Micronutrientes: funções e importância para o desenvolvimento das plantas

Micronutrientes: funções e importância para o desenvolvimento das plantas

Os nutrientes são essenciais para o crescimento vegetal, fazem parte da sua estrutura e metabolismo, sem eles não há produção. Estes são divididos em dois grupos, macronutrientes e micronutrientes, sendo ambos de grande importância para as plantas. 

Ter conhecimento deste assunto te ajudará a evitar perdas de produção, pois sabendo a importância destes elementos, sabendo onde atuam nas plantas e seus sintomas de deficiência, você consegue fazer um planejamento correto de adubação com os micronutrientes necessários.

Neste artigo vamos entender mais sobre os micronutrientes, o que são, quais são, suas funções dentro da planta e os principais sintomas de deficiência. Confira!

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O que são micronutrientes?

Como o próprio nome já diz, micro é significado de pequeno ou pouco, no caso dos nutrientes, os micros são aqueles requeridos pelas plantas em pequenas quantidades.

Enquanto os macronutrientes são demandados pelas culturas na ordem de kg/hectare, os micronutrientes são na ordem de mg/hectare.

Mesmo sendo necessitados em pequenas quantidades, os micronutrientes são essenciais para o crescimento adequado das plantas.

Se os micronutrientes estiverem na quantidade inferior ou até mesmo em falta para as plantas, seu ciclo e suas funções ficam limitadas, refletindo em menor produtividade.

Antes a atenção era voltada quase 100% para os macronutrientes, ocorrendo em muitas lavouras estagnação da produção. Com o foco dos estudos nos outros nutrientes essenciais, mas requeridos em poucas quantidades, houve aumento na produção, e atualmente os micronutrientes já são utilizados nas lavouras.

Agrônoma agachada em solo, segurando uma prancheta azul em uma mão e segurando uma folha de milho em outra, analisando-a.
O fornecimento de micronutrientes é fundamental para o pleno desenvolvimento das plantas.

Dinâmica dos micronutrientes no solo 

Na agricultura, diversos fatores devem ser levados em consideração no momento do planejamento de safra, e a nutrição da lavoura é um deles.

Quando pensamos em adubação das lavouras, a primeira coisa que lembramos é do NPK, ou seja, dos macronutrientes. Posteriormente, pensamos na correção do solo com calagem e, por último, nos micronutrientes.

Os micronutrientes são tão importantes quanto os macronutrientes, eles também são fatores limitantes da produção, por isso devem ser planejados e utilizados.

Devido sua importância para as plantas, alguns adubos que fornecem os macronutrientes NPK já estão incorporando na formulação alguns micronutrientes.

Estes nutrientes podem ser divididos em dois grupos:

  • Micronutrientes essenciais: cobre (Cu), molibdênio (Mo), boro (B), zinco (Zn), ferro (Fe), manganês (Mn) e cloro (Cl);
  • Micronutrientes benéficos: níquel (Ni), cobalto (Co), sódio (Na) e silício (Si).

Entretanto, não basta apenas saber quais são, é necessário conhecer a dinâmica destes elementos no solo, pois alguns fatores influenciam na sua disponibilidade, como o clima, tipo de solo, teor de matéria orgânica, umidade, pH do solo, interação entre os nutrientes e textura do solo.

No Brasil, devido ao clima tropical e ao intenso intemperismo, a maioria dos solos são ácidos, com isso, o pH é mais baixo. Assim, os micronutrientes como Fe, Cu, Mn e Zn são mais disponibilizados. A medida que o pH vai aumentando, estes micros vão reduzindo, mas, em contrapartida, B, Cl e Mo aumentam, como pode ser observado na figura abaixo:

Gráfico demonstrando a disponibilidade de micronutrientes em função do pH do solo.
Disponibilidade de nutrientes em diferentes valores de pH do solo. Fonte: Adaptado de Brandani.

A matéria orgânica é outra fonte de fornecimento de micronutrientes. Em áreas com teor elevado de restos vegetais, há maior disponibilidade em comparação com solo desprotegido.

O tipo de solo também é um fator que interfere na disponibilidade dos micronutrientes. Em solos mais arenosos, os nutrientes são facilmente lixiviados, principalmente se não houver cobertura de solo. Neste tipo de solo, a concentração de micronutrientes tende a ser menor em comparação com solos argilosos.

Saber o que interfere na disponibilidade dos micronutrientes é importante para que a reposição ocorra de maneira adequada. Por isso é importante fazer análise de solo e análise foliar de micronutrientes, desse modo se tem um parâmetro a ser seguido no momento da adubação com estes elementos.

