Tudo que você precisa saber sobre a logística de exportação da carne bovina

Tudo que você precisa saber sobre a logística de exportação da carne bovina

 

A pecuária de corte representa uma parte importante da economia brasileira, que foi equivalente — no ano de 2019 — a 8,5% do PIB total do país. Além disso, o Brasil se consolidou como o maior exportador de proteína animal do mundo. Entretanto, é necessário um processo de logística complexo para que esses produtos, em especial a carne bovina, chegue aos seus destinos com qualidade e segurança.

 

Continue lendo e veja tudo o que você precisa saber sobre a logística de exportação da carne bovina. Ou veja ainda outros artigos relacionados a demais produtos da agropecuária brasileira.

 

 

O Brasil no topo das exportações de carne no mundo

 

Segundo o Relatório Anual Beef Report 2020, da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o Brasil direcionou 23,6% da produção total de carne para exportação. Esse número representa 2,49 milhões de TEC (toneladas equivalente carcaça), que tiveram como destino mais de 150 países ao redor do globo.

 

Tais quantidades asseguraram para o Brasil o primeiro lugar nas exportações mundiais de carne, sendo seguido pela Austrália com 1,56 milhões de TEC. Além disso, essa posição demonstra a flexibilidade do ramo em dialogar com diferentes culturas e o planejamento na distribuição dos produtos.

 

Para que esse planejamento ocorra de maneira eficiente, é necessária uma logística bem efetuada.

 

Carcaças bovinas para exportação
O Brasil está na primeira posição dos maiores exportadores mundias de carne

 

A importância da logística no processo de exportação

 

Da criação de gado à mesa dos consumidores de outros países, segue-se um complexo processo de logística. Só do trajeto das fazendas aos frigoríficos, os procedimentos são muitos, incluindo o abate dos animais e a preparação da carne para ser armazenada.

 

Nesse sentido, a logística se apresenta como a administração eficiente do trajeto de produtos, de forma a conduzi-los da melhor forma possível do produtor ao consumidor final.

 

A logística atua em processos como a definição dos melhores meios para transportar esses produtos, estabelecer quais formas de armazenamento são mais otimizadas, em termos de custo-benefício, e do acompanhamento de todo o trajeto, de maneira a assegurar a integridade da carga — para que ela satisfaça as expectativas do consumidor.

 

Além disso, para que uma exportação seja bem sucedida, é necessário, antes de tudo, definir o destino da mercadoria. Assim, poderá adequá-las para os diferentes mercados e com base na cultura dos locais em questão. Por exemplo: das exportações brasileiras, a maior quantidade de carne bovina in natura vai para a China, enquanto que para os Estados Unidos, industrializada.

 

 

Contêineres, dificuldades e burocracias para exportar carne bovina

 

Nos frigoríficos, é preciso definir se as carnes serão congeladas ou apenas resfriadas, no primeiro modo as carnes podem vir a durar dois anos, enquanto que resfriadas elas duram por cerca de 120 dias. Essas preferências variam de acordo com a finalidade.

 

Dessa forma, é possível estabelecer a temperatura dos contêineres, que são onde as carnes serão armazenadas e transportadas. Esses são depositados em caminhões, seguindo trajeto via terrestre até o porto. É no porto que as cargas são avaliadas para embarcarem nos navios, e é essa é a etapa mais burocrática, ou seja, o despacho da carga.

 

Container sendo transportado para o navio exportador
O embarque dos contêineres nos navios é a etapa mais burocrática da logística de exportação

 

Para que o despacho ocorra, é necessária a apresentação de uma série de documentos, como a Fatura Comercial, que representa uma nota fiscal no exterior, e o Certificado de Origem, comprovando a legalidade da mercadoria. Esses documentos são avaliados e, junto com a comprovação da existência da carga, determinam a parametrização feita pelo sistema.

 

Pontos importantes a se considerar nas etapas terrestres são as condições das estradas, que podem dificultar o percurso dos caminhões, e o local onde os contêineres ficarão depositados para aguardarem o despacho. Nesse sentido, terminais de cargas de transportadoras podem reduzir os custos e auxiliar no acompanhamento de entrada e saída de contêineres.

 

 

Parametrização e desembaraço de carga

 

A parametrização é feita pelo Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), ferramenta automatizada que armazena e controla as informações da Secretaria de Comércio Exterior. Esse sistema diferencia os contêineres para serem despachados em três categorias:

 

  • Canal Verde: cargas desse tipo são automaticamente despachadas pelo Siscomex, sem a necessidade de maiores verificações;
  • Canal Amarelo: aqui, é apontada a necessidade de uma verificação maior da documentação. Essa verificação é feita por um Auditor Fiscal da Receita Federal e, caso a documentação tenha sido apresentada no período da manhã, o despacho pode ser concluído ainda no mesmo dia, o que não ocorre caso tenha sido no período da tarde, concluindo apenas no dia seguinte;
  • Canal Vermelho: já nesse canal, é necessária a verificação da documentação e também da mercadoria, demandando mais tempo e sendo concluída no dia seguinte independente do início da operação. Nesse caso a vigilância sanitária e, no caso da carne bovina, a Vigiagro, confere a integridade da mercadoria antes de efetivar o despacho. A aprovação do auditor fiscal é chamada de desembaraço.

 

A prioridade de desembaraço também pode variar a depender do prazo limite estabelecido para as mercadorias embarcarem, conhecido como deadline.

 

 

A logística de exportação e tempos de pandemia

 

O despacho é concluído quando a alfândega confirma o embarque da mercadoria, processo chamado de averbação. A partir daí, segue-se o modelo estabelecido pelo Incoterm (Termos Internacionais de Comércio) escolhido.

 

Os Incoterms são as determinações de até onde o exportador se responsabiliza pela mercadoria, e onde o importador deve recebê-la, como o modelo F (Transporte Principal não Pago Pelo Exportador), em que a carga é deixada em uma transportadora internacional sob a responsabilidade do cliente.

 

Nesse aspecto, ter processos de exportações favoráveis ao cliente pode vir a ser um ponto positivo do exportador, aumentando sua competitividade.

 

É importante considerar esses pontos, uma vez que o mundo enfrenta a pandemia de Covid-19 e — apesar de expectativas de que a exportação de carne bovina brasileira continue a crescer, mesmo diante dessas condições — apresentar um melhor preço ao cliente pode colaborar no crescimento do setor em relação aos outros que serão afetados pela crise.

 

Dois bifes de carne bovina com sal e alecrim
A força da carne brasileira pode ser evidenciada com um bom planejamento de logística

 

Um bom planejamento de logística pode fazer com que o mercado de exportação de carne entre mais forte em um cenário de pós-pandemia, auxiliando na recuperação econômica do Brasil.

 

Quer receber mais informações e ficar atualizado quanto ao mercado agropecuário? Acesse nossa página de notícias agrícolas.

 

Leia também: