Pastejo rotacionado: vantagens e como funciona

Pastejo rotacionado: vantagens e como funciona

Muitas propriedades brasileiras ainda trabalham no sistema de pastejo contínuo, sendo usadas somente cercas das divisas das propriedades, e os animais permanecem boa parte do tempo ou a totalidade do mesmo em um único piquete.

Esse sistema tem vários pontos negativos, pelo motivo de não respeitar o crescimento das gramíneas, aumentar a compactação do solo, propiciar o aparecimento de erosão, além da baixa lotação e menor produtividade/hectare, consequentemente diminuindo a rentabilidade do sistema produtivo.

Já o sistema de pastejo rotacionado começou desde que as ovelhas e cabras foram domesticadas (5 a 6.000 a.C.), pois na época os rebanhos eram nômades, ou seja, migravam de um local para outro, pelo fato de não terem cercas nas propriedades, os pastores pastoreavam seus rebanhos e à medida que o pasto rebaixava, os animais caminhavam para outra área.

O pastejo rotacionado é uma das técnicas importantes para garantir a alimentação e aumentar a taxa de lotação dos bovinos, tanto para o gado de corte quanto para o gado de leite. Ela permite o fornecimento de alimento aos animais sem prejudicar o pasto e nem degradar o solo no local em que foi implantado a pastagem.

Mas, essa é uma técnica de manejo que exige conhecimento técnico para que possa ter uma boa eficácia. Neste artigo, vamos mostrar como funciona e quais suas vantagens. Acompanhe!

Afinal, o que é e como funciona o pastejo rotacionado?

criação de bovinos no Brasil é predominantemente baseada no uso do pastejo contínuo para a alimentação do gado, sendo que os animais ficam no mesmo piquete o tempo todo. O pasto, se bem manejado, é considerado uma das fontes mais econômicas de nutrientes.

Mas, nem sempre a forrageira plantada é suficiente para suprir as exigências nutricionais dos animais. Portanto, o pecuarista precisa pensar em estratégias.

A principal delas é a rotação de pastagem, técnica que exige ter 4 ou mais piquetes, sendo que os animais permanecem no pasto em datas pré-determinadas, chamadas de período de ocupação.

Gado em sistema de rotação de pastagem
Na rotação de pastagem, a área é dividida em piquetes onde o gado permanece se alimentando por um certo tempo até crescer a vegetação dos outros piquetes.

Também conhecido como pastejo rotacionado, esse sistema funciona, basicamente, da seguinte forma: um pasto é subdivido em diversos pastos menores, podendo variar de acordo com a taxa de lotação que o criador deseja.

Dessa forma, em um desses subpastos, denominados piquetes, o gado permanece pastejando, por determinado período de tempo, até que esse pasto chegue no ponto ideal de saída dos animais, que chamamos tecnicamente de altura de saída, sempre respeitando o meristema apical do pasto, que nada mais é que a ponta de crescimento do capim.

Nesse sentido, quando isso ocorre, o gado que estava nesse piquete é imediatamente transferido ao piquete seguinte, com pastagem nova, visando sempre atender sua exigência nutricional.

Enquanto isso, o piquete que foi totalmente consumido pelo rebanho, será recuperado até que tenha novamente um pasto com bom vigor e qualidade. Tudo isso a tempo de poder servir de pasto para o gado, que ainda está em outra área.

Confira uma técnica simples na construção dos piquetes na rotação de pastagem:

Fonte: Paracatu Rural.

Então, com a rotação de pastagem, o criador vai realizando uma espécie de rodízio, de modo que nunca falte pasto para o gado se alimentar.

Todavia, antes que esse modelo seja aplicado em uma fazenda, é preciso se atentar aos seguintes detalhes:

  • Oferta de água de qualidade;
  • Estruturas de nutrição (cochos, bebedouros, etc);
  • Qualidade do solo (fazer a análise química do solo, em seguida corrigi-lo e adubá-lo de acordo com a necessidade);
  • Características fisiológicas do pasto;
  • Pessoal treinado e orientado no sistema de rotação.

Variedades de capim para o pastejo rotacionado

A nível de campo, as espécies do gênero Brachiaria sp. e Cynodon sp. em pastejo rotacionado apresentam altura de entrada média entre 25 a 40 cm e saída entre 12 a 20 cm, com período de descanso de 21 a 35 dias.

Já as cultivares do gênero Panicum sp., como o colonião, geralmente apresentam altura de entrada de 80 a 100 cm e saída de 40 a 50 cm, com períodos de descanso de 28 a 35 dias.

Somente pela descrição acima já foi possível ter alguma noção do quanto pode ser benéfico o pastejo rotacionado. Afinal, pasto de qualidade durante o ano todo é uma grande vantagem, que todo criador de gado gostaria de usufruir.