Muitas vezes o uso de micronutrientes fica condicionado a aplicações foliares, entretanto, principalmente em culturas anuais, seu uso pode ser realizado também no momento da semeadura ou no tratamento de sementes.

O importante é saber quanto e quais micronutrientes sua cultura necessita, quanto seu solo tem para fornecer, se será necessário ocorrer a suplementação de algum micro e a principal época de aplicação deste.

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Principais micronutrientes para as plantas: funções e sintomas de deficiência

Cobre (Cu)

O cobre apresenta diversas funções dentro das plantas, como:

  • faz parte de enzimas, seja como ativador ou componente;
  • regula indiretamente a transpiração das plantas;
  • participa dos mecanismos de resistência a doenças e aumenta a resistência em períodos secos;
  • nas leguminosas têm influência na fixação de nitrogênio;
  • tem papel na fotossíntese e reprodução das plantas, seja na floração ou frutificação.

Como o cobre tem papel na fotossíntese, caso ocorra deficiência, as folhas ficam pálidas a amareladas, devido à falta de clorofila. Por ser um nutriente pouco móvel nas plantas, as folhas jovens são as primeiras a apresentarem os sintomas de murcha e enrugada, podendo se tornar quebradiças.

Sua deficiência também afeta a nodulação, o que influencia no porte das plantas e no sintoma de deficiência de nitrogênio.

Ademais, plantas bem nutridas com cobre apresentam o sistema imunológico mais forte, assim, plantas com deficiência deste elemento ficam mais propensas a ataques de doenças foliares.

Outra decorrência da deficiência de cobre é a baixa polinização devido pouca produção de pólen, o que ocasionará abortamento de flores e baixa produção de grãos.

Plantas de café com folhas murchas e enrugadas, sintomas de deficiência de cobre
Sintoma de deficiência de cobre. Fonte: Yara.

A aplicação via foliar é feita em caso de deficiência grave na lavoura ou em culturas perenes como laranja e café, no entanto, é pouco efetiva devido ao cobre ser pouco móvel nas plantas. 

Desse modo, o recomendado é aplicação via solo, entretanto, cuidado com a concentração, pois em grandes quantidades este elemento se torna prejudicial

Usualmente o sulfato de cobre é aplicado na ordem de 3-5 kg/ha, já os quelatos a dose recomendada é 0,5 kg/ha.

Molibdênio (Mo)

O molibdênio é um micronutriente conhecido principalmente devido à influência no metabolismo do nitrogênio. Ele participa da redução do nitrato nas plantas, assim, sem o Mo, o nitrogênio não pode ser incorporado pelas plantas. Além disso, seu uso em leguminosas que fazem nodulação, como a soja, é essencial devido sua importância no metabolismo do N.

Ademais, ele faz parte da síntese de ácido ascórbico, que é um importante antioxidante na proteção das plantas e na síntese de açúcares.

Como sua função está estritamente relacionada ao nitrogênio, os sintomas de deficiência são semelhantes ao da falta de N, como: coloração verde pálida das folhas, que se tornam amareladas, com agravamento dos sintomas ocorre necrose marginal das folhas.

Folhas de soja com coloração verde pálida, amarelada e com necrose nas beiradas, sintomas de deficiência de molibdênio
Sintoma de deficiência de molibdênio. Fonte: Yara.

O molibdênio é fornecido em pequenas quantidades para as plantas, principalmente via semente seja no tratamento das mesmas ou junto ao sulco de plantio.

Boro (B)

O boro é um nutriente que faz parte da formação da parede celular e integridade da membrana plasmática, por isso é importante na formação de novos tecidos.

Além disso, ele auxilia no metabolismo de carboidratos e transporte de açúcares, e na movimentação da seiva.

Este micronutriente é requerido principalmente na fase reprodutiva, pois ele influencia no pegamento de flores e no enchimento dos grãos, na germinação do grão de pólen e crescimento do tubo polínico.

Em dicotiledôneas, como no caso da soja, a demanda por boro é maior se comparado com as monocotiledôneas (milho).

Sua deficiência então pode ser encontrada principalmente em dicotiledôneas, mas é observado deficiência em monocotilédones caso o solo seja mais pobre em B.

Como este micronutriente faz parte principalmente da formação de novos tecidos, em solos com deficiência as plantas ficam pequenas. Ademais, as folhas novas ficam mal formadas, com pontos necróticos no limbo foliar, com encurvamento das margens.

Planta de batata com sintomas de deficiência de boro, com folhas mal formadas, pontos necróticos e margens encurvadas.
Sintoma de deficiência de boro. Fonte: Yara.

