Frutíferas em vasos. Como cultivar?

 

 

Dá para saborear uma fruta colhida no pé morando na cidade, num apartamento ou casa pequena? Claro que sim! As frutíferas podem ser plantadas em vasos e produzir belos e deliciosos frutos da mesma forma que acontece no plantio no solo. A única diferença é que no plantio em vasos o solo deverá ser mais estruturado em sua nutrição do que no cultivo tradicional. E a reposição dos nutrientes deverá acontecer durante várias vezes no ciclo de cultivo da planta.

Mas é preciso estar consciente de que, por mais que os vasos caibam em espaços pequenos, as frutíferas necessitam de várias horas diária de luz direta do sol. Uma sacada bem ensolarada, um terraço ou mesmo um pátio é fundamental.

Quais plantas frutíferas podem ser plantadas em vasos?

Abaixo algumas espécies que se adaptam ao cultivo em vaso, frutificando com vigor e qualidade:

 

Romã 

A romãzeira, além de ter frutos deliciosos, ainda apresenta uma belíssima floração, com flores carnosas e dobradas. Ela se adapta tão bem aos vasos que pode ser cultivada inclusive como bonsai, em formatos miniaturizados e muito elegantes.

 

Limoeiro 

As variedades de limões se adaptam incrivelmente aos vasos, muitas vezes carregando de enormes e perfumados limões. Escolha variedades produtivas, preferencialmente enxertadas e já produzindo para plantar em vasos.

 

Laranjeira 

Escolha uma planta enxertada, preferencialmente de porte anão e que já esteja produzindo. Aprecia regas frequentes e muito sol para manter a saúde. Evite chegar a copa fechada, tipo arbustiva, pois reduz a produtividade e aumenta a chance de doenças e pragas se instalarem.

Laranja-kinkan 

Essa laranjeira é ideal para vasos, pois possui naturalmente menor porte e frutos pequenos, ficando não apenas proporcional, mas linda e produtiva se bem cuidada. Aprecia meia sombra.

 

Mexerica 

 

Essa tem um gostinho especial de infância, pois não precisa nem de faca para saborear. A gente descasca com as mãos e já fica aquele perfume. Cuide da mesma forma que laranjeiras e limoeiros, com boa fertilização, regas e podas de limpeza e formação. Escolha variedades produtivas, preferencialmente enxertadas e já produzindo, para plantar em vasos.

 

Manga 

Por incrível que pareça, as mangueiras, árvores tão imponentes, de folhas e frutos grandes, também podem ser cultivadas em vasos. Elas têm necessidade de água e luz, mas se adaptam bem aos vasos. Escolha variedades anãs, que produzam mesmo com pequeno porte.

 

Jabuticaba 

A jabuticabeira é uma das árvores preferidas para plantar em vasos. Compre plantas da variedade Sabará, anã e que já estejam produzindo. A jabuticabeira é especialmente exigente em água. Não deixe faltar no período de floração e frutificação.

 

Pitanga 

Uma espécie nativa, de pequeno porte e com os frutos mais deliciosos e perfumados. Além disso, são difíceis de encontrar em supermercados e quitandas, sendo comum que pessoas que crescem nas cidades nunca terem provado pitanga. Uma fruta tão brasileira e que ajuda a alimentar a fauna silvestre também. Atualmente ainda há uma variedade arbustiva, de enfolhamento denso, que além de produzir pitanga, torna-se um elegante arbusto, podendo ser até mesmo topeado.

 

Araçá 

Outra frutífera nativa do Brasil, com um sabor do campo, que lembra a goiaba. Escolha preferencialmente variedades anãs, de frutos vermelhos ou amarelos. Rústica e fácil de cuidar.

 

Maçã 

 

A frutífera favorita nos Estados Unidos e Europa, para plantar em vasos. Lá há disponibilidade de árvores de porte anão, que produzem muito, mesmo bem pequenas. Pode ser uma opção interessante em locais de clima mais temperado a subtropical.

 

Figo 

Uma árvore exótica, mas muito bem adaptada. As figueiras também são ótimas para plantar em vasos e obter seus deliciosos frutos. Cuide com as podas, para formar uma árvore de copa limpa e bem arejada, mantendo assim sua saúde e estimulando a produção de frutos.

 

Goiaba 

 

Outra nativa muito fácil de cuidar e boa para vasos. E é incrível como o sabor de goiaba arrancada do pé é diferente das goiabas compradas. As compradas sempre me passam a sensação de serem verdes, indigestas e grandes demais. Coma goiaba in natura, ou prepare compotas, goiabada, molhos, etc, com sua própria goiabeira cultivada em vasos. Cuide para que não falte água e fertilizantes.

 

Acerola 

 

Já pensou ter sua dose de vitamina C diária ao alcance das mãos? A acerola é uma fruta riquíssima e saborosa. Ideal para sucos refrescantes. E adivinha só? É perfeita para plantar em vasos. Gosta de sol, calor e regas frequentes.

Há outras espécies que se adaptam bem a vasos, entre essas podemos citar a cerejeira-do-rio-grande, cerejeira, ameixeira, pessegueiro, pereira, amoreira, abacateiro, nectarina, lichia, framboesa, entre outras.

 

 

Seguem algumas dicas importantes e práticas para o cultivo:

Vaso e terra

 

Para cada árvore de frutos você precisará de um vaso que contenha 20 litros de terra, pelo menos e, é importante que haja espaço para as raízes se expandirem (vasos bojudos são bem adequados). Prepare a terra para estes vasos com uma mistura de 50% de terra orgânica, preta, pesada, e 50% de areia média de construção (areia de rio lavada). No fundo do vaso, até uns 15cm da altura, faça a cama de drenagem com pedriscos, cacos de telha ou tijolo (não se esqueça de que o vaso deverá ter alguns furos no fundo, para escoamento da água).

Sol e luz

As frutíferas só darão bons frutos se tiverem sol e luz durante, pelo menos, 6 horas, todos os dias.

Adubação

Você deverá fornecer à terra de cada vaso os nutrientes necessários – nitrogênio, fósforo, potássio deverão ser incorporados à terra algumas semanas antes de você instalar a muda frutífera – e os micronutrientes que cada planta requer e que você identifica pela coloração das folhas. Um “plus” de fertilização deverá ser feito antes da época de frutificação, quando as flores começam a abrir, e você poderá usar composto orgânico bem curtido, torta de mamona e cinzas, ou líquido fertilizante que se faz com restos orgânicos batidos com água.

Irrigação

Dependendo do clima da sua região, uma frutífera em vaso precisará de até 3 regas por semana. Você pode fazer as regas em dias fixos reduzindo a quantidade em períodos de chuva e aumentando em época de muita seca. Também pode fazer a rega com o líquido fertilizante de que falei acima e para o qual existem diversas fórmulas.

A cada R$ 1,00 aplicado pela Embrapa em 2017, R$ 11,06 foram devolvidos para a sociedade

 

Segundo dados do Balanço Social da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), divulgados recentemente, para cada real aplicado pela instituição em 2017 foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade. O lucro social foi de R$ 37,18 bilhões, gerados a partir da adoção de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares pelo setor agropecuário.

Segundo Antonio Flavio dias Ávila, pesquisador e supervisor de Avaliação de Desempenho Institucional da Secretaria de Desenvolvimento Institucional (SDI) e líder dos estudos de avaliação de impacto da Embrapa, “o lucro social deriva de benefícios econômicos obtidos por quem adota tecnologias disponibilizadas pela empresa”. “Quando relacionamos os benefícios econômicos com a receita operacional líquida anual, temos o que chamamos de retorno social ou lucro social”, explica Antonio.

Ele diz que, “se considerarmos o fluxo de benefícios econômicos e de custos das tecnologias, a taxa interna de retorno média é de 36,2%”. Para chegar ao resultado de R$ 11,06 devolvidos à sociedade, o balanço relaciona indicadores laborais, sociais e as tecnologias desenvolvidas e transferidas à sociedade.

Entre o conjunto de tecnologias e cultivares destaca-se a contribuição na tropicalização do trigo, com o desenvolvimento do cultivar BRS 404, específica para cultivo em sequeiro nos cerrados. A cultivar de soja BRS 7380RR resistente aos principais nematoides de solos – vermes microscópicos – posiciona a Embrapa na liderança numa área que havia sido dominada pela genética importada.

 

A parceria com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e a Olimpo Informática, permitiu, no âmbito da produção animal, a criação da Plataforma de Qualidade – Carne Bonificada. A ferramenta integra todos os elos da cadeia da qualidade da carne nacional e simplifica a adesão dos produtores a protocolos de raças e às exigências dos diferentes mercados importadores. Atendidos os requisitos estabelecidos nos Programas de Certificação de Raças Bovinas, os bois abatidos recebem selos de qualidade que proporcionam ao produtor o pagamento de bonificação.

O balanço destaca, na agricultura familiar, o desenvolvimento da BRS Zamir, cultivar que já ocupa 10% da área plantada com tomate-cereja, mais produtiva, tolerante ao principal fungo que ataca o tomateiro e com alto teor de licopeno.

A Embrapa disponibiliza sua produção técnico-científica diretamente na internet. Só em 2017, o total de downloads dos conteúdos alcançou 24,5 milhões. Já o Programa Prosa Rural ganhou diversas versões na Web, inclusive aplicativo para celular.

Ora-pro-nóbis, a planta que salva

 

Dentre as folhas com uso potencial na alimentação humana, uma das que mais têm conquistado as pessoas é a Pereskia Aculeata, conhecida popularmente como ora-pro-nóbis, trepadeira limão e groselha-de-barbados. É uma trepadeira semi lenhosa e arbustiva que, no Brasil, ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul e na região Noroeste do estado do Paraná, encontradas na forma de trepadeira em matas secundárias.

Suas propriedades já são muito conhecidas, principalmente pelas pessoas que vivem nas zonas rurais, e a cultivam em seu quintal como remédio e alimento. Foi a partir desse conhecimento popular que a ora-pro-nóbis passou a chegar às grandes cidades.

