Pragas do maracujá: prevenção e controle

Pragas do maracujá: prevenção e controle

O Brasil é o maior produtor e consumidor de maracujá no mundo. Rico em vitaminas e minerais, o fruto é utilizado principalmente na produção de sucos e polpas, além de ser conhecido pelos princípios farmacêuticos, especialmente como calmante.

Cultivo do maracujá, como qualquer outro, está sujeito ao ataque de pragas e doenças que representam grandes prejuízos ao produtor e diminuem a qualidade dos frutos e seu valor comercial. Por isso, é fundamental conhecer os agentes causadores destes problemas, a fim de atuar na sua prevenção e controle.

Para te ajudar, reunimos informações da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) sobre as pragas do maracujazeiro. Veja como prevenir e controlar o ataque de insetos, ácaros, fungos, vírus, bactérias e nematoses para que a sua plantação seja bem sucedida.

Antes, porém, você sabe como plantar maracujá? Entenda o processo de cultivo da fruta, desde a escolha da espécie até a colheita!

Maracujá amarelo fruta
Para obter frutos sadios de maracujá é essencial o controle de pragas de forma correta.

Insetos e ácaros

Dividem-se em pragas chave e outras pragas. Nas primeiras, estão incluídos os seguintes bichos e suas principais consequências para a cultura do maracujá:

Lagartas: devoram as folhas, reduzindo a área fotossintética da planta, sua produtividade e o sumo dos frutos;

Percevejos: atacam e sugam a seiva da planta, causando queda de botões florais e, com isso, os frutos murcham;

Broca-do-maracujazeiro ou da haste: larvas abrem galerias no caule, tornando-os quebradiços e fracos, prejudicando o fluxo da seiva e causando morte do ramo;

Moscas: larvas atacam frutos e botões florais;

Besouro-das-flores: alimentam-se de folhas e flores novas à noite, causando furos e prejudicando a produção;

Vaquinhas: atacam e danificam botões florais e frutos, causando desfolha generalizada, além de rasparem frutos verdes.

Outras pragas:

Abelhas: danificam as flores, prejudicam a polinização e afugentam as abelhas mamangavas, polinizadoras do maracujazeiro;

Pulgões: transmitem viroses, sugam a seiva e causam deformações foliares;

Lagarta-de-teia: penetra nos frutos e destroem a polpa;

Tripes: causam deformação das folhas, queda dos botões florais e lesões nas cascas dos frutos, diminuindo sua qualidade e crescimento;

Cochonilhas: alimentam-se da seiva, causando morte das plantas;

Besouro-preto-da-flor do maracujazeiro: larvas alimentam-se de pólen, ovários e anteras das flores, danificando-as e gerando frutos deformados e escurecidos;

Ácaros: causam clorose, deformações e queda das folhas e morte de ramos;

Cigarrinha-verde: causa deformações e amarelecimento das folhas, e as flores não vingam;

Cupins: roem o colo da planta e destroem raízes, favorecendo a invasão de fungos.

Maracujazeiro saudável
Maracujazeiro saudável com boa produção

Medidas de controle dessas pragas incluem, principalmente: catação manual dos frutos infestados, controle biológico, eliminação de plantas hospedeiras ou plantio distante destas, monitoramento periódico do pomar, poda dos ramos afetados, aplicação de pasta sulfocálcica no interior das galerias (broca-do-maracujazeiro), destruição de plantas infestadas, controle químico e plantio de espécies atrativas às abelhas (eucalipto, hibisco, manjericão etc.).

Confira no vídeo abaixo como produtores de maracujá conseguiram vencer outra praga que quase acabou com o negócio: a mariposa azamora.

Fonte: Balanço Geral Joinville.

Doenças causadas por fungos

Fungos atacam as lavouras de maracujá de três formas: na sementeira, na parte aérea e no sistema radicular.

No primeiro caso, provocam uma doença conhecida como tombamento ou mela, onde atuam antes da emergência das plântulas, impedindo a germinação das sementes, ou depois, gerando necrose e tombamento da planta.

O controle dessas pragas se dá com o correto manejo da sementeira, controle de rega para evitar encharcamento do solo, uso de substrato e utensílios limpos e sementes desinfestadas. Deve-se evitar sombreamento excessivo.

Na parte aérea, os fungos causam antracnose, verrugose e septoriose. A antracnose afeta principalmente folhas (manchas circulares e queda), ramos (lesões que viram cancros, exposição dos tecidos e pontos pretos) e frutos (podridão e enrugamento precoce). Requer poda de ramos secos, retirada de frutos afetados, uso de mudas sadias e água limpa.