Como o boro é pouco móvel nos vasos do floema, sua aplicação via foliar é pouco efetiva. É mais recomendado a aplicação via solo, pois este micro é absorvido e transportado via xilema, sendo distribuído dentro das plantas.

Em plantas perenes, a aplicação via foliar é mais recomendada, sendo realizada em períodos mais frequentes.

Zinco (Zn)

O zinco faz parte de enzimas que são componentes essenciais do RNA polimerase, que, por sua vez, vai influenciar na produção de proteínas. Faz parte também da integridade da membrana e na permeabilidade celular.

Além disso, indiretamente é precursor da auxina, que é um hormônio vegetal responsável pelo crescimento

Por estar relacionado com o crescimento vegetal, seus sintomas são redução dos internódios e da área foliar, com a presença de áreas internervais cloróticas nas folhas. 

Plantas de milho com sintomas de deficiência de zinco, apresentando redução dos internódios e da área foliar, além de nervuras cloróticas.
Sintoma de deficiência de zinco. Fonte: Yara.

Por ser considerado pouco móvel no solo e na planta, aplicações em culturas anuais – como soja e milho – são frequentes, ainda mais devido à interação entre os nutrientes.

Com níveis elevados de cobre, ferro e fósforo, a absorção de Zn é prejudicada, mas com uso de boro, a absorção deste elemento pode ser favorecida. Por isso, é importante estar atento na utilização dos nutrientes, o que favorece ou reduz a absorção de outro.

Sua aplicação pode ocorrer tanto via solo quanto via foliar, demonstrando resultados satisfatórios em ambas aplicações.

Ferro (Fe)

O ferro é um elemento que apresenta pouca deficiência em solos brasileiros, por serem solos ácidos. Solos mais arenosos, com pH mais alto, são os que apresentam sintomas de deficiência de Fe.

Por influenciar na fixação do nitrogênio, ser ativado ou componente de enzimas e catalisador na biossíntese da clorofila, seus sintomas ficam relacionados com clorose nas folhas novas. Com deficiência grave, essa clorose torna as folhas esbranquiçadas até levar a morte da plantas.

Planta de soja com sintoma de deficiência de ferro, apresentando clorose nas folhas novas.
Sintoma de deficiência de ferro. Fonte: Yara.

Em solos com baixo teor deste micronutriente é necessário aplicar via solo antes do plantio. Via foliar é necessário realizar aplicações sequenciadas para que o problema seja resolvido.

Manganês (Mn) 

O manganês tem papel estrutural, enzimático, atuação na fotossíntese e catalisador da redutase nitrato.

Assim, com sua falta, as plantas apresentam coloração amarelada nas folhas, causando, com passar do tempo, branqueamento e queda foliar, devido a isso, seus sintomas podem ser confundidos com a deficiência de ferro.

Planta de soja com deficiência de manganês, apresentando clorose nas folhas
Sintoma de deficiência de manganês. Fonte: Brasil agrícola.

Sua deficiência ocorre principalmente em solos que receberam altas doses de calcário, desse modo, ocorre elevação do pH, tornando o Mn insolúvel no solo.

Por isso, em solos com esta ocorrência, a aplicação mais recomendada é via foliar. Se for fazer via solo, faça junto com a adubação de base, nas linhas de plantio, para evitar a insolubilidade deste micronutriente.

Cloro (Cl)

O cloro é móvel dentro da planta, ele está relacionado com o funcionamento normal das células vegetais, por regular o movimento de entrada e saída de cátions e pequenas moléculas na célula.

Geralmente, o que ocorre no caso deste micronutriente é o excesso dele, e não a falta. Entretanto, caso ocorra, os sintomas são mais visíveis em folhas mais velhas, com redução do seu tamanho e com aparência de bronzeado nas folhas, que evoluem para necrose do limbo foliar.

Planta com sintomas de deficiência de cloro, apresentando folhas com aparência de bronzeado e pontos necróticos
Sintoma de deficiência de cloro. Fonte: Agrolink.

Conclusão

Os micronutrientes são tão importantes quanto os macronutrientes para uma boa saúde das plantas.

A quantidade necessária para suprir as necessidades das plantas são pequenas, por isto esta denominação.

Estes nutrientes atuam em diversas funções vitais nas plantas, por isso é importante conhecer os principais micronutrientes requeridos para sua cultura.

Saber quais são os principais sintomas dos micronutrientes essenciais é um passo a mais a ser dado para evitar perdas pela falta de um deles.

Fique atento na sua lavoura, faça análise foliar e de solo, faça uma adubação balanceada dos micronutrientes de acordo com as necessidades da sua cultura, seja via foliar ou via solo.

Até mais!

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