Conheça um tipo de abelha nativa sem ferrão que produz mel de excelente qualidade

Conheça um tipo de abelha nativa sem ferrão que produz mel de excelente qualidade

 

Tradicional de regiões subtropicais e tropicais, a chamada abelha sem ferrão tem sido a escolha de pequenos produtores, pelo sabor delicioso do seu mel.

 

Apesar de produzirem em menor quantidade que as abelhas com ferrão, o mel das abelhas nativas tem um valor de mercado muito maior, chegando a custar R$ 150 o quilo – em contraste com os R$ 10/kg do mel das abelhas tradicionais.

 

Essa diferença de preço é resultado do sabor que o mel das abelhas sem ferrão apresenta. Cada enxame, seguindo sua forma de produção e suas especificidades, consegue fabricar néctares com diferentes sabores, mais suaves e menos enjoativos. Esse mel, também, é muito utilizado como ingrediente em receitas culinárias e como remédio para gripes e resfriados.

 

Além disso, a criação dessas abelhas é um favor ao meio ambiente. Como grandes polinizadoras, esses insetos auxiliam no crescimento, florescimento e frutificação de diversas plantas e árvores.

 

Abelha preta polinizando uma flor branca
Abelhas são importantes no processo de polinização

 

A criação das abelhas nativas sem ferrão chama-se meliponicultura. A seguir explicaremos as principais diferenças e características dessas abelhas, como é o mel e quais as espécies mais conhecidas.

 

Aproveite e aprenda dicas de como fazer manejo na produção de mel adequadamente!

 

 

AS TRIBOS

 

Para compreender melhor a organização das abelhas nativas sem ferrão, é preciso conhecer suas divisões em tribos e grupos.

 

As tribos são dividas em duas: Trigonini e Meliponini. A primeira tem como características principais o fato de construir em sua colmeia células reais no entorno das células de cria. As células reais tem um tamanho bem maior do que as tradicionais e servem para a cria da abelha rainha.

 

O mesmo não acontece com as abelhas da tribo Meliponini. Essas abelhas nativas não constroem células reais; todas têm o mesmo tamanho e, por isso, podem nascer várias rainhas.

 

Ambas as tribos possuem cerca de 50 gêneros e mais de 300 espécies de abelhas. Nesse post vamos identificar as abelhas sem ferrão mais tradicionalmente criadas.

 

 

ESPÉCIES MAIS CONHECIDAS

 

As espécies mais conhecidas também são as mais criadas pelos produtores. Entretanto, é imprescindível que a ocorrência destas abelhas de acordo com sua região seja respeitada.

 

Conheça as principais espécies das abelhas nativas sem ferrão.

 

Jataí: muito comum no estado de São Paulo, mas pode ser encontrada em todo o Brasil. É também a mais procurada para criação, porque tem fácil adaptação em qualquer local, seja em área rural ou urbana. Pode ser criada próximo de residências, pois não traz nenhum perigo para humanos e animais. Seu mel tem sabor suave e adocicado na medida certa; é muito procurado para fins medicinais.

 

Canudo de entrada na colmeia de abelha jataí
As abelhas Jataí são muito comuns no estado de São Paulo e tem alto valor de mercado.

 

Iraí: ocorre principalmente na região sul, com mais facilidade no estado do Paraná, mas pode ser encontrada também no nordeste. Tem o mesmo temperamento da Jataí e pode ser criada em qualquer ambiente. O mel da abelha Iraí também é bastante saboroso e prova disso é a origem do seu nome, do Tupi-Guarani, que significa Rio do Mel. É também uma grande produtora de própolis.

 

Uruçu: constante nas regiões nordeste e norte do Brasil. Tem dois tipos mais famosos, a Uruçu-Amarela e a Uruçu-do-Nordeste. Ocorre ainda em áreas litorâneas e tem tamanho maior que as demais abelhas nativas. O mel é mais líquido, porém, rende mais e, por isso, é uma das mais procuradas por produtores.

 

Guarupu: presente no sudeste brasileiro, mas pode ser encontrada também no Paraná. Ao contrário das outras espécies que buscam frestas para formar colmeias, as guarapus preferem locais rentes ao solo, como raízes de árvores. O mel da abelha guarapu é deliciosamente saboroso.

 

Mandaçaia: ocorre no sul até o nordeste, mas pode aparecer em outras regiões. Também se trata de uma abelha com tamanho maior que a Iraí e a Jataí, mas igualmente mansa. O mel da mandaçaia é um dos mais gostosos porque é doce, mas sem ser enjoativo.

 

 

A PRODUÇÃO DO MEL DAS ABELHAS NATIVAS

 

Apesar das particularidades de sabor, as abelhas nativas possuem praticamente os mesmos métodos de produção do mel; mas elas têm suas flores de preferência, por isso a diferenciação no gosto.

 

Mas além das flores, o solo e o clima também podem influenciar no sabor do mel. Por isso, é tão importante mantê-las em suas respectivas regiões.

 

Ao contrário das abelhas com ferrão que produzem mel em favos, essas pequenas armazenam o mel em pequenas bases semelhantes a potes. Esse mel, muitas vezes, é rico em água, o que torna seu armazenamento mais curto, justamente pela possibilidade de fermentação precoce.

 

Após a retirada do mel para venda, o ideal é que seja armazenado em local refrigerado.

 

 

COMO É A CRIAÇÃO DAS ABELHAS NATIVAS

 

É importante ressaltar que, apesar do nome, as abelhas nativas possuem um ferrão atrofiado, impossibilitando seu uso.

 

Por isso, na criação dessas abelhas, é praticamente dispensável todo o aparato para o tratamento desses insetos, como roupas e luvas.

 

Entretanto, as abelhas nativas sem ferrão possuem suas táticas de defesa, como mordidas e depósitos de própolis (com o intuito de imobilizar o predador). Nos humanos, elas podem entrar no nariz e nos ouvidos, assim como enrolar nos cabelos. Apesar de inofensivas, podem dar um certo trabalho!

 

Para criar essas abelhas não é difícil. Como elas se adaptam facilmente em ambientes urbanos, qualquer fresta pode se tornar ninho. É comum encontrar enxames das abelhas nativas em caixas e latas vazias, buracos nas paredes, cavidades em tijolos, ou, ainda, árvores ocas.

 

 

CUIDADOS

 

Apesar das abelhas nativas serem adaptáveis aos mais diversos lugares, alguns cuidados precisam ser tomados.

 

A principal delas é respeitar a região de onde essas abelhas são oriundas (como destacamos anteriormente). Retirar uma colmeia de um local e tentar transferi-la para uma localidade na qual ela não ocorre, pode causar sua extinção.

 

Outro cuidado é com a fonte de alimentação. As abelhas sem ferrão têm flores de preferência e, caso não floresçam, o enxame pode ficar sem comida. Se assim acontecer, o criador pode optar pela alimentação artificial.

 

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