A verrugose afeta preferencialmente os tecidos novos de ramos, folhas e frutos, tornando-os imprestáveis. A septoriose causa lesões necróticas claras e circulares nas folhas, mas também afeta flores, ramos e frutos e pode causar a morte da planta. O controle de ambas as pragas é semelhante ao da antracnose e, nos três casos, a umidade excessiva pode favorecer as doenças.

Já no sistema radicular, os fungos geram murcha (ou fusariose) e podridão-do-colo. A primeira causa rachaduras e apodrecimento do caule próximo ao solo e às raízes, com murcha repentina e morte da planta, especialmente adultas, em poucos dias. Deve-se obter sementes e mudas sadias, desinfestar equipamentos e substratos, usar rotação de culturas e eliminar plantas atacadas.

Podridão-do-colo, por sua vez, causa murcha, casca amarronzada e morte lenta da planta. Para controlá-la, use sementes e mudas sadias, mantenha o solo bem drenado e elimine plantas doentes.

Doenças causadas por vírus

São quatro as doenças causadas por vírus: endurecimento-dos-frutos, mosaico do maracujazeiro, begomovirus e definhamento-precoce (ou morte-prematura). A primeira reduz o porte e a produtividade da planta, com sintomas nas folhas (mosaico verde claro e verde escuro nas novas e verde e amarelo nas mais velhas, rugosidades e bolhosidades) e nos frutos (distorções, redução de tamanho e rugosidades).

Mosaico do maracujazeiro, causado pelo vírus do mosaico do pepino, provoca pontuações amarelas nas folhas, e os frutos ficam reduzidos, endurecidos e deformados. Begomovirus afeta o crescimento do maracujazeiro e gera mosaico com pontos amarelos intensos nas folhas, além de distorções foliares e deformação de frutos.

Definhamento-precoce gera sintomas em folhas, hastes principais e ramos mais finos a partir do oitavo mês, após a primeira frutificação, com intenso desfolhamento e morte das plantas. As folhas apresentam áreas verde-claro e verde-escuro e os frutos maduros, manchas circulares verdes.

Não existem produtos para o controle dos vírus. Portanto, a melhor alternativa é a prevenção: uso de mudas sadias, eliminação de plantas daninhas hospedeiras, plantio em terrenos limpos, destruição de plantas doentes, desinfecção de ferramentas e rotação de culturas. No caso do definhamento-precoce, deve-se evitar estresse hídrico, produção precoce, deficiência nutricional, solos adensados e outros fungos e bactérias.

Os vírus que causam endurecimento-dos-frutos e mosaico do maracujazeiro são disseminados por pulgões, enquanto begomovirus é transmitido pela mosca-branca, por isso devem-se eliminar plantas que abriguem estes insetos.

Doenças causadas por bactérias

Bactérias são responsáveis por duas doenças que atacam a lavoura do maracujá: bacteriose (ou cancro-bacteriano) e murcha bacteriana.

A primeira dessas pragas afeta a parte aérea da planta e pode ser localizada, afetando as folhas com manchas; sistêmica, junto às nervuras foliares e folhas; ou ambas. Causa intensa desfolha, morte prematura das folhas, manchas oleosas amarronzadas nos frutos e sua posterior queda.

Para evitá-la, use mudas e sementes de boa procedência, prefira terrenos pouco arenosos, mantenha o solo bem drenado e não utilize excesso de nitrogênio nas adubações de cobertura. Algumas espécies de maracujá apresentam níveis baixos de ataques da doença.

A bactéria que causa a murcha bacteriana entope os vasos de condução da seiva e impede o fluxo de água e nutrientes, o que leva à murcha e morte da planta. O controle é feito com sementes e mudas sadias, plantadas fora da época de temperatura e umidade elevadas e onde não se plantaram solanáceas anteriormente, além de evitar ferimentos na planta, drenar bem o solo e utilizar rotação de culturas com gramíneas.

Nematoses

Várias espécies de nematoides causam danos ao maracujazeiro. Além de gerarem nodulações e intumescimentos conhecidos como “galhas”, eles afetam o desenvolvimento do sistema radicular, dificultando a absorção de água e nutrientes do solo, e causam amarelecimento e queda das folhas.

O controle se dá pelo uso de mudas sadias e coberturas verdes, desinfestação de equipamentos, identificação da espécie de nematoide que afeta a planta e rotação de cultura com auxílio profissional, já que estes organismos dificultam a realização desta técnica.

Vale ressaltar que quaisquer produtos químicos para combater as pragas citadas acima só devem ser aplicados após a indicação de um profissional.

Conheça o aplicativo AgroPragas Maracujá, criado pela Embrapa para ajudar na identificação e controle das principais pragas que atacam os maracujazeiros. Acesse no vídeo abaixo:

Fonte: Embrapa Mandioca e Fruticultura.

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