Como fazer o controle das pragas agrícolas?

Como fazer o controle das pragas agrícolas?

O agricultor investe em maquinário, contrata mão de obra, compra insumos e trabalha arduamente para garantir uma boa safra. Mas, ele precisa se preparar para enfrentar “pequenos inimigos” que entram nas fazendas sem abrir as porteiras e podem literalmente corroer toda a lavoura: as pragas agrícolas.

 

Esse problema gera um grande prejuízo ao produtor rural. Somente a ferrugem da soja, por exemplo, pode gerar um prejuízo de até R$ 12 bilhões aos agricultores brasileiros, segundo divulgado pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

 

Sendo assim, a melhor coisa a ser feita é buscar formas inteligentes de prevenir as pragas, reduzir a população desses organismos nas lavouras e adotar práticas sustentáveis de controle.

 

Neste artigo, você vai conferir as principais recomendações para lidar com as pragas agrícolas de forma adequada e, assim, aumentar as chances de sucesso na sua produção!

 

 

O que são pragas agrícolas?

 

Em primeiro lugar, é importante entender o que exatamente é uma praga agrícola. Podemos afirmar que elas são basicamente organismos que causam danos à sua lavoura, como doenças (causadas por fungos, bactérias e vírus), insetos e plantas daninhas.

 

 

Como elas surgem?

 

Você já se perguntou por que elas se desenvolvem? Entender esse processo é o princípio para compreender os mecanismos de prevenção e controle.

 

Você já deve ter percebido que, em um ambiente natural, as plantas convivem com outros seres de forma pacífica, pois existe um equilíbrio ecológico. Podemos dizer que todos os insetos e microrganismos têm seus próprios predadores e isso garante que nenhuma espécie vai proliferar-se de forma desordenada.

 

Folha de uma planta comida por praga.
As pragas agrícolas causam muitos danos às lavouras. Folhas inteiras podem ser consumidas em pouco tempo.

 

A lavoura, no entanto, não é um ambiente natural. Muitas vezes, as plantas estão fora de seu habitat original, em condições de solo e clima muito diferentes do que sua constituição biológica está preparada. Em algumas situações, a luminosidade, a umidade do ar, nível de irrigação e o estado nutricional do solo não são apropriados para aquela cultura.

 

Existem outras questões adversas que podem piorar ainda mais a vida da planta: chuvas escassas ou excessivas, picos de temperatura e tantos outros aspectos que fogem do controle do agricultor. Dessa forma, o vegetal fica fragilizado e vulnerável a ataques de pragas.

 

Outro fator importante é o aspecto relacionado ao equilíbrio ecológico. Na monocultura, por exemplo, o cultivo de uma só espécie vira um prato cheio para insetos que se alimentam dela. Sem a presença de um predador natural, as pragas se proliferam de forma soberana.

 

 

Como atuam?

 

A forma de as pragas atuarem na cultura varia bastante conforme o tipo de agente e a espécie da planta. Assim, cada cultivo terá pragas específicas que atacam um ou mais tipos de plantações.

 

Por exemplo, os fungos, como a Puccinia psidii no cultivo da jabuticaba, costumam atacar as folhas, hastes e raízes, causando manchas e até podridão.

 

Já os insetos podem gerar danos diretos (alimentando-se do fruto a ser colhido) ou indiretos (devorando partes da planta que impedem ou atrapalham seu desenvolvimento). É o caso da broca-do-café (Hypothenemus hampei), que perfura o grão e reduz seu peso, diminuindo o valor comercial do produto.

 

Fruto de café com a broca
A broca-do-café ataca o fruto em qualquer grau de maturação, provocando redução do peso da safra e até o apodrecimento dos grãos.

 

Para se defender desses inimigos, é preciso conhecer a forma como atuam. Então, vamos apresentar as principais pragas existentes no Brasil atualmente.

 

 

Você sabe quais são os principais tipos no país?

 

Segundo a Embrapa, somente entre 2006 e 2016, surgiram 35 novas pragas agrícolas no país. No entanto, há também cerca de 500 que ainda não cruzaram a fronteira, felizmente. Isso significa que o número de inimigos da lavoura é grande, mas é possível delimitar um grupo mais recorrente e difícil de eliminar. É sobre esses insetos e fungos que falaremos agora!