É possível seu cultivo em ambiente em casa, uma vez que pega bem em qualquer tipo de solo, não exige cuidados específicos, se propaga com facilidade. Tem espinhos e pode ser usada em cercas-vivas, se desenvolvendo bem tanto à sombra como ao sol.

A ora-pro-nóbis é propagada por meio de estacas plantadas em solo fértil enriquecido de matéria orgânica e, depois de enraizadas, são transplantadas para o local definitivo. Em épocas de chuva pode ser plantada diretamente em local definitivo. Seu desenvolvimento, quando feito por estaquia, é lento nos primeiros meses, mas após formação das raízes tem o crescimento bastante acelerado.

 

BENEFÍCIOS

 

A ora-pro-nóbis é uma das maravilhas da medicina alimentar, que contém uma ampla gama de compostos cada vez mais reconhecidos como essenciais para a saúde humana. Tem altos níveis e quantidades significativas de fibras, vitaminas A, B, C, ferro, magnésio, manganês, potássio, cálcio e cobre. Além disso, os compostos antioxidantes poderosos (carotenoides) completam este arsenal de Fito nutrientes e compostos orgânicos benéficos.

Os pesquisadores veem evidências de que o consumo da hortaliça reduz a pressão arterial e os níveis de colesterol, assim como tornam o sangue menos propenso a formar coágulos.

Alguns dos benefícios para a saúde da ora-pro-nóbis incluem sua capacidade para ajudar a perder peso, aumentar a saúde do coração, ajudar no desenvolvimento das crianças, o tratamento de certas doenças gastrointestinais, prevenir certos tipos de câncer, proteger a pele, aumentar a visão, fortalecer o sistema imunológico, construir ossos fortes e aumentar a circulação.

Suas folhas são empregadas como emoliente e consumidas como fonte alimentar, sem índice de toxicidade. As folhas de Pereskia Aculeata possuem importantes qualidades nutritivas, como alto teor de carboidrato, lisina, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, cobre e, principalmente, alto teor de proteínas, o qual apresenta acima do necessário para consumo humano recomendado pela Food and Agriculture Organization (FAO).

Apesar de pouco estudada cientificamente, sabe-se que é rica em proteínas essenciais, o que a faz de grande utilidade no combate à desnutrição em seres humanos. Desta forma, destaca a possibilidade do seu uso como fonte de proteína foliar na alimentação humana.

O valor proteico de um alimento é determinado pela sua composição em aminoácidos essenciais, sendo que o aproveitamento biológico dos aminoácidos (biodisponibilidade) depende também da digestibilidade da proteína. Sendo assim, o perfil aminoacídico fornece boa indicação da qualidade de proteínas alimentares, e tem como funções participar da construção e manutenção dos tecidos, formação de enzimas, hormônios e anticorpos, fornecimento de energia e regulação de processos metabólicos. Além do nitrogênio, os aminoácidos fornecem compostos sulfurados ao organismo

As folhas de Pereskia Aculeata têm sido utilizadas pela Pastoral da Criança na produção da multi mistura, empregada no tratamento preventivo e curativo da desnutrição infantil em comunidades carentes. Podem ser consumidas como refogados e sopas, na forma de farinha preparando tortas, macarrão, biscoitos, pães e bolos de alto teor proteico.

TECNOLOGIA PREDOMINA NA TERCEIRA ONDA DE INOVAÇÕES PARA MELHORAR PRODUÇÃO AGRÍCOLA

 

Num tempo marcado pela dinamicidade dos avanços científicos e tecnológicos em todos os segmentos, pesquisadores afirmam que a agricultura está entrando no que é chamada de terceira onda das inovações, justamente a que utilizará ainda mais tecnologia para melhorar a produtividade agrícola.

Segundo a pesquisadora da Embrapa, Silvia Massruhá, em entrevista à reportagem do Portal Datagro, a primeira onda foi a revolução verde, dos fertilizantes, sementes e defensivos; a segunda, que está em curso, é pautada pelos sistemas integrados de produção, como, por exemplo, a integração-lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

A pesquisadora diz que a terceira onda será marcada pela utilização de insumos biológicos, soluções digitais, Internet das Coisas (Iot), automação, edição de genes, nanotecnologia, entre outras inovações. “Serão tecnologias e sistemas cada vez mais complexos, com foco em fazer mais com menos de modo sustentável.”

“Teremos fazendas conectadas, com a agricultura baseada em soluções digitais de monitoramento e controle de pragas, insumos, clima, solo, entre outras variáveis. Com a adoção dos mais diversos sensores, a massa de dados que será gerada será fundamental para ajudar o produtor a melhorar seu rendimento”, destaca Silvia.

Entre os desafios, segundo a pesquisadora, estão à conectividade deficiente no campo, a necessidade de capacitação da mão de obra, a busca por integração entre as tecnologias, etc.

DIA DO CACAU, O FRUTO DE OURO

Por Marcelo Franco

 

Hoje, 26 de março, é o Dia do Cacau, sinônimo de chocolate e chamado fruto de ouro por conta da sua alta lucratividade e versatilidade.

O fruto proveniente da América Central é cultivado em cerca de 17 milhões de hectares em todo o mundo.