No vídeo abaixo, veja como deve ser feita a adubação nitrogenada em áreas usadas na rotação de pastagem:

Fonte: Movimento Agro.

O mais interessante é que os benefícios não param por aí. Há outros que a rotação de pastagem pode oferecer aos seus negócios. Desse modo, confira a seguir quais são essas vantagens:

1. Melhor recuperação da planta forrageira

Portanto, quando damos um descanso ao pasto, as plantas daquela área conseguem se recuperar com mais força e com muito mais qualidade do que quando é realizado um pastejo contínuo.

Desse modo, o potencial nutritivo e o nível de persistência das forrageiras alcançarão patamares bastante elevados, o que resultará em um gado mais sadio.

Também é de extrema importância lembrar que os capins preferidos dos criadores de gado, ou seja, os capins Massai, Mombaça e Tanzânia, são totalmente avessos ao pastejo contínuo.

Gado pastando ao lado de uma área com oferta de água.
Para que a rotação de pastagem possa ser realizada, é preciso levar em conta, por exemplo, uma boa oferta de água na área definida como pasto.

Isso significa que a rotação poderá servir de base visando implementar o melhor tipo de pastagem, de acordo com o período e a necessidade do rebanho.

2. Diminuição de incidência de plantas invasoras com o uso do pastejo rotacionado

Quando não há competição na natureza, a tendência é que uma espécie se prolifere muito mais do que as outras, principalmente quando adubamos o pasto, pois quase que a totalidade dos nutrientes vai direcionado para a planta desejada, que no nosso caso é o pasto.

Assim, quando o gado se alimenta unicamente de uma espécie, as outras plantas não desejáveis ficam com o caminho livre para crescer e se proliferar, o que pode acabar tornando o pasto impróprio ao consumo do rebanho.

Desse modo, quando o manejo da pastagem é feito por meio da rotação, o período de descanso permite que as forrageiras possam se recuperar e assegurar um local livre de plantas daninhas.

Além disso, devido não haver concentração dos excrementos do gado em um único local, a incidência de microrganismos patógenos também é reduzida consideravelmente.

3. Com o pastejo rotacionado ocorre menos perdas de pastagem

Quando há apenas uma área de pastagem, esse local fica prejudicado com o excessivo pisoteio do gado. Isso pode gerar uma compactação do pasto e do solo, fazendo com que a recuperação seja muito lenta ou até mesmo não aconteça.

Gado pastando em área quase sem forragem
Pisoteio do gado pode prejudicar a pastagem. Uma das saídas é realizar a rotação que permite a recuperação da planta forrageira.

Com a rotatividade da pastagem, é possível controlar quando e em que local o rebanho irá pastar em determinado período de tempo, excluindo com isso que o animal fique muito tempo no mesmo pasto, desta maneira evitando a degradação do pasto.

4. O pastejo rotacionado permite maior controle do ambiente

Quando se divide o pasto em piquetes, possibilita melhora de folhas mortas, que entrarão em decomposição, transformando a mesma em matéria orgânica e consequentemente melhorando o ambiente em questão, além de evitar a compactação do pasto por pisoteio e melhorando a microbiologia do solo.

Desta maneira, a divisão dos pastos melhora muito o manejo, possibilitando separar categorias animais e raças de gado, bem como espécies de forrageiras específicas ou até mesmo realizar experiências de produtividade em menor tempo.

Além de otimizar o espaço, a rotação de pastagem também permite que o piquete sem ocupação seja usado para outros fins, como plantações e demais atividades agropecuárias, especialmente quando for trabalhar com integração lavoura pecuária floresta (ILPF).

O pastejo rotacionado, por ser um sistema muito eficaz, possibilita aplicá-lo tanto em grandes fazendas, como em pequenas propriedades rurais.

Fonte: Pro Rural – Prof. Cledson Garcia.

5. Pastagens perenes

Afinal, todos que lidam com o ambiente rural sabem o quanto custa e é trabalhoso a recuperação de áreas de pastagens e como a operação mal feita pode colocar em risco toda a produção.

Em um sistema de pastejo rotacionado essa renovação pode ser realizada de forma mais segura, eliminando possíveis dores de cabeça e valorizando ainda mais o solo e a qualidade do ambiente em que o gado está em pastejo.

Consequentemente, essa isenção da recuperação do pasto altera diretamente as finanças do criador de gado, gerando uma economia e, consequentemente, um aumento do faturamento do pecuarista.

Por ser um assunto de grande interesse do pecuarista, vamos mostrar neste vídeo como a integração Lavoura-Pecuária pode apresentar bons resultados, inclusive na rotação de pastagem:

Fonte: Embrapa.

Agora que você já ficou sabendo a importância e como realizar o pastejo rotacionado, acesse nosso artigo sobre o funcionamento da engorda a pasto.

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