 

 

Helicoverpa armigera

 

A Helicoverpa armigera é uma lagarta muito destrutiva que ataca diversas lavouras, mas danos maiores têm sido observados em culturas de milho, algodão e soja.

 

Elas entram pelas estruturas aéreas da planta, como folhas, flor e fruto. Suas larvas danificam a planta em qualquer estádio de desenvolvimento, alimentando-se de flores, ramos e até de cápsulas de sementes.

 

 

Broca-do-café

 

A broca-do-café (Hypothenemus hampei) está presente em cafezais de todo o mundo. O inseto ataca o fruto em qualquer grau de maturação. Ele perfura o grão e pode fazê-lo perder até 21% do seu peso.

 

Mofo Branco

 

O mofo branco é uma doença causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, que afeta principalmente lavouras de grãos, como feijão e soja, mas também pode atingir diversas outras culturas, como hortaliças, tomate, algodão, girassol e batata. Há registros de mais de 400 espécies hospedeiras.

 

Tomate no pé atacado por praga
O tomate é uma das culturas que mais sofrem ataques de pragas.

 

É uma praga muito perigosa. Na soja, por exemplo, pode gerar perdas de até 70% na produtividade. Além disso, é bem resistente, porque consegue permanecer no solo durante vários anos, apenas esperando as próximas safras.

 

 

Cochonilhas

 

As cochonilhas são insetos das famílias das Hemipteras. Elas se aglomeram em frutos, raízes, folhas e ramos de diferentes plantas. Existem diversas espécies de cochonilhas e, por isso, podem apresentar vários formatos, cores e tamanhos.

 

O inseto suga a seiva das plantas e injeta uma toxina que causa danos. No abacaxi, por exemplo, ele causa o que conhecemos como “murcha do abacaxi”. Ele também ataca culturas de abacate, amendoim, batata, milho, coco, arroz, banana, entre outras.

 

 

Mosca-das-frutas

 

A Anastrepha ataca principalmente frutas que ficam expostas ao sol, como mamão, pera, ameixa, maracujá, maçã e citros. Os sistemas são bem característicos: um anel de cerca de 2 cm de diâmetro em torno do local onde a mosca pôs o ovo.

 

O local assume uma cor acastanhada, vai apodrecendo e dando condições para o surgimento de alguns fungos. Ela ataca frutos maduros ou verdes.

 

 

Ácaros

 

Os ácaros são aracnídeos que representam pragas agrícolas importantes para diferentes culturas. Como fitófagos, alimentam-se de partes das plantas, das folhas às raízes.

 

Esses insetos atacam plantações de morango, soja, milho e muitas outras. Entre os principais sintomas do ataque estão clorose, manchas de folhas, murcha, atrofia e bronzeamento.

 

Existem diversas espécies de ácaros, tais como:

 

  • Ácaro-aranha (Tetranychus);
  • Ácaro-da-falsa-ferrugem (Phyllocoptruta oleivora);
  • Ácaro-rajado (Tetranychus urticae);
  • Ácaro-vermelho (Tetranychus cinnabarinus);
  • Ácaro das gemas (Eriophyes sheldoni), conhecido com praga do citrus.

 

Ferrugem da soja

 

A ferrugem da soja, também chamada de ferrugem asiática, é provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Como o nome já diz, é bastante encontrada em lavouras de soja, sendo de fácil propagação por meio da disseminação dos esporos no vento.

 

 

Como prevenir esse problema?

 

Como vimos, a proliferação do patógeno na lavoura muitas vezes acontece devido à falta de um equilíbrio ecológico na região. Dessa forma, existem técnicas sustentáveis que tentam reproduzir essas condições mais favoráveis para as plantas e desfavoráveis ao agente causador. Alguns exemplos são:

 

  • Escolha da época certa para semeadura e colheita: em alguns casos, antecipar ou atrasar as operações pode ajudar o agricultor a evitar temporadas de maior incidência de pragas;
  • Eração e gradagem do solo: são operações que podem destruir o habitat de insetos nocivos que estejam no terreno;
  • Rotação de culturas: quando a cultura hospedeira da praga é retirada e planta-se uma nova variedade agrícola, o produtor rural consegue cortar a permanência da praga no talhão;
  • Eliminação de daninhas: essas plantas servem como hospedeiras alternativas e tornam-se um refúgio para muitas pragas entre uma safra e outra. Por isso, precisam ser eliminadas.