Foi ganhando importância econômica no mundo com a expansão do consumo de chocolate e com isso, várias tentativas foram feitas visando a implementação da lavoura cacaueira em outras regiões com condições de clima e solo semelhantes às de origem. Assim suas sementes foram se disseminando gradualmente pelo mundo.

NO BRASIL

O Brasil assumiu o posto do quinto maior produtor de cacau do planeta, ao lado da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.

O fruto adaptou-se bem ao clima e solo do Sul da Bahia, região que produzia 95% do cacau brasileiro, ficando o Espírito Santo com 3,5% e a Amazônia com 1,5%, até o ano de 2016. [Editado]

Cerca de 90% de todo o cacau brasileiro é exportado, gerando importantes divisas para o país.

Segundo informações atualizadas, o Pará consolidou sua posição de maior produtor de cacau em grão do país. Sozinho, o estado responde por quase 50% da produção nacional, à frente da Bahia, segunda colocada. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de junho/2017, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

VERSATILIDADE

O cacaueiro sempre foi cultivado para aproveitar apenas as sementes de seus frutos, que são a matéria-prima da indústria chocolateira. Mas, do fruto do cacaueiro, é possível extrair outros subprodutos.

O suco da polpa do cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito agradável ao paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais. É fibroso e rico em açúcares (glicose, frutose e sacarose) e também em pectina.

Com esta mesma polpa é possível produzir também geléias, destilados finos, fermentados – a exemplo do vinho e do vinagre – e xaropes para confeito, além de néctares, sorvetes, doces e uso para iogurtes.

A casca do fruto do cacaueiro, também pode ter aproveitamento econômico. Ela serve para alimentar bovino, tanto in natura como na forma de farinha de casca seca ou de silagem, como também para suínos, aves e até peixes. A casca do fruto do cacaueiro pode ainda ser utilizada na produção de biogás e biofertilizante, no processo de compostagem ou vermicompostagem, na obtenção de proteína microbiana ou unicelular, na produção de álcool e na extração de pectina. Uma tonelada de cacau seco produz oito toneladas de casca fresca.

DIA MUNDIAL DA ÁGUA – SISTEMA AGROPECUÁRIO INOVADOR TEM ÁGUA COMO ELEMENTO CENTRAL

Por Marcelo Franco

 

 

Hoje, 22 de março, é o dia mundial da água, um dos elementos mais fundamentais para a existência da vida em nosso mundo. Ela sacia, hidrata, limpa, refresca, conduz, irriga e até destrói e mata. Reverenciamos sua força e importância, apesar de toda falta de cuidado em preservá-la de maneira sustentável para as próximas gerações.

Celebrando o valor deste precioso elemento, trazemos hoje algumas informações sobre um sistema agropecuário inovador e eficiente, que tem como ponto central a água. Conheça o sistema Mandalla, criado no nordeste brasileiro, que tem ajudado muitas famílias e pequenos produtores em sua sobrevivência e qualidade de vida.

 

SISTEMA MANDALLA

Mandalla é uma palavra de origem sânscrita que significa círculo e, universalmente, representa a harmonia e a integração.

O sistema agropecuário Mandalla foi criado pelo administrador Willy Pessoa há cerca de trinta anos, na Paraíba. Sua filosofia tem como base a recapacitação para a auto-sustentabilidade do homem do campo, dentro de suas próprias condições culturais tradicionais – o que inclui o meio ambiente e a cultura.

 

 

A ESTRUTURA FÍSICA E FUNCIONAL DO SISTEMA MANDALLA

A estrutura física do Sistema Mandalla ocupa uma área média de 50 x 50 metros. Constuitui-se de nove círculos concêntricos. Diferentes culturas agrícolas e animais são cultivados ao redor de um reservatório de água, que é a base essencial do sistema.

Os primeiros três círculos são compostos de um tanque de água onde existe uma criação de peixes e animais de pequeno porte – galinhas, marrecos, coelhos e similares. Há culturas de frutas e hortaliças, além de café, batata-doce, mandioca e similares. Nas bordas do terceiro círculo são cultivadas plantas medicinais e ornamentais.

Do primeiro ao terceiro círculo, tudo é destinado à melhoria da qualidade de vida dos que vivem a partir de seu próprio Sistema Mandalla. Os três círculos provêm praticamente todo alimento necessário para o núcleo familiar. Na verdade, uma única Mandalla alimenta até cerca de vinte pessoas. No entanto, esses três primeiros círculos, além de proverem todos os alimentos necessários para as famílias, promovem um incremento econômico inicial mínimo, que é conseguido com a venda do excedente da produção obtida.

Do quarto ao oitavo círculo, a função dos cultivos é a melhoria da condição econômica das famílias. Os agricultores escolhem e cultivam uma rica variedade de plantas alimentícias de acordo com os espécimes locais e a demanda de mercado. Aqui, o cultivo se destina essencialmente à venda dos produtos agrícolas para indústrias, mercados e similares.

O nono é o círculo de equilíbrio ambiental. Ele envolve os demais círculos e cumpre as funções de proteger o Sistema Mandalla através de cercas-vivas e quebra-ventos, prover uma parte da alimentação dos animais e fazer a inserção da Mandalla, de forma ecologicamente equilibrada, no meio ambiente circundante.

