
As colhedoras são maquinários complexos que possuem sistemas para corte, separação, limpeza, elevação e trilha da cultura colhida.

Isso quer dizer que esses sistemas têm um trabalho específico, mas funcionam em colaboração uns com os outros. Somente para ter uma ideia, as colhedoras de grãos possuem entre 5 e 7 sistemas, alguns dos mais importantes são:

  • Corte e recolha;
  • Separação;
  • Limpeza;
  • Elevação;
  • Trilha.

É justamente esse último que nos interessa aqui e do qual veremos os diferentes tipos presentes no mercado. Mas antes, vamos entender um pouco melhor do que se trata o sistema de trilha da colhedora.

Sistema de trilha

O funcionamento básico de uma colhedora de grãos pode ser resumido em corte e recolhimento da planta, elevação dela para a limpeza e limpeza.

A trilha, também chamada de trilhador, atua no importante papel de limpar os grãos. Assim, ela é responsável por separar as impurezas, tanto da planta quanto do solo, descartando-as e mantendo o grão limpo.

Para realizar esse trabalho, ela conta com um cilindro – conhecido como cilindro da trilha – e o côncavo. O primeiro é formado por duas barras de metal que possuem a função de comprimir, impactar e esfregar a massa vegetal recolhida, para que o grão se solte.

Já o côncavo é uma espécie de peneira em forma de calha e tem a função de separar os grãos do restante da massa vegetal que foi separada no processo anterior.

São nessas etapas da trilha que encontramos as principais diferenças entre a colhedora de trilha radial, axial e híbrida.

Colhedora colhendo soja no campo
O arranquio das plantas do solo é apenas o início do processo realizado pelas colhedoras.

Veja também: Confira os lançamentos de máquinas agrícolas na Agrishow.

Colhedora de trilha radial, axial e híbrida: quais as diferenças?

De forma geral, podemos dizer que cada um desses modelos de trilha apresenta um eixo e um côncavo próprios. Além disso, em termos de trabalho, os resultados também têm variações.

Cabe destacar que embora a colhedora de trilha axial seja considerada mais moderna, a de trilha radial ainda é bastante empregada em muitas culturas.

Agora, vejamos com mais detalhes o funcionamento de cada uma delas.

Colhedora de trilha radial

Esta é a mais antiga entre os três modelos que tratamos aqui, e apesar de ainda ser bastante empregada, vem apresentando redução em sua disponibilidade e aquisição.

Esse tipo de colhedora está perdendo espaço, uma vez que as colheitadeiras híbridas e axiais possuem melhor desempenho no que se refere à perda de grãos durante o processo de colheita.

Mesmo assim, vale entender seu funcionamento. Essa colhedora se caracteriza pela posição de seus cilindros e do côncavo, ambos encontrados de forma perpendicular ao equipamento.

Com esta disposição, o material chega até o cilindro radial, passando entre ele e o côncavo, recebendo impactos que fazem a debulha do grão. Em seguida, o material já separado é despejado no chamado saca-palha, uma peneira que faz a separação entre grão e palha através da gravidade.

Veja no vídeo abaixo mais detalhes desse tipo de sistema:

Fonte: Alex Menezes.

Colhedora de trilha axial

A primeira diferença entre a colhedora de trilha axial e a radial é a disposição de seus cilindros. Assim, a colhedora axial possui seu eixo colocado de forma longitudinal. Dessa maneira, o material a ser processado passa mais tempo em contato com a máquina na etapa de debulha.

Isso permite a diminuição do impacto sobre o material, diminuindo, consequentemente, as perdas por quebra de grãos.

Outra importante diferença entre os dois modelos é que a separação entre a palha e o grão, na colhedora axial, ocorre em sua passagem entre o rotor e o cilindro separador.

Além disso, as colhedoras de trilha axial, como são alimentadas de forma longitudinal e contínua, conseguem receber um fluxo maior de material, consequentemente aumentando o rendimento do trabalho.

Colhedora híbrida

Como seria esperado, a colhedora híbrida tem características tanto da radial quanto da axial.

Dito isso, sua parte mais expressiva em relação à colhedora radial é seu sistema de trilha. Como nela, o material colhido passa entre o cilindro e o côncavo de forma tangencial.

No entanto, no que diz respeito à separação dos grãos e da palha, a colhedora híbrida utiliza o sistema da axial. Ou seja, a separação é feita em movimento longitudinal, diminuindo o impacto e a perda do material.

Segundo especialistas, este modelo de colhedora é ideal para culturas que apresentam altos percentuais de palha e de grãos com grandes volumes de água, como a cultura do arroz.

No vídeo abaixo, confira o funcionamento do sistema de trilha axial de uma colhedora de grãos:

Ademais, vale ressaltar a predominância das colhedoras axiais e híbridas no mercado, uma vez que proporcionam maiores vantagens aos agricultores.

De toda forma, é sempre importante consultar um especialista na hora de adquirir uma máquina para a sua lavoura, e assim, evitar erros ou prejuízos desnecessários.

Esperamos ter esclarecido um pouco sobre o assunto e se quiser ler mais sobre colhedoras, veja o post: tipos de colheitadeiras: conheça os principais. Boa leitura!

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