Rotação de pastagem: vantagens e como funciona

Rotação de pastagem: vantagens e como funciona

A rotação de pastagem é uma das técnicas importantes para garantir a alimentação dos bovinos, principalmente do gado de corte.

Ela permite o fornecimento de alimento aos animais sem prejudicar a forrageira nem degradar o solo no local onde foi implantado o pasto.

Mas, essa é uma técnica de manejo que exige conhecimento técnico no sentido de que possa ter uma boa eficácia na rotação de pastagem. Neste artigo, vamos mostrar como funciona e quais suas vantagens. Acompanhe!

Afinal, o que é rotação de pastagem?

A criação de bovinos no Brasil é predominantemente baseada na utilização de pasto na alimentação do gado. É considerada uma das fontes mais econômicas de nutrientes.

Mas, nem sempre a forrageira plantada é suficiente para suprir as exigências nutricionais dos animais. Portanto, o pecuarista precisa pensar em estratégias. A principal delas é a rotação de pastagem.

Gado em sistema de rotação de pastagem
Na rotação de pastagem, a área é dividida em piquetes onde o gado permanece se alimentando por um certo tempo até crescer a vegetação dos outros subpastos.

Também conhecido como pastejo rotacionado, esse sistema funciona, basicamente, da seguinte forma: um pasto é subdivido em diversos pastos menores (geralmente em quatro), podendo variar de acordo com o criador.

Dessa forma, em um desses subpastos, denominado piquete, o gado segue se alimentando, por determinado período de tempo, até que essa área fique totalmente escassa de pastagem.

Nesse sentido, quando isso ocorre, o gado que estava nesse piquete é imediatamente transferido ao piquete seguinte, com pastagem nova e fresca, visando alimentá-lo.

Enquanto isso, o piquete que foi totalmente consumido pelo rebanho será recuperado até que tenha novamente uma forrageira com vigor e qualidade. Tudo isso a tempo de poder servir de pasto para o gado que ainda está em outra área.

Confira uma técnica simples na construção dos piquetes na rotação de pastagem:

Fonte: Paracatu Rural.

Então, com a rotação de pastagem, o criador vai realizando uma espécie de rodízio, de modo que nunca falte pasto para o gado se alimentar.

Todavia, antes que esse modelo seja aplicado em uma fazenda, é preciso se atentar aos seguintes detalhes:

  • Oferta de água;
  • Estruturas de nutrição (cochos, bebedouros, etc.);
  • Qualidade do solo (por vezes é preciso corrigi-lo e adubá-lo);
  • Características de forragens;
  • Pessoal treinado e orientado no sistema de rotação.

Variedades para rotação de pastagens

A nível de campo, as espécies do gênero Brachiaria e Cynodon em pastejo rotacionado apresentam altura de entrada média entre 30-40 cm e saída entre 20-25 cm, com período de descanso de 21 a 30 dias.

Já as cultivares do gênero Panicum, como o colonião, geralmente apresentam altura de entrada de 80-90 cm e saída de 40-50 cm e períodos de descanso de 28 a 35 dias.

Somente pela descrição acima já foi possível ter alguma noção do quanto pode ser benéfico o pastejo rotacionado. Afinal, pasto de qualidade e durante o ano todo é uma vantagem que todo criador de gado gostaria de usufruir.

No vídeo abaixo, veja como deve ser feita a adubação nitrogenada em áreas usadas na rotação de pastagem:

Fonte: Movimento Agro.

O mais interessante é que os benefícios não param por aí. Há outros que a rotação de pastagem pode oferecer aos seus negócios. Desse modo, confira a seguir quais são essas vantagens:

1. Melhor recuperação da planta forrageira

Portanto, quando damos um descanso ao pasto, as plantas daquela área conseguem se recuperar com mais força e com muito mais qualidade do que quando é realizado um pastejo contínuo.

Desse modo, o potencial nutritivo e o nível de resistência das forrageiras alcançarão patamares bastante elevados, o que resultará em um gado mais sadio.

Também é de extrema importância lembrar que os capins preferidos dos criadores de gado, ou seja, os capins Massai, Mombaça e Tanzânia, são totalmente avessos ao pastejo contínuo.

Gado pastando ao lado de uma área com oferta de água.
Para que a rotação de pastagem possa ser realizada, é preciso levar em conta, por exemplo, uma boa oferta de água na área definida como pasto.

Isso significa que a rotação poderá servir de base visando implementar o melhor tipo de pastagem, de acordo com o período e a necessidade do rebanho.

2. Diminuição de incidência de plantas invasoras na rotação de pastagem

Quando não há competição na natureza, a tendência é que uma espécie se prolifere muito mais do que as outras.

Assim, quando o gado se alimenta unicamente de uma espécie, as outras plantas não desejáveis ficam com o caminho livre para crescer e se proliferar, o que pode acabar tornando o pasto impróprio ao consumo do rebanho.

Desse modo, quando o manejo da pastagem é feito por meio da rotação, o período de descanso permite que as forrageiras possam competir e assegurar um local livre de plantas daninhas.

Além disso, devido não haver concentração dos excrementos do gado em um único local, a incidência de microrganismos patógenos também é reduzida consideravelmente.

3. Com rotação, ocorre menos perdas de pastagem

Quando há apenas uma área de pastagem, esse local fica gasto com o excessivo pisoteio do gado. Isso pode gerar uma compactação do pasto e do solo, fazendo a recuperação seja muito lenta ou até mesmo não aconteça.

Gado pastando em área quase sem forragem
Pisoteio do gado pode prejudicar a pastagem. Uma das saídas é realizar a rotação que permite a recuperação da planta forrageira.

Com a rotatividade da pastagem, é possível controlar quando e onde o rebanho irá pastar em determinado período de tempo, excluindo com isso a demora e a possibilidade de perda do local de pasto.

4. Rotação de pastagem permite maior controle do ambiente

Quando se fraciona um pasto, é possível administrá-lo da maneira que melhor se adéque ao ambiente em questão.

Dessa forma, é possível separar raças de gado com espécies de forrageiras específicas, ou até mesmo realizar experiências de produtividade em menor tempo.

Além de otimizar o espaço, a rotação de pastagem também permite que o piquete vazio seja utilizado para outros fins, como plantações e demais atividades agropecuárias.

Ademais, por ser um sistema muito eficaz, é possível aplicá-lo tanto em grandes fazendas, em pequenos sítios ou propriedades rurais de poucos hectares.

5. Pastagens perenes

Afinal, todos que lidam com o ambiente rural sabem o quanto custa e é trabalhoso a recuperação áreas de pastagens e como uma operação mal feita pode colocar em risco toda a produção.

Em um sistema de rotação de pastagem essa renovação pode ser realizada de forma mais segura, eliminando possíveis dores de cabeça e valorizando ainda mais o solo e a qualidade do ambiente em que o gado pasta.

Consequentemente, essa isenção da recuperação do pasto altera diretamente as finanças do criador de gado, gerando uma economia e, consequentemente, um aumento do faturamento do pecuarista.

Por ser um assunto é de grande interesse do pecuarista, vamos mostrar neste vídeo como a integração Lavoura-Pecuária pode apresentar bons resultados, inclusive na rotação de pastagem:

Fonte: Embrapa.

Agora que vc já ficou sabendo a importância e como realizar a rotação de pastagem, acesse nosso artigo sobre o funcionamento da engorda a pasto.

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