O Sistema Mandalla não necessita de nenhum tipo de defensivo agrícola devido à forma peculiar em que as diferentes culturas agrícolas são distribuídas dentro de sua estrutura em forma de círculos concêntricos, que as protege naturalmente das pragas. Por isso, os alimentos obtidos são naturalmente orgânicos.

A irrigação das plantas ocorre a partir da água do tanque central, que é bombeada e distribuída por um sistema simples de irrigação piramidal feito por seis tubos de mangueira plástica, que irrigam os nove círculos. O sistema de irrigação é feito por micro-aspersão, através de pequenas hastes plásticas flexíveis furadas, do tipo cotonetes, que aspergem a água de forma difusa, ampla e não concentrada, beneficiando assim várias plantas ao mesmo tempo e evitando a erosão do solo.

A construção do tanque de água, a feitura dos círculos concêntricos e a instalação do sistema de irrigação levam poucos dias para serem concluídos. Assim, a base de instalação do Sistema Mandalla é rápida.  O custo médio de sua instalação completa é cerca de R$ 1.300,00 a R$ 1.500,00, mas isso pode variar um pouco de região para região.

A HISTÓRIA DO PORTAL AGROMULHER PELA ENGENHEIRA AGRÔNOMA VANESSA SABIONI

Olá! Sou Engenheira Agrônoma e venho hoje relatar uma parte da minha vida que representa minhas passagens pelo universo agro e como cheguei até aqui como fundadora do Portal AgroMulher.

Não é fácil escrever sobre mim mesma e sobre as situações ruins pelas quais eu passei. Acredito que isso acontece para muitas pessoas. A falta de autoconhecimento nos deixa ansiosos e com baixa autoestima, e pensando em reverter esta situação decidi criar um “espaço” onde pudesse ser eu mesma, onde pudesse pensar e sentir, conviver com pessoas com mesmo propósito que o meu: transformar a vida das pessoas.

Eu? Ansiosa, impulsiva, brava, séria, crítica, orgulhosa, sistemática, impaciente, mas também extrovertida, inteligente, feliz, criativa, sensível, amorosa, carinhosa e com uma enorme vontade de aprender, crescer e ajudar as pessoas. Ajudar no sentido de apoiar, fortalecer, unir e sentir a real necessidade das pessoas, com seus anseios pessoais e profissionais.

Em minhas experiências no mercado do agronegócio meus pontos fracos prevaleciam, mesmo já tendo feito dois anos de análise. Hoje percebo que isso acontecia porque eu me conhecia muito pouco e, quando a gente não sabe quem é, como vamos nos aceitar? Conhecer e aceitar os nossos pontos fracos nos ajuda a lidar com eles e a comparar situações que nos fizeram expor tais pontos. Isso nos ajuda a dar a melhor direção para as próximas ações.

Na minha primeira oportunidade no agronegócio, no ano de 2016, iniciei como assistente técnica numa empresa de agroquímicos, atuando na relação de venda com clientes, venda e marketing de produtos, e campos demonstrativos. Também tive contato com o preconceito, o assédio e a competição. Foi uma das fases mais difíceis da minha vida, mas passar por ela me fez uma pessoa mais consciente dos meus próprios limites e potencial, e ainda pude fazer muitas amizades, adquirindo conhecimentos técnicos e visão mais abrange sobre os mercados do agro.

Na segunda oportunidade em 2017, atuei no marketing para o desenvolvimento de mercado de adubos especiais, atendendo cooperativas de café. Nesta oportunidade me vi perdida. Tudo que havia aprendido lá atrás tinha virado poeira e a minha vida estava péssima. Tinha um gestor insensível, negativamente competitivo e que fazia microgerenciamento comigo. Ele não percebeu o excelente trabalho que eu fazia, conquistando a amizade dos gerentes das cooperativas e das pessoas que trabalhavam nelas. Ele fazia várias visitas técnicas nas fazendas nas quais eu vendia, montava campos demonstrativos e os clientes falavam muito bem de mim, dos produtos e dos resultados efetivos.

Meu chão se abriu. Quem sou? Onde estou? Para que eu sirvo? Por que eu estou aqui? O que eu faço agora? Como as outras mulheres que passam por isso lidam com essa situação? Eu realmente não sabia. Minha certeza era a vontade de ajudar as mulheres que estavam neste segmento. Mas como?

Sempre gostei de estar na mídia e nas redes sociais. Sempre gostei de mostrar a minha carinha. Aliei esta vontade ao amor pelo networking no agronegócio. Meu dia a dia sempre foi conversar com profissionais do agro: gerentes, diretores, lideres… Sempre achei que eles eram os caras mais “tops”.  E são, pode ter certeza. Queria ter contato com os produtores e saber o que pensavam. Logo, idealizei uma marca, o AGROMULHER. Um amigo me indicou uma plataforma para eu desenvolver o site e eu expliquei para ele que eu queria um em que eu pudesse divulgar informações sobre mulheres do agro, carreira, gestão e universo agro, como um blog.