 

 

Quais os melhores tratamentos?

 

Quando as pragas já se instalaram na lavoura, é preciso buscar tratamentos específicos para acabar com as infestações. Para ter bons resultados, é de grande importância:

 

  • Conhecer as características da praga
  • Utilizar técnicas e produtos adequados
  • Iniciar as medidas antes de atingir algum dano econômico

 

O produtor rural pode recorrer a três categorias de controle, além das medidas preventivas que mencionamos.

 

 

Controle químico

 

O uso de defensivos na lavoura é uma das medidas mais utilizadas e mais eficientes também. Eles são capazes de eliminar o patógeno e apresentam uma ação bem rápida. Não deixe de utilizar produtos registrados pelo Ministério da Agricultura, seguindo as recomendações de um agrônomo.

 

Aplicação de defensivo numa planta
O uso de defensivos agrícolas é uma das medidas mais eficientes para controle das pragas.

 

 

Controle orgânico

 

Na agricultura orgânica, os defensivos não podem ser utilizados. Por isso, é importante recorrer a produtos naturais ou biológicos para controlar as infestações. Por exemplo, existem muitas caldas e extratos vegetais que dão bons resultados. É o caso de:

 

  • Cinamomo (Melia azedarach)
  • Losna (Artemisia absinthium)
  • Arruda (Ruta graveolens)
  • Fumo (Nicotiana tabacum)

 

Existem estudos, por exemplo, que comprovam a eficiência da aplicação de extratos de arruda, confrei e capim-limão no controle da lagarta-do-maracujá (Dione juno juno).

 

Ainda existem opções caseiras, como no vídeo abaixo, para o controle da mosca branca, pulgão e trips.

 

Fonte: Agricultura Familiar e CIA

 

Controle físico

 

O controle físico é a medida que tenta evitar o acesso das pragas à lavoura ou criar condições adversas à permanência do patógeno. Entre elas, podemos destacar:

 

  • Controle de temperatura: especialmente no armazenamento de grãos e frutos, em ambientes acima de 45 °C ou abaixo de 4 °C, que mata ou impede o desenvolvimento de alguns organismos;
  • Barreira física: dificulta o acesso do inseto à plantação ou ao fruto, como telas ou embalagens nos frutos.

 

 

Como a tecnologia pode ser sua aliada contra esses inimigos?

 

É sempre interessante destacar como a tecnologia tem sido uma importante aliada do agricultor, principalmente no monitoramento e combate dessas pragas. As tecnologias de aplicação têm evoluído para garantir pulverizações mais eficientes, distribuindo o produto de maneira uniforme em locais mapeados por telemetria.

 

Drone aplicando defensivo agrícola na lavoura.
A pulverização, usando drones, tem ajudado no controle das pragas agrícolas.

 

Até drones são usados para a pulverização das lavouras, principalmente em áreas de difícil acesso e não amassarem a cultura na hora da aplicação do produto. Além disso, a mecanização contribui para operações mais rápidas em lavouras de médio e grande portes.

 

Veja na matéria abaixo sobre uso de drones na pulverização e combate de pragas agrícolas.

 

Fonte: Vale Agrícola

 

As pragas agrícolas são grandes vilões do agronegócio mundial. Entretanto, existem muitas práticas, produtos e tecnologias que formam um arsenal poderoso nas mãos do agricultor. Mesmo na agricultura orgânica, é possível ter ótimos resultados para garantir um alimento nutritivo, seguro e cada vez mais atrativo economicamente ao consumidor final.

 

Gostou desse artigo sobre como fazer o controle de pragas agrícolas em sua lavoura? Para saber mais, acesse nosso blog e leia sobre outros assuntos.

 

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