Em fevereiro de 2017, desempregada, sem dinheiro, sem saber o que fazer, reiniciei o projeto com o Portal AgroMulher. Voltei a fazer edições no site e o coloquei no ar, porém não divulguei na mídia. Ao mesmo tempo fazia entrevistas de emprego, fazendo um intenso networking pelo Facebook e Linkedin, fazendo o meu melhor marketing pessoal, preocupando-me principalmente com a forma de compartilhar conteúdo, com a forma de abordar os executivos do agro. Buscava maneiras de como eu poderia postar fotos minhas sem que gerassem comentários maldosos, sempre opinando com muita segurança no que dizia.

Em maio de 2017, coloquei o Portal Agromulher no ar. Contava com três colunistas para a produção de conteúdo e o artigo de estreia foi uma publicação minha com um vídeo e entrevista com a pecuarista e gestora Teresa Vendramini, a primeira mulher a assumir uma posição administrativa na Sociedade Rural Brasileira, em 90 anos. Conheci a Teresa no Facebook através das postagens que faziam sobre ela. Um grande exemplo de liderança feminina no agro.

Olhando para o passado e observando como estou hoje, consigo ver-me mais forte, mais resiliente e muito mais focada. Os obstáculos e desafios que enfrentei e ainda enfrento, me fazem ser uma mulher mais FORTE, mais DETERMINADA e mais CONSCIENTE, porque eu escolhi me levantar das quedas e fazer destas os meus degraus para o meu sucesso pessoal e profissional.

Hoje o Portal AgroMulher faz parte da estruturação da Rede Digital AgroMulher, que possui mais de 10 mil seguidores no Instagram, mais de 7 mil curtidas na página do Facebook, grupos de Whatsapp nacional e regionais, além de diversos líderes ou embaixadores que se assumem como representantes dos valores e princípios do AgroMulher.

A Rede Digital AgroMulher promove todas as mulheres do agro e os grupos formados por elas, e apoia o empoderamento feminino no sentido de fortalecimento e união. Compartilha conteúdos sobre agromulheres de todo o Brasil, além de publicações relacionadas a carreira, gestão, universo agro e notícias. Fazemos eventos digitais com o objetivo de promover o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens, estudantes, profissionais, gestores, empreendedores e jornalistas do agro.

Eu, como Diretora Executiva, atuo liderando o Portal, as redes sociais, grupos de WhatsApp, Congresso AgroDigital, fortalecendo relacionamentos e parcerias com as empresas e pessoas do agro, focada no networking, na gestão de pessoas e processos, e assessorando a áreas jurídicas e burocráticas, além de coordenar estratégias de marketing e os eventos.

Daniela César Comunicóloga habilitada em Publicidade e Propaganda (PUC-MG), especialista em Processos Criativos em Palavra e Imagem (IEC PUC-MG) com atualização em Marketing (FGV), e proprietária da Invicta Propaganda. Daniela atua como Coordenadora de Comunicação, responsável por novos projetos do portal AgroMulher e na criação de conceito e valor de marca através de design, conteúdo e marketing digital. Daniela tem um carisma contagiante pela sua comunicação clara, com muita simpatia, disciplina, comprometimento e experiência de mais de 20 anos de mercado.

Deborah Thâmmis é Engenheira Agrônoma e atua como Assessora de Comunicação desempenhado um trabalho de relacionamento e comunicação muito ativo, intenso e com extrema educação e clareza. Deborah também tem experiência na produção de conteúdo e administração de portais e redes sociais.

Larissa Marques é Desenvolvedora Web e atua como Consultora de TI, executando e liderando processos de Front-end/back-end (por trás das telas do computador). Larissa atua em empresa no  segmento de bioenergia e também como desenvolvedora na empresa Caneca, estúdio de soluções web. Possui um perfil de liderança e empatia muito desenvolvidos e é muito colaborativa.

Na equipe também há mais de 10 colunistas para a produção de conteúdo para o Portal AgroMulher, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e profissional do nosso país. No site www.agromulher.com.br vocês poderão conhecer mais sobre cada um deles.

Temos também muitas AgroMulheres que nos representam nas mídias e nos eventos, como a pecuarista e gestora Sônia Bonato, a gerente de publicidade Cida Muniz, a Lydia Costa, que é fundadora do Canal Cooperativo, a jornalista Lilian Munhoz, a advogada e gestora Andréa Oliveira, a estudante de agronegócio Tatiane Zeferino, que já atua profissionalmente, além de muitas outras queridas. MUITO OBRIGADA AGROMULHERES!

A REDE DIGITAL AGROMULHER TEM UMA LÍDER QUE REPRESENTA O NOME DA CORPORAÇÃO, MAS ATRÁS DE UM GRANDE LÍDER SEMPRE EXISTE UMA GRANDE EQUIPE. AGRADEÇO A TODA EQUIPE AGROMULHER! SEM VOCÊS NÃO ESTARÍAMOS ONDE ESTAMOS, CRESCENDO, CONTRIBUINDO E TRANSFORMANDO A VIDA DAS PESSOAS.

VAMOS JUNTOS CONSTRUIR UM AMBIENTE EM QUE PODEMOS SER, SENTIR E CRESCER MUITO, COM MATURIDADE, EQUILÍBIO E SEMPRE ABERTAS A ORIENTAÇÕES.

Um grande beijo no coração de cada uma de vocês, AGROMULHERES, minhas grandes inspiradoras!

 

AgroMulher

De salto alto, de botas e enfim descalça

Uma dentre tantas lições valiosas que venho aprendendo com a terra, talvez essa seja a que norteia hoje minhas ações como pessoa e como profissional do agronegócio: autenticidade.

A vida feminina é marcada por uma longa história de repressão, de preconceito e de valores baseados em uma sociedade que até pouco tempo atrás era predominantemente machista. Todo esse conteúdo ainda pesa nos inconscientes, influencia de maneira sutil a formação e liberdade de expressão do feminino. Mesmo hoje, quando a mulher conquista seu espaço e dá voz aos seus potenciais, o que foi vivido e principalmente deixado de viver por tantas mulheres, se expressa como amarras prendendo alguns pontos da sua vida. Em muitos casos impedindo o pleno desenvolvimento do ser maravilhoso chamado mulher.

Na minha trajetória, tanto no agronegócio quanto na formação do meu eu feminino, essas sutis marcas históricas também se fizeram presentes. E elas só não foram determinantes porque percebi a grandiosidade da feminilidade a tempo de prezar por ela.

E a minha história de amor com o agro e com o meu feminino se inicia com um momento de grande caos e sofrimento em minha vida. Foi em um período onde a minha feminilidade, minha personalidade, meus potenciais e minha vida profissional e pessoal eram expressos por um lindo salto alto. Lá estava eu, caminhando pelo mundo e construindo a vida literalmente sobre um símbolo do poder feminino. O salto alto era meu porto seguro, meu ponto de apoio e a forma de pisar sobre as marcas históricas para conseguir meu espaço. Foi então que a vida me derrubou lá de cima, meu salto quebrou e me vi parada sem saber como prosseguir. O caos veio quando meu pai adoeceu, e de alguém protetor tornou-se alguém que precisava ser protegido. Um produtor rural que manteve as duas filhas afastadas do agronegócio, muito por proteção, e um pouco por influência de todo esse histórico machista, existente em especial nesse setor. Vendo a fragilidade de quem eu amava, e também da terra onde tenho minhas raízes, decidi jogar fora aquele sapato de salto alto quebrado e colocar uma bota.

Agora de botas, entrei para o agronegócio sem conhecimento, sem base alguma mas com a vontade de recuperar meu pai e a terra. Esse amor me moveu e fez ir em busca de possibilidades, me deu garra para enfrentar as dificuldades e força para trabalhar incansavelmente.

No início tentei me moldar ao “modo masculino” de trabalhar. Exigia de mim mesma postura profissional, forma de agir e pensar o trabalho como os homens a minha volta faziam. Achava que somente assim seria eficiente e eficaz em tudo que fizesse.  Mas percebi que além de não estar dando certo, eu estava impondo a mim mesma algo que não era meu e me causava sofrimento. Aos poucos fui dando espaço e liberdade de expressão ao meu feminino. Fui dessa forma me desenvolvendo como profissional e mulher. Percebi que o resultado do meu trabalho se tornava cada vez mais positivo a medida que eu me tornava mais feminina. Meus potenciais e meu trabalho hoje são expressos com meu jeito mulher de ser. Minha eficiência provém de uma maneira muito feminina de ser profissional nesse setor que hoje é uma das razões da minha vida, o agronegócio.

Agradeço à terra por me ensinar que agora posso andar descalça, sendo eu mesma. Que posso fazer, plantar, criar, trabalhar, colher e viver respeitando a minha própria história, os meus valores e sendo autenticamente feminina.

 

Luisa Comin é agropecuarista, coach e terapeuta.

O movimento agtech tem espaço para o talento feminino

Por Flávia Romanelli

O agronegócio vem passando nos últimos anos por uma revolução tecnológica. As ideias e soluções inovadoras e disruptivas já fazem parte da rotina dos empreendedores, na maioria jovens, das startups do agro, as agtechs. Desde 2016, Piracicaba, no interior de São Paulo, tem sido sede desse movimento chamado de Vale do Piracicaba ou AgTech Valley.

O ecossistema, que tem como espinha dorsal a Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), da USP (Universidade de São Paulo), contava com 38% das startups voltadas ao desenvolvimento do agronegócio no Estado de São Paulo e 18,6% do país, de acordo com o 1º Censo AgtTech Startup do Brasil, realizado em 2016. De lá para cá, o movimento só cresceu. A Raízen, gigante sucroenergética brasileira, criou o Pulse Hub de Inovação, que incuba e acelera dezenas de agtechs, e muitas startups de outras regiões vieram para cidade, assim com os fundos de investimento e as grandes empresas interessadas no assunto.

Apesar de algumas mulheres inspiradoras e talentosas fazerem parte desse ecossistema como a Adriana Lucia, da Agtech Garage, a Mariana Bonora, da BartDigital, a Mariana Vasconcelos, da Agrosmart e a Adriele Giareta Biase, da @Tech, a presença feminina ainda é pequena nas startups do agro.

De acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Startups, 4 em cada dez startups no Brasil não têm sequer mulheres na equipe.  Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne as nações mais industrializadas do mundo, revela que o acesso ao financiamento é um dos principais desafios que as mulheres enfrentam quando tentam criar um negócio. Segundo o relatório, nos EUA, os investidores são 60% mais propensos a dar dinheiro a homens empreendedores do que a mulheres – mesmo quando o conteúdo das apresentações seja exatamente o mesmo.

As mulheres já vêm conquistando espaço em vários setores do agronegócio como nas propriedades rurais, nas universidades, centros de pesquisa e agroindústrias. Além disso, vários levantamentos mostram que empresas geridas por mulheres são mais rentáveis e eficientes e a maioria delas um forte perfil empreendedor. O potencial e a capacidade as agromulheres já têm, apesar das dificuldades, agora é a hora de agarrar mais essa oportunidade que o agronegócio apresenta! Fique de olho, há vários programas de capacitação, mentoria, incubação e aceleração para agtechs procurando seu talento!

 

Saiba mais:

www.pulsehub.com.br

www.valedopiracicaba.org

www.usinadeinovacao.com

www.spventures.com.br

www.agtechgarage.com

www.esalqtec.com.br

 

Sônia Bonato, pecuarista e gestora, nos conta a sua trajetória como Agromulher

Por Gabriella Bertoni

 

Nome:  R- Sônia Aparecida da Silva Bonato

Idade: R-  61

Profissão: R- Agropecuarista

 

 

Como você entrou no agronegócio?

R- Nasci e criei em fazenda, e nunca me desliguei, e me casei com produtor rural. Temos uma filha Cassiana, 27 anos, mora em outra cidade. Moramos em nossa propriedade, entrei no agronegócio procurando conhecimentos para melhorar a propriedade e gerar lucros. Fiz vários cursos, participei de muuuiitas palestras. Quando era criança lembro do meu pai todos mantimentos para consumo, (e ainda meu pai vendia a sobra) eram produzidos na fazenda, me lembro principalmente do gergelin, que hoje é raro, minha mãe fazia óleo para consumo…imagina hoje como seria?

 

Hoje em dia, ocupa qual cargo?

R- Administradora e gestora da fazenda de nossa propriedade.

 

Como é seu dia a dia trabalhando no campo?

R- Moramos em nossa propriedade Fazenda Palmeiras então…meu dia começa as cinco hs da manhã…após o café, faço almoço, e vou caminhar na fazenda as vezes meu marido Nilton está mais folgado e vai comigo, levo minha máquina fotográfica e meu celular, pois temos orgulho do nosso trabalho, registro tudo mesmo.

Voltando em casa, falo com minha filha e vamos aos papéis, bancos, eu que faço custeio agrícola e financiamento de investimentos, cotação de insumos, datas de vacinas,ITR, IR…etc,  contas, livro caixa e uma lida nos projetos, fazemos projetos anuais, e vamos lendo para ver se tem que alterar pra mais ou para menos, dependendo da situação do momento. Sempre ajudo, com outros a fazeres que fazem parte do trabalho com máquinas, levar óleo diesel, mecânico, comprar peças, etc. Participo da vida social do município, como ações beneficentes e uns passeios para cuidar da vida pessoal.

Sentiu alguma dificuldade por ser mulher?

R- Nenhuma, não ligo para opiniões de pessoas que não querem acrescentar, mas te diminuir, quando preciso de opinião e ajuda, procuro um profissional da área, agrônomo, médico, bispo, advogado, técnicas em vários setores, se formaram para tornar nossas vidas mais tranquilas.

 

O que você fez/faz toda vez que sofria/sofre algum tipo de preconceito por ser mulher?

R- Nada, respondo com competência.

 

Quais melhorias você trouxe para seu negócio desde que assumiu seu cargo?

R- Muitas. Máquinas adequadas para nosso trabalho, conforto e melhor alimentação para nossos animais, fazenda bem cuidada (cercas, nascentes, e visual do local), maiores lucros e com isso vida pessoal confortável e com mais férias.

 

Quais conselhos você dá para as mulheres que desejam encarar esse desafio, mas sofrem com preconceito e outras dificuldades?

R- INFORMAÇÃO É ESSENCIAL, TRÊS Fs: FÉ NA VIDA- FOCO NO OBJETIVO E FORÇA NOS BONS PENSAMENTOS. PLANEJAMENTO E PROJETOS É OBRIGATÓRIO,

UM PROJETO PESSOAL, E DAR PRIORIDADE, POIS SE SUA VIDA PESSOAL VAI BEM A CHANCE DA PROFISSIONAL SER ÓTIMA É MAIOR.

 

Mais algo a acrescentar?

Busquem conhecimentos, participem de tudo que é de seu interesse, palestras, leiam tudo que for de boa fonte, procure sempre um profissional de sua área para buscar orientação, e CUIDEM DA VIDA PESSOAL…TUDO VAI BEM QUANDO VOCÊ ESTÁ BEM!!!!

 

 

Texto: Gabriella Bertoni

Apuração: Ana Paula de Araujo

Confira a matéria original no link: https://financasfemininas.com.br/uma-a-cada-tres-propriedades-rurais-e-gerida-por-mulheres/